Por Ivanaldo Mendonça – Certamente você, assim como eu, já viveu ‘dias de pássaro’, nos quais ficaríamos o tempo todo cantarolando as alegrias que a vida nos proporciona. Certamente você, assim como eu, já viveu ‘dias de cão’, nos quais, avançaríamos em quem passasse á nossa frente, por razões as quais acreditássemos serem suficientes, ou, simplesmente, porque não estávamos bem.

Certamente você, assim como eu, já viveu ‘dias de brisa’, nos quais palavras e até mesmo sorrisos foram dispensáveis, um função da sensação de plenitude experimentada.

As características aqui expressas de maneira alegórica, que nos assemelham ao pássaro, ao cão e á brisa, estão presentes em todo perfil e personalidade tidos como ‘normais’; convivemos com cada uma dessas características e com todas elas simultaneamente, em graus distintos, conforme a realidade na qual nos encontramos interna e externamente.

O traço mais forte prevalece sobre os demais. A consciência acerca destes movimentos invisíveis possibilita-nos acolher a vida e, com ela suas variáveis, das mais belas, às mais difíceis até as insuportáveis.

Enquanto somos pássaro ou cão ou brisa em relação a nós mesmos e aquilo que é só nossos, tudo se revela aparentemente mais tranqüilo. Incomoda-nos mais ser pássaro ou cão ou brisa na relação com os demais.

Mais preocupante ainda, parece-nos, lidar com o pássaro ou cão ou brisa que habita o outro, ultrapassando assim o estritamente pessoal, adentrando o campo das inter-relações, tanto pessoais quanto grupais. Nesse sentido, temos um longo caminho a percorrer.

Em nosso ‘dia de pássaro’ cantar é o melhor que devemos fazer. No ‘dia de pássaro do outro’, cujas razões não nos competem, devemos comemorar e, partilhando de sua alegria, elevar a Deus uma prece por suas vitórias.

Em nosso ‘dia de cão’ latir é o melhor que devemos fazer; mesmo incomodando alguém, não correremos o risco de machucar, tampouco, o risco de sermos alvejados por um golpe infinitamente superior à nossa mordida.

No ‘dia de cão do outro’ o melhor que devemos faze ré suportar seu latido impedindo que, mesmo irritando os ouvidos,  alcance nosso coração.

Quando a suavidade da brisa brinda-nos com um lindo dia silenciar e contemplar é o melhor que devemos fazer e, no ‘dia de brisa do outro’ acolher e respeitar seu silêncio, sem exigir movimentos que lhe roubem deste estado de graça.

Só o amor é capaz de despertar-nos á consciência acerca destas realidades que nos abraçam sem apertar e envolvem o outro também. No amor encontramos forças para viver cada dia com suas belezas, desafios e dores!

No amor encontraremos forças para participar do dia do outro, seja como for. Dias de pássaro, dias de cão, dias de brisa! Quem não os tem?

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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