Quatro em cada dez brasileiros pensam em deixar o país. Inclusive, da região
Interior acompanha tendência com foco em cidadania europeia, afirma Rafael Aguiar

DO DIÁRIO — Quatro em cada dez brasileiros consideram morar fora do país, segundo levantamento do Observatório Febraban em parceria com o Instituto IPESPE. O dado revela uma mudança de comportamento que também se reflete no interior paulista, especialmente na região de São José do Rio Preto, onde cresce a busca por cidadania europeia como estratégia de planejamento familiar e mobilidade internacional.
A pesquisa foi realizada entre 15 de novembro e 2 de dezembro, com cerca de 3 mil entrevistados em todas as regiões do Brasil. A Europa aparece como o principal destino desejado, seguida pelos Estados Unidos. O interesse é mais expressivo entre jovens das gerações Y e Z, mas avança de forma consistente entre famílias e profissionais já estabelecidos.
Planejamento substitui decisão por impulso
O advogado Rafael Aguiar, do Cartório Brasil Europa, com sede em Olímpia, avalia que “o movimento deixou de ser pontual e passou a integrar decisões estruturais das famílias”. Segundo ele, a intenção de morar fora do país “passou a ser tratada como planejamento de médio e longo prazo, envolvendo aspectos jurídicos, patrimoniais e familiares”.
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Com atuação na Itália e em Portugal, Aguiar observa que o interior paulista acompanha uma tendência nacional, impulsionada por famílias que buscam alternativas legais para estudo, trabalho e qualidade de vida no exterior, sem depender de processos migratórios emergenciais.
Região favorecida pela herança europeia
De acordo com o advogado, a região apresenta uma característica específica: a forte presença de descendentes de imigrantes europeus, especialmente italianos e portugueses. Esse fator facilita a busca pelo reconhecimento da cidadania e explica o crescimento da demanda nos últimos anos.
A cidadania europeia garante ao titular o direito de residir, trabalhar, estudar e circular livremente pelos países da União Europeia, além de permitir o reagrupamento familiar e o acesso a sistemas públicos de saúde e educação.
Processo é longo e exige antecedência
Apesar do aumento da procura, Aguiar ressalta que o reconhecimento da cidadania não é imediato. O procedimento envolve análise documental, reconstrução genealógica, emissão e retificação de certidões e, em alguns casos, trâmites judiciais, que podem se estender por anos.
O crescimento da demanda, segundo ele, indica que as famílias passaram a se antecipar, buscando garantir opções futuras com segurança jurídica.
Quem é Rafael Aguiar
Rafael Aguiar é advogado com atuação em processos de cidadania europeia, com registro profissional na Itália e em Portugal. É fundador do Cartório Brasil Europa, escritório com sede em Olímpia, além de estrutura em São Paulo (capital) e em Braga, no norte de Portugal. É irmão do atual prefeito Renato Azeda, de Guaraci, sendo o seu vice.
Sua trajetória profissional teve início nos Estados Unidos, onde prestou assistência jurídica a imigrantes brasileiros na região de Orlando, atuando em demandas relacionadas à regularização migratória. Posteriormente, transferiu sua atuação para a Europa, estabelecendo-se em Portugal, onde fundou a sede europeia do Cartório Brasil Europa e passou a exercer a advocacia local.
Atualmente, trabalha com reconhecimento de cidadania italiana e portuguesa, assessorando famílias brasileiras em processos que envolvem reconstrução genealógica, análise documental e trâmites administrativos e judiciais nos países de origem.
Em breve, o Cartório estará presente, fisicamente, também em São José do Rio Preto.



















