Dia do Turismo revela força de hotéis, parques e atrações de Olímpia
Rede hoteleira com 34 mil leitos e parques aquáticos entre os mais visitados do mundo reforçam a posição de Olímpia entre os principais destinos do país; projeto de aeroporto internacional segue sem autorização do Governo Federal

Por Leonardo Concon — Hoje, 27 de setembro, é o Dia do Turismo, e Olímpia celebra a data na condição de uma das principais potências turísticas do Brasil. A Estância Turística recebe cerca de 5 milhões de visitantes por ano, mantém a segunda maior rede hoteleira do Estado de São Paulo e abriga parques aquáticos entre os mais visitados do planeta. Capa: foto por IA.
A data, comemorada globalmente desde 1980, chega à cidade em um momento de expansão acelerada. Hotéis, resorts e parques aquáticos sustentam hoje boa parte da economia local e mudaram a rotina de um município que, até poucas décadas atrás, vivia sobretudo da agricultura.

De cidade agrícola a capital das águas termais
A vocação turística de Olímpia nasceu de um acaso geológico. Nos anos 1980, poços perfurados na região à procura de petróleo encontraram, em vez do combustível, reservas de água termal do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta.

O empresário Benito Benatti enxergou ali uma oportunidade e, em 1985, começou a montar um clube de lazer aproveitando a água quente. Dois anos depois, em 1987, o empreendimento abriu as portas com o nome de Thermas dos Laranjais. Só em 2002 o espaço se transformaria formalmente em parque aquático, dando início a um ciclo de expansão que não parou mais.
Hoje o Thermas dos Laranjais ocupa mais de 300 mil metros quadrados e reúne mais de 50 atrações entre toboáguas, piscinas e áreas de lazer, todas abastecidas pela água termal que, décadas atrás, surpreendeu quem procurava petróleo.

O parque figura entre os mais visitados do mundo e lidera o ranking de público das Américas, segundo levantamentos do setor. Ao seu lado, o Hot Beach consolidou-se como o segundo grande polo aquático da cidade e está entre os cinco parques mais visitados de toda a América Latina.
Capital do Folclore, terra de tradições
Antes de se tornar sinônimo de parque aquático, Olímpia já cultivava outra vocação: a de Capital do Folclore. O título remete ao tradicional Festival do Folclore da cidade e ao acervo do Museu de História e Folclore, um dos mais completos do país sobre o tema.

Essa vertente cultural continua atraindo público. Somente em 2025, os museus públicos da cidade receberam cerca de 35,4 mil visitantes, com a Estação Cultural de Olímpia (ECO) à frente, sozinha responsável por mais de 15,3 mil deles.

Os números mostram que o turismo da cidade não se resume às piscinas de água quente: soma-se a ele uma agenda cultural que também atrai visitantes ao longo do ano.

Da Estância Turística ao primeiro Distrito Turístico do Estado

O crescimento do setor foi reconhecido oficialmente pelo Estado de São Paulo. Olímpia já figurava como Estância Turística, mas em 2021 deu um passo além: a Lei estadual nº 17.374, sancionada naquele ano, criou o primeiro Distrito Turístico de todo o Estado, com sede na cidade.
A pedido do prefeito Geninho Zuliani, atualmente em nova gestão municipal, o deputado estadual Itamar Borges foi o autor da lei estadual.
A nova categoria vai além do título simbólico. Ela garante à cidade representação em colegiados estaduais e prioridade no acesso a investimentos para infraestrutura, promoção e qualificação turística, recursos que ajudam a sustentar a expansão hoteleira dos últimos anos.

Hotelaria em ritmo de expansão
Se os parques aquáticos deram à cidade sua identidade, foi a hotelaria que transformou Olímpia em polo de investimentos. A rede de hospedagem local cresceu 76% em apenas um ano, impulsionada pela chegada de grandes resorts de multipropriedade, e hoje soma mais de 34 mil leitos.

O número faz de Olímpia a segunda maior rede hoteleira do Estado de São Paulo, atrás apenas da capital, e a quinta maior do país, superada só por Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Seguro e Salvador, todos destinos com população e fluxo turístico muito maiores.

Dois dos maiores empreendimentos de multipropriedade do Brasil funcionam na cidade. O Enjoy Olímpia Park Resort reúne 912 apartamentos, enquanto o Solar das Águas Park Resort, ainda em expansão, vai entregar mais de mil unidades quando concluído. Juntos, simbolizam a aposta do mercado imobiliário e hoteleiro na continuidade do crescimento turístico local.

Reconhecimento nacional e internacional
O desempenho do setor também aparece nos indicadores oficiais. O Ministério do Turismo mantém Olímpia na categoria A do Mapa do Turismo Brasileiro, grupo que reúne, fora as 27 capitais, apenas 129 municípios em todo o país. Na região turística Água, Cultura e Negócios, só Olímpia e São José do Rio Preto alcançam essa classificação.

O reconhecimento também vem de fora. Um resort da cidade entrou entre os 25 melhores hotéis para famílias do mundo no Travellers’ Choice 2026, prêmio do Tripadvisor concedido a menos de 1% dos estabelecimentos avaliados na plataforma. No recorte nacional da mesma categoria, o empreendimento ficou em 4º lugar.

Um observatório para orientar o crescimento
Para lidar com esse volume de visitantes, a Prefeitura mantém um Observatório de Turismo de Olímpia, núcleo técnico que monitora indicadores do setor e orienta decisões de investimento público e privado.

Com base nesses dados, a cidade atualizou recentemente o Plano Diretor de Desenvolvimento Turístico, com vigência até 2028, e passou a projetar 6 milhões de turistas por ano até 2029. O caminho já está em andamento: somente no primeiro quadrimestre de 2025, a cidade recebeu 1,5 milhão de visitantes, cerca de 200 mil a mais que no mesmo período do ano anterior.

Quatro décadas depois de um poço de petróleo revelar água termal onde ninguém esperava, Olímpia trocou a vocação agrícola por um lugar entre os principais destinos turísticos do Brasil. Neste Dia do Turismo, os números indicam que esse crescimento ainda não chegou ao fim.
Aeroporto internacional ainda depende de aval de Brasília
Olímpia também mira um aeroporto internacional próprio, mas o projeto segue sem autorização do Governo Federal. A proposta está em fase de decisão dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Brasília, e depende de aval para avançar.

Pelo projeto, o terminal seria erguido em terreno de 200 hectares cedido pela Prefeitura, a cerca de 20 quilômetros da área urbana, com pista de 2.100 metros de comprimento por 45 de largura, ampliável para 2.500 metros, e capacidade inicial para 1 milhão de passageiros por ano. A construção seria conduzida pela Infraero, estatal federal responsável por grandes aeroportos do país, com investimento estimado em R$ 500 milhões.
Apesar do avanço em etapas técnicas, como pareceres ambientais e arqueológicos, a obra ainda não tem autorização final do Governo Federal nem data de início confirmada.
*Do Diário – matéria autoral. Se for ler, copiar ou mudar, cite a fonte.













