Por Ivanaldo Mendonça — Próximos a decidir o futuro do país, através do segundo turno das eleições, muitos se sentem de mãos e pés atados por não saberem em quem voltar, ou, por não concordarem com as opções apresentadas. Mais que simplesmente escolher entre A ou B, a questão exige, sobretudo, coragem para refletir e decidir. Se fôssemos movidos apenas por vontade não compareceríamos ás urnas. No entanto, a consciência do cumprimento do dever nos acusa, a liberdade nos impele e a responsabilidade nos inspira. Vamos votar!

Destaca-se na atual disputa pela presidência o forte apelo á moralidade e a princípios de caráter religioso. Num país verdadeiramente cristão todos saberiam, exatamente, o que o Evangelho ensina e o praticariam. Os nomes ‘Deus’ e ‘Jesus Cristo’ tornaram-se reféns de campanhas publicitárias com fins políticos. O uso é tão descarado a ponto de defensores do estado laico e ateus bradarem: ‘Deus acima de todos’ e, não-cristãos declarados entrarem na fila da comunhão.

Em nome da propaganda sobre Deus se permite tudo. A contradição é tão gritante que inverteram a ordem natural das coisas, afinal o ‘tudo’ é infinitamente superior ao ‘todos’, de maneira que uma evocação adequada, inclusive, do ponto de vista teológico, uma vez que os candidatos se dizem apoiados por lideranças religiosas, seria: Deus acima de tudo! ‘Tudo’ significa, de fato, aquilo que Deus é: absoluto!

A expressão ‘acima de todos’ é compreensível, porém, não do ponto de vista cristão, cuja fé se fundamenta, sobretudo, no Novo Testamento, que apresenta Jesus Cristo como salvador de humanidade, inclusive, nominando-O ‘Emanuel’, que significa ‘Deus está conosco’ (Mateus 1, 23). O ‘acima de todos’ expressa a compreensão deturpada do Antigo Testamento que relaciona, diretamente, a ação de Deus á imposição, punição, vingança, castigo e exclusão. Desde aquele tempo usa-se o nome de Deus para reforçar aquilo que Ele não é, nem quer.

Nesse sentido, o ‘Deus acima de todos’ contradiz a essência do Evangelho. Em Jesus Cristo, Deus que está acima de tudo fez-se, por amor, Deus no meio de todos. Desceu, inclinou-se, tocou o chão, encarnou-se, viveu entre nós, viveu como nós, entregou-se na cruz, venceu a morte e ressuscitou pela nossa salvação.  Creio no Deus de Jesus Cristo, que está acima de tudo e no meio de todos.

Deus não precisa de nossa defesa, nem apoio, afinal, Ele é Deus. 

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

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