Outubro Rosa: psicóloga fala de câncer de mama na Câmara
Lúcia Silva reuniu servidores e vereadores e explicou como o apoio emocional ajuda no tratamento e na recuperação

Da Redação — Servidores da Câmara Municipal de Olímpia ouviram, na quinta-feira (29), uma palestra sobre os impactos emocionais do câncer de mama, dentro da campanha Outubro Rosa. A psicóloga Lúcia Silva conduziu o encontro, às 9h, e defendeu que cuidar da mente faz parte do tratamento e da recuperação.
A vice-presidente da Casa, vereadora Sônia Guerra, apresentou a profissional e abriu a atividade com um recado sobre autocuidado. Outros vereadores também acompanharam a palestra, ao lado de servidores e servidoras.

Mês de olhar para o corpo e para a mente
Ao apresentar a convidada, a vereadora Sônia Guerra afirmou que outubro pede atenção não só ao corpo, mas também aos pensamentos e às emoções. Segundo ela, respeitar o próprio corpo, a mente e a alma é uma forma de cuidado.
Lúcia Silva disse que preferiu uma linguagem simples e acolhedora. Antes de começar, perguntou quem na plateia já enfrentou a doença ou acompanhou um parente em tratamento. Várias pessoas levantaram a mão. “Vocês sabem muito bem o que é vivenciar isso, porque a família vivencia junto com a pessoa doente”, afirmou.

O diagnóstico muda a rotina
A psicóloga descreveu o momento da descoberta como um choque. Segundo ela, surgem medo, insegurança, ansiedade, tristeza, raiva e a sensação de injustiça, com perguntas como “por que eu?”. A preocupação com os filhos, o marido e os pais também pesa.
Lúcia afirmou que o impacto atinge o sono, a alimentação e a rotina. Por isso, disse, essas são as primeiras perguntas que faz em consultório. Segundo a psicóloga, dormir mal aumenta a ansiedade, piora o humor e pode atrapalhar o tratamento.

Corpo e mente andam juntos
A palestrante explicou que o emocional equilibrado ajuda o sistema imunológico e pode favorecer a resposta do organismo à doença. Ela lembrou que o caminho inverso também existe: ansiedade e depressão costumam aparecer no corpo, com problemas de estômago, intestino, pressão alta e dores.
Lúcia ressaltou que o diagnóstico de câncer de mama não é uma sentença. Ela citou os recursos de tratamento disponíveis e as boas chances de cura, e reforçou a importância da prevenção precoce e do acompanhamento anual.

Aceitar não é concordar
Um dos pontos centrais da fala foi o conceito de aceitação. Para a psicóloga, aceitar não significa gostar do diagnóstico nem concordar com ele, e sim reconhecer a realidade e procurar recursos para enfrentá-la.
Ela disse que ninguém deve exigir que a paciente seja forte o tempo todo. “A dor é sua”, afirmou. Lúcia explicou que medo e esperança, tristeza e gratidão podem existir ao mesmo tempo, e que esses sentimentos confusos são mais bem trabalhados com acompanhamento psicológico.
A fé também apareceu como apoio. Segundo a palestrante, acreditar em algo maior, seja qual for a crença, dá uma base emocional importante durante o tratamento.
Autoestima e imagem corporal
A psicóloga falou das mudanças causadas pelo tratamento, como a queda de cabelo, o ganho de peso e as cirurgias. Segundo ela, essas alterações podem provocar estranhamento, insegurança e vergonha, mas também levam muitas mulheres a ressignificar a própria história.
Lúcia pediu que familiares e amigos ofereçam espaço para a mulher falar, sem julgamento. Em vez de cobrar força, disse, vale perguntar como ajudar e sugerir, juntos, a busca por ajuda profissional.

Rede de apoio e cuidado em equipe
A palestrante lembrou que a família também sofre e sente impotência diante da doença, e que a psicologia atende pacientes, parentes e cuidadores. Ela citou ainda a equipe que acompanha a paciente: mastologista, oncologista, enfermagem, nutrição, fisioterapia, serviço social e psicologia.
Lúcia alertou para o risco de buscar orientação em lugares errados. Segundo ela, a pessoa deve confiar no médico e nas terapias, evitar pesquisas desordenadas na internet e não tomar remédio por indicação de vizinhos. Relatos de quem já passou pelo tratamento, disse, ajudam, mas não substituem a orientação médica.
Entre as estratégias de enfrentamento, ela indicou conversar sobre os sentimentos, manter atividades que deem prazer, como crochê, leitura e encontros com amigos, e praticar respiração, relaxamento, yoga ou meditação.
Quando procurar ajuda
- tristeza e ansiedade intensas que não passam;
- isolamento constante;
- medo que atrapalha os procedimentos e o tratamento;
- sofrimento forte com a imagem do corpo;
- perda de prazer em atividades que antes agradavam.
Ela afirmou que a psicologia não exige pensamento positivo o tempo todo. Segundo Lúcia, o objetivo é entender o que a pessoa sente e, a partir daí, buscar recursos para melhorar.
Dinâmica com recados de apoio
No fim da palestra, a psicóloga distribuiu papel e caneta aos participantes. Cada um escreveu uma palavra ou frase que diria a uma pessoa em tratamento, com o objetivo de refletir sobre acolhimento, empatia e comunicação. Ela explicou que os homens também podiam participar, porque qualquer pessoa pode ter alguém próximo nessa situação.
Serviço
- Atividade: palestra sobre psicologia e câncer de mama, na campanha Outubro Rosa
- Palestrante: psicóloga Lúcia Silva
- Data: quinta-feira, 29 de outubro
- Horário: 9h
- Local: Câmara Municipal de Olímpia
- Público: servidores e servidoras da Casa



















