Por Ivanaldo Mendonça — Cremos profundamente, tanto pelas vias naturais quanto pela força da fé que ‘O amor tudo transforma’. Esta verdade objetiva manifesta-se acima de toda e qualquer particularidade e possíveis diferenças, assim como supera, em muito, argumentos que tentam provar o contrário. A quaresma, caminho que nos preparara para a Páscoa, celebração que memoriza (recorda e atualiza) a ação salvadora de Deus, através de Jesus Cristo, em favor de toda a humanidade, propõe-nos aprofundar o verdadeiro sentido da arte de amar.

A verdade de que ‘O amor tudo transforma’ insere-nos num movimento de permanente renovação. A dinâmica do amor impõe uma ordem necessária, que precisa ser desejada, buscada e assumida por todo aquele que, de maneira consciente, livre e responsável, dispõe-se a vivê-la: Acolher o amor de Deus. É Ele a fonte genuína do amor;    Amá-Lo acima de todas as coisas; Amar a si próprio como extensão de uma relação equilibrada e madura com o Senhor.

Outro elemento constitutivo dessa dinâmica é amor ao próximo. No relato da cura do cego de nascença (Jo 9 1-41) o evangelista João serve-se do termo ‘sinal’ para evidenciar que, além do que os olhos alcançam existe uma mensagem, um propósito, um ensinamento a ser transmitido e acolhido.   O primeiro objetivo do sinal narrado é revelar a grandeza e poder de Deus; depois, apresentar Jesus como salvador, aquele que restitui a dignidade humana; por fim, servir como testemunho para que os homens creiam; 

Jesus revela-se ‘luz que vem de Deus’. Tira o cego da exclusão e mendicância, restituindo-lhe a dignidade; questiona e faz pensar a comunidade, escrava de regras obsoletas; oferece ao homem curado da enfermidade física a possibilidade da salvação, de ser amado e poder amar além dos olhos, além do espaço físico, além do tempo, mergulhando, profundamente, na dinâmica do amor que gera, defende e promove vida.

Amar o próximo é reconhecer em toda e cada pessoa a presença de Deus, independentemente de virtudes, limites e fraquezas do outro. Amar o próximo é reconhecer-se humanamente necessitado do amor do semelhante, assim como, consciente do dever de amá-lo na liberdade, generosidade e gratuidade. Amar o próximo é comprometer-se em testemunhar, por palavra e obras, o que de Deus gratuitamente recebemos e que, gratuitamente, compartilhamos: o amor. Liberta-nos, Jesus, de toda escuridão! Abençoada quaresma! 

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

[email protected]

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here