Recentemente, a 74ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de Olímpia, prestou homenagens a advogados decanos e entregou carteiras para novos profissionais do Direito.

Iscilla (E) recebe o certificado das mãos da vice-presidente da OAB local, Silvana de Sousa

Uma dessas homenagens foi para a advogada olimpiense Iscilla Christina Vietti Aidar Piton. O Diário de Olímpia, na ocasião, a entrevistou e, nesta edição, transcrevemos o cerne desse bate-papo descontraído.

Diário de Olímpia: Iscilla você foi homenageada pela OAB como decana o que isto significa?

Iscilla Piton: Significa muito, 30 anos passam muito rápido, só isto não é bom. Mas estar entre os homenageados pelo exercício da advocacia por todos estes anos é gratificante.

Casal Piton com o então presidente da OAB paulista, Marcos da Costa, e vereador Salata, na Câmara local

D.O.: O que acha mais relevante atualmente para a mulher advogada e para os advogados de modo geral?

I.P: Combater a discriminação dos sexos na profissão é um dever em qualquer classe profissional. Como mulher advogada, particularmente, nunca me senti discriminado ou senti no fato de ser mulher um obstáculo, mas sei que está não é uma realidade para todas as mulheres e isto deve acabar. A advocacia passou por muitas mudanças nestas três décadas. Não acredito em retrocesso, por princípio acho que tudo progride, mas existem fases perigosas aonde os limites da legalidade e das garantias da cidadania se tornam mais tênues. Vivemos uma época desta. O Direito não comporta heróis. A cultura jurídica e o arcabouço filosófico apontam que é preciso preparo para exercer a advocacia e manter hígidas as relações necessárias para a operação do direito. O preparo dos advogados é importantíssimo, mas o despreparo dos magistrados e a politização da justiça com a criação de heróis gera muitas preocupações. É um prenúncio de que ideias fascistas ainda podem sufocar direitos constitucionais que temos por pétreos.

Iscilla, Caia, Beto Puttini, e próceres da OAB-SP, entre eles o olimpiense Luis Sílvio Moreira Salata, da Comissão de Direito Eleitoral (D)

D.O.: O que acha das operações anti corrupção como a Lava Jato?

I.P: Sou plenamente favorável à todas as operações de combate à corrupção, mas sou frontalmente contra a personalização destas operações e sua exploração midiática. Acredito ainda que precisamos da mesma intensidade no combate ao narcotráfico e ao crime organizado como um todo. Sem deixar a corrupção em segundo plano, bom é lembrar que estamos num país aonde contrabandistas e sonegadores entoam discursos contra a corrupção. Isto faz com que tenhamos a ciência de que a matéria corrupção transcende o direito para as fileiras educacionais. É muito importante que escolas com base e organização pedagógica democrática “ensinem a pensar” e mostrem que a corrupção só terminará quando o cidadão dor educado no sentido tão bem exalando por São Paulo, tudo me é permitido mas nem tudo me enobrece. As organizações criminosas hoje vão desde postos de gasolina, a remedeios e supermercados, a questão é bem mais profunda do que parece. A OAB sempre teve um papel decisivo na garantia dos direitos individuais, defendo que ela passe a promover por comissões educacionais a reflexão destes temas junto a juventude atuando na educação de base, na formação do cidadão. Heróis não resolverão nosso problema é podem agravar desviando a atenção do espectro e focando em um só assunto.

D.O.: nestes anos de advocacia qual caso marcou mais sua carreira?

I.P:Todos têm pra mim a mesma importância. A maior parte deles desenvolvi junto ao Caia, meu marido e também advogado, com o qual divido a Aidar Piton Advocacia. É óbvio que alguns casos em especial nos marcam para sempre. Dentre elas estão ter presidido as comissões processastes que eliminaram os fantasmas e demitiram os envolvidos no governo Carneiro, bem como, nossa atuação noa processos de abertura dos poços do Thermas, que acredito tenham sido mais do que processos, mas símbolos de uma época.

Família sempre presente (filhos Indra, Valentina e Bernardo), com sogra Maria de Lourdes Rodrigues Piton, na recepção ao hoje deputado estadual Coronel Telhada, em Olímpia
Iscilla e o marido, também advogado, Caia Piton

Quando nasceu nosso primeiro filho deixei ele com a avó com apenas sete dias para acompanhar as sustentações orais dos mandados de segurança no Tribunal. Pode não parecer, mas a vida exige da mulher mais do que do homem no quesito renúncia (risos). A participação como Assistente no TED na época em que o Caia foi Relator Efetivo foi muito gratificante e não menos gratificante compor a comissão estadual da mulher advogada e a comissão estadual das prerrogativas.

D.O.: o que a Sra tem a dizer aos novos advogados? Uma palavra ou um conselho?

I.P:Uma diretriz. Conheçam e façam valer suas prerrogativas. Não existe hierarquia entre juízes ou autoridades e advogados. Façam valer sua voz, ela é o exemplo máximo do operador do direito e da independência. Nunca se esqueçam que são invioláveis no exercício de suas profissões.

Casal Piton em homenagem recebida na capital paulista com o então desembargador do TJSP José Renato Nalini

Estudem, estudem, estudem, preconceito, excessos hoje comuns dos poderes instituídos, cerceamentos e às tantas e quantas outras questões relativas ao descontentamento atual da advocacia, quer seja na comarca, quer seja no Pais como um todo superaremos pela união da OAB e o fortalecimento de nossas bases intelectuais.

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