A Estância Turística de Olímpia viveu, na manhã desta terça-feira (10), um momento muito valioso de resgate da história da fundação da cidade, em que foi inaugurado um espaço especial para preservação do cruzeiro, que representa o marco zero do município.

Fincada há 160 anos, às margens do Ribeirão Olhos D’Água, a cruz de madeira simboliza a chegada do desbravador mineiro Antônio Joaquim Miguel dos Santos, primeiro cidadão a residir em Olímpia que, assim como outros mineiros, veio a São Paulo no século XVIII, na época de decadência do ouro, em busca de novas riquezas.

Segundo a arquiteta e pesquisadora Rosely Seno, a preservação da cruz conserva a história da cidade. “Esse marco não é só uma cruz de madeira, ele conta a história do primeiro homem que pisou neste sertão, contando não só a história de Olímpia, mas de quase todas as cidades paulistas. Quando o objeto é exposto ele vira um marco para a história para que as futuras gerações conheçam o passado. Esse marco se tornou um livro aberto para a gente contar a história de Olímpia”, destaca.

A especialista teve papel crucial no projeto, sendo a responsável pelo restauro do marco e pelo trabalho de resgaste da história da cidade, bem como pelo processo de tombamento do cruzeiro.

Dessa forma, a restauração do marco foi possível graças ao esforço conjunto do poder público e dos empresários envolvidos, uma vez que parte da cruz estava guardada há 17 anos com o empresário olimpiense Miguel Daud – atual proprietário do terreno onde o marco foi fincado – e o alicerce do cruzeiro foi encontrado durante as obras de reforma da de uma loja de confecções, cujos responsáveis contribuíram com a localização do marco e ainda restauraram o local original da fundação.

“Quero agradecer a todos pela distinção com que receberam o nosso pedido de cuidar da história da cidade. Quando criança, nós saíamos da escola e vínhamos ver o marco onde se iniciou a ocupação e a geração do patrimônio São João Batista com o cruzeiro, por isso, a gente tem isso na lembrança. Logo quando eu assumi o mandato, havia um boato na cidade de que o local do cruzeiro tinha sido destruído e o marco tinha sumido e nós buscamos ativar nossos profissionais da área para que fossem atrás e eles localizaram as pessoas envolvidas e conseguiram resgatar o que está aqui hoje. Uma população que não tem memória está renegada a não passar princípios para as futuras gerações. Na administração, nós precisamos cuidar de todas as áreas, inclusive da atividade histórica e vamos continuar resgatando os valores da nossa cidade”, ressaltou o prefeito Fernando Cunha, durante a inauguração.

O marco, restaurado com o apoio da Prefeitura da Estância Turística de Olímpia, por meio da secretaria de Cultura, Esportes e Lazer, se encontra em um espaço reservado do estoque da loja (Rua David de Oliveira, 776 – Centro) com a presença do cruzeiro original, o local da fundação e a história do ato e está aberto para visitação da população e de turistas.

A cerimônia de inauguração foi conduzida pela secretária de Cultura, Tina Riscali, que abraçou o projeto. Também estiveram presentes na ocasião o dono da loja Marcos Madureira; o gerente Leonardo Chiuzuli; os vereadores Zé das Pedras, João Magalhães e Hélio Lisse; a provedora da Santa Casa, Luzia Contim; secretários municipais; funcionários da loja; sociedade civil e imprensa.

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