Por Ivanaldo Mendonça — Dentre as muitas relações estabelecidas pelo ser humano nenhuma apresenta mais e maiores contradições que as relações interpessoais, ao mesmo tempo em que, nenhuma, evidencia, com mais clareza, elementos exclusivos da natureza humana. Relações entre pessoas promovem, simultaneamente, encantos e desafios. Constata esta verdade o crescente investimento das mais diversas organizações, das empresarias ás religiosas, por encontrar e disponibilizar alternativas que favoreçam ás pessoas, relacionarem-se saudavelmente.

Dentre as relações interpessoais uma categoria específica desperta atenção: as relações fraternais. Considere-se irmãos, não apenas os que possuem vínculos biológicos, mas, também, aqueles que, irmanam-se por comungar de princípios e referências que exigem relações próximas, como as de uma fraternidade, religião, comunidade, clube de serviço etc.

O desafio da fraternidade revela-se intenso, sobretudo, quando necessário corrigir e ser corrigido. Muito embora entre irmãos a correção fraterna não devesse ser problema, os transtornos provocados por este movimento mereceram de Jesus atenção especial.

No Evangelho Segundo Mateus Ele aborda a questão: ‘Se teu irmão pecar contra ti’ fale a sós com ele; chame uma testemunha para resolver a questão; expondo á situação a Igreja (Mateus 18,15-20). O caminho apresentado tem como intenção maior não perder o irmão.
Sobre as dificuldades a respeito da fraternidade vale considerar que, muito embora, filhos e irmãos sejam fruto do mesmo amor, do mesmo ventre, do mesmo coração, cada filho pensa merecer, exclusivamente, o amor dos pais.

Quando os pais não estão maduros, suficientemente, para deixar claro, a cada filho e a todos os filhos, que ele é capaz de amar a todos e cada um, na medida de suas necessidades, geram-se muitos e grandes problemas que, quando não superados de forma saudável inspiram terríveis sentimentos que se desdobrarão em terríveis atitudes e comportamentos, os maiores deles: ciúme, inveja e rivalidade.

Desconsideramos, em geral, que os frutos de relações fraternais doentias, ultrapassam os limites da infância, adolescência e juventude, arrastando-se por toda a vida, adquirindo, em cada momento tons, sintomas e razões adaptados e/ou disfarçados que, para além das relações fraternais, contaminam a vida familiar, social, profissional, amizades, práticas religiosas e tudo mais.

Aumentam, cada vez mais, as dificuldades em lidar com filhos, irmãos, amigos, equipes, fiéis e tudo o que envolve vínculos fraternais saudáveis. É preciso reorientar o caminho e resgatar a beleza única da fraternidade, que faz das pessoas seres consoladores, protetores, modelos, incentivos, aliados leais e grandes amigos. É preciso compreender que ‘não sou eu mesmo’ sem o outro que, também, ‘não é ele mesmo sem eu’.

A fraternidade, em seus diversos níveis, é um dos princípios para alcançar a tão sonhada felicidade.

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

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