Santa Casa com dívida de R$ 20 milhões pede ajuda a vereadores
Provedor e nove gerentes receberam 12 vereadores; dívida do hospital chega a R$ 20,18 milhões

Da Redação — A Santa Casa de Olímpia pediu aos vereadores ajuda para conseguir emendas parlamentares, e ações de repasse do duodécimo de fim de ano, para cobrir a falta de R$ 651,2 mil por mês no caixa. O pedido foi feito na manhã desta quinta-feira (29), em reunião do provedor, Claudinei Queiróz, e de nove gerentes do hospital com os parlamentares.
O encontro serviu para prestar contas. Cada gerente apresentou sua área, e a direção mostrou aos vereadores os serviços, os números de 2026 e a situação financeira da entidade, que fará 100 anos em 2027. A ideia é que os parlamentares levem o pedido a deputados estaduais e federais.


Por que o hospital pede ajuda
A Santa Casa é uma entidade filantrópica privada e o único hospital da cidade. Mais de 80% dos atendimentos são pelo SUS, e o valor pago pelo sistema fica abaixo do custo do serviço. Cada melhoria no atendimento aumenta a despesa sem que a receita acompanhe.
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Queiróz reconheceu que o município reforçou os repasses, mas disse que a conta continua aberta. Para ele, o hospital vive uma equação difícil: “Estamos sempre enxugando gelo”.

De onde vem o dinheiro
A gerente de Contratos e Convênios, Aieska Gouveia, detalhou os repasses, e o controller, Julezis Marini, apresentou o panorama financeiro de 2024 a 2026.
A receita média mensal de 2026, informada até outubro, vem de três fontes:
- Repasses públicos: R$ 2.532,2 mil (81,2%)
- Convênios e particulares: R$ 543,3 mil (17,4%)
- Doações: R$ 43,5 mil (1,4%)
A soma fecha R$ 3.119,0 mil por mês.
Os repasses públicos caíram 2,58% em relação a 2025, quando eram de R$ 2,60 milhões por mês. Do total hospitalar, R$ 1,35 milhão vem da contratualização, R$ 648,1 mil do MAC/FAEC e R$ 536,2 mil do SUS Paulista.

A Santa Casa também recebe recursos para a UPA 24h e para a UBS. Essas verbas têm destino próprio e não podem ser usadas livremente no hospital.

Para onde vai o dinheiro
A despesa média mensal de 2026 se divide em quatro grupos:
- Folha de pagamento: R$ 1.311,0 mil
- Honorários médicos: R$ 1.150,4 mil
- Consumo geral: R$ 627,9 mil
- Administração e manutenção: R$ 295,0 mil
A soma fecha R$ 3.384,3 mil por mês, R$ 265,3 mil acima da receita. Com R$ 385,9 mil de parcelas de dívidas, a necessidade chega a R$ 651,2 mil mensais.
Os honorários médicos foram o item que mais cresceu: de R$ 837,9 mil por mês em 2024 para R$ 1,15 milhão em 2026, alta de 37,3%. Mais de 120 médicos fazem plantões no hospital, que tem 341 funcionários.

Dívida chega a R$ 20,18 milhões
O endividamento total é de R$ 20,18 milhões. Desse valor, R$ 17,95 milhões estão em bancos e parcelamentos, e R$ 2,23 milhões são dívidas de curto prazo, com fornecedores e conta garantida.

A Caixa Econômica Federal concentra 79,2% da dívida financeira. Em 2025, a dívida caiu pela primeira vez desde 2017, para R$ 15,12 milhões. Em 2026, voltou a subir 18,7%, após o 13º salário de 2025 e um empréstimo de R$ 1,3 milhão em janeiro. Em junho, o hospital passou por uma reestruturação financeira.
O que o hospital entrega
A gerente clínica e assistencial, Naiara Nardelli, mostrou a produção de janeiro a setembro: a Santa Casa fez 3.740 internações, 2.849 procedimentos cirúrgicos e 7.417 sessões de hemodiálise. Nasceram 467 bebês na maternidade, e a sala de emergência fez 735 atendimentos, todos pelo SUS. O hospital tem 84 leitos, 53 deles para o SUS.

Os leitos do SUS tiveram ocupação média de 77%. A UTI SUS, com cinco leitos, chegou a 100% em julho e em setembro.

Hotelaria: refeições e roupa
A gerente de Hotelaria e Hospedagem, Francini Barbosa, mostrou que a cozinha serve quase 12 mil refeições por mês, em cinco horários, do desjejum à ceia. São 6.656 refeições para pacientes e 5.335 para acompanhantes, o que dá cerca de 222 e 178 por dia.

A lavanderia processa 18.625 quilos de roupa por mês, em média 621 quilos por dia. O hospital responde por 15.246 quilos, e o restante vem da UPA e de outras unidades atendidas. O serviço usa lavadoras extratoras, centrífugas, secadoras e calandra. Recepção, nutrição, lavanderia e higiene e limpeza reúnem 88 profissionais.

AVC: atendimento mais rápido do Estado
O projeto de atendimento ao AVC, feito com o Hospital das Clínicas da USP, colocou Olímpia em primeiro lugar entre 15 hospitais paulistas. O tempo entre a chegada do paciente e o remédio que desfaz o coágulo é de cerca de uma hora, entre 56 e 58 minutos.

Segundo Claudinei, dos cerca de 90 pacientes atendidos no período, 62% ficaram sem sequelas. A Santa Casa também tem assessoria do Hospital Sírio-Libanês, no projeto de segurança do paciente.

Centenário e obras
Em 2027, a Santa Casa completa um século. A direção prevê ações com a sociedade civil ao longo do ano e a abertura de 12 novos leitos no primeiro semestre, para aliviar a fila de pacientes do SUS.

A ala nova, em obras, deve ser inaugurada no fim de 2027 ou no início de 2028.
Transparência e apelo à população
Aieska Gouveia apresentou o Portal da Transparência do hospital, com demonstrações contábeis, folha de pagamento, convênios, atas e estatuto.

Queiróz pediu que a população entenda que a Santa Casa não é do poder público e depende de ajuda para funcionar. Sugestões e críticas são bem-vindas.


Serviço
Portal da Transparência da Santa Casa de Olímpia: clique aqui.




















