Painéis raros de Durval Pereira começam a ser restaurados em Olímpia
Obras dos anos 1950 estavam ameaçadas por infiltrações no antigo hospital da cidade

DA REDAÇÃO — Obras do pintor Durval Pereira, consideradas raras e ameaçadas pela ação da umidade, começaram a passar por um processo de restauração em Olímpia. O trabalho é conduzido pela conservadora e restauradora Yara Petrella, responsável por coordenar a restauração da pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, no Museu do Ipiranga, em São Paulo. Com Diário da Região – Fotos Ricardo Boni
Os oito painéis estão instalados nas paredes da antiga sala da diretoria do extinto hospital que funcionou em um prédio histórico da cidade. As obras foram produzidas no início da década de 1950 e sofreram degradação ao longo de décadas de infiltrações e falta de manutenção.

A iniciativa ocorre paralelamente às obras de recuperação estrutural do imóvel, que recebe reforços na fundação e intervenções na cobertura para eliminar problemas de umidade.
Obras sobreviveram ao abandono do prédio
Os painéis permaneceram por anos em um edifício marcado por disputas administrativas e judiciais após o encerramento das atividades hospitalares da Sociedade Beneficência Portuguesa de Olímpia.
Sem manutenção adequada, o prédio passou por um longo período de deterioração. Em meio ao abandono, as obras de Durval Pereira ficaram expostas à ação constante da umidade, colocando em risco a preservação de um conjunto artístico pouco conhecido até mesmo por familiares do artista.
Os trabalhos ocupam grandes áreas das paredes, chegando a aproximadamente 3,5 metros de largura por 3 metros de altura.

Técnica diferente dos afrescos tradicionais
Embora sejam frequentemente confundidos com afrescos, os painéis possuem características distintas.
Enquanto o afresco tradicional é executado sobre argamassa ainda úmida, utilizando pigmentos diluídos em água, as obras de Durval Pereira foram produzidas diretamente sobre a parede já seca, com aplicação de tinta a óleo.
Os temas retratados remetem a referências ligadas a Portugal, origem da família do artista, com paisagens inspiradas nas terras de Camões e Fernando Pessoa.

Recuperação começa no microscópio
A primeira etapa do trabalho ocorreu durante uma visita técnica realizada em maio.
Segundo a especialista, o processo de restauração exige conhecimento detalhado dos materiais utilizados originalmente pelo artista para que as intervenções respeitem a técnica e as características da obra.
O diagnóstico apontou danos significativos provocados pela umidade acumulada ao longo dos anos. Ainda assim, a avaliação técnica considera possível recuperar os painéis.
Análises identificam pigmentos e materiais originais
A fase inicial inclui a coleta de pequenos fragmentos das pinturas e da argamassa utilizada nas paredes.
O material será submetido a exames laboratoriais, incluindo espectroscopia Raman, método não destrutivo utilizado para identificar pigmentos, vernizes, aglutinantes e outros componentes presentes nas obras.
A técnica utiliza laser para analisar a composição molecular dos materiais, permitindo diferenciar elementos originais de intervenções posteriores e orientar a escolha dos procedimentos mais adequados para a restauração.

Patrimônio histórico da cidade
O prédio que abriga os painéis foi tombado como patrimônio histórico municipal em 2017, juntamente com a antiga estação ferroviária.
A recuperação estrutural do imóvel abriu caminho para o início do restauro das obras, considerado um passo importante para preservar parte da memória artística e arquitetônica de Olímpia.
A expectativa é que, após as análises técnicas e a definição dos procedimentos de conservação, os painéis possam recuperar características perdidas ao longo das últimas décadas.



















