Concon e padre Ivanaldo falam da eleição no ‘120 Minutos’
Em entrevista à Paróquia São José, diretor do Diário disse que a rejeição pesou mais que a preferência e contou como foi a cobertura com dados do TSE

Do Diário — A rejeição pesou mais do que a preferência na eleição presidencial de 2026, avaliou o jornalista Leonardo Concon, diretor do Diário de Olímpia, neste sábado (31), no programa 120 Minutos.
Concon foi o entrevistado do quadro Papo Cabeça, da Paróquia São José, conduzido pelo pároco Ivanaldo Mendonça para a Rádio Espaço Livre FM, no estúdio paroquial. Na conversa, ele analisou o resultado das urnas e contou como foi a cobertura dos dois turnos pelo Diário.
Lojinha do DiárioProdutos que indicamosVer a lojinhaQuatro marcas da eleição
Concon apontou quatro características que, na avaliação dele, distinguiram a disputa deste ano.
- Virada inédita: segundo ele, foi a primeira vez desde a redemocratização que um candidato saiu atrás e venceu o segundo turno.
- Pesquisas desmentidas: os institutos apontavam Flávio Bolsonaro na frente, e as urnas disseram o contrário.
- Comparecimento maior: 2,8 milhões de eleitores a mais votaram no segundo turno.
- Rejeição: o voto contra um candidato decidiu mais do que o voto a favor do outro, em uma campanha de 21 dias centrada em atacar o adversário.
Ele também destacou o peso da internet e da “entrada de eleitores jovens, que mudaram o perfil do voto”.
Os números dos dois turnos
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) liderou com 47% contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vantagem de 2,2 milhões de votos. Foi forte no Sul, no Centro-Oeste e em São Paulo, e equilibrou em Minas Gerais. Em Olímpia, teve 64%, contra 59% de Jair Bolsonaro em 2022.

No segundo turno, Lula melhorou o saldo em 97% dos municípios e virou 211 cidades onde o adversário havia vencido. Em 76 delas, em Minas Gerais, Estado que Concon lembrou ser tradicional fiel da balança nas eleições.
Os candidatos eliminados no primeiro turno somaram 9,3 milhões de votos. Para Concon, a virada não foi só uma transferência desses votos: a abstenção caiu e mais gente foi votar. O resultado final foi de 64,3 milhões de votos para Lula e 59,8 milhões para Flávio.
Comunicação e benefícios
Sobre a estratégia das campanhas, ele apresentou uma leitura: o desempenho de Lula nos debates, a mobilização coordenada nas redes e nas ruas e uma campanha apoiada na rejeição ao adversário. Criticou a propaganda que usava o tempo “para falar do outro lado” e a circulação de notícias falsas, que, segundo ele, “partiu dos dois campos”.
Os benefícios do governo também entraram na conta. Concon lembrou que “cerca de 11 mil pessoas recebem benefícios federais em Olímpia, levantamento que o Diário já publicou”. Para ele, o efeito sobre o voto não é certo, mas pesou no conjunto de fatores.
Direita, esquerda e fanatismo
Na avaliação do jornalista, o eleitor brasileiro mistura as coisas. Em Olímpia, Tarcísio de Freitas teve 75% dos votos para governador, e Flávio Bolsonaro, 64% para presidente. O voto, disse, se explica mais por economia, segurança, rejeição e confiança pessoal do que por doutrina.
Ele alertou para o risco da radicalização: “isso não é direita e esquerda, isso se chama fanatismo”. Para Concon, o fato de partidos do centro e da direita tradicional terem reconhecido o resultado mostra que direita e bolsonarismo não são a mesma coisa.
O que vem depois
Concon observou que “Lula governa por mais quatro anos, com o país dividido quase ao meio e com um Congresso em que a direita é forte, mas que também depende de recursos do governo”. Para ele, o presidente terá de “governar para o país inteiro”.
Sobre as contestações e as listas de boicote que circularam nas redes, lembrou que o resultado oficial foi apurado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conferido por fiscais dos partidos e acompanhado por observadores internacionais. Disse que as listas ferem a dignidade das pessoas e pediu bom senso: quem ama o Brasil, seja qual for a cor da camisa, tem de amá-lo em primeiro lugar.
Como o Diário cobriu a eleição
A cobertura usou os dados do TSE, em uma página atualizada a cada minuto com os resultados do Brasil, de São Paulo e das cidades da 80ª Zona Eleitoral: Olímpia, Altair, Cajobi, Embaúba, Guaraci e Severínia. Nos dois turnos, as transmissões ao vivo duraram de 11 a 12 horas seguidas e, segundo Concon, tiveram entre 20 mil e 30 mil visualizações.

Ele agradeceu a Cleber Luiz, que ajudou nas análises e acompanhou a apuração em Minas Gerais e em São Paulo, e a Gustavo Luppi, da Rapid Cloud, responsável pela ‘engenharia de servidores e inteligência artificial’. Os resultados de 2022, de 2024 e dos dois turnos de 2026 ficam guardados no portal, mesmo que o TSE os retire do ar.
Regras da casa
A regra do Diário, segundo Concon, é publicar o dado do TSE, mostrar a fonte e separar claramente o fato da interpretação. O portal também não publica comunicados de assessorias do jeito que chegam: tira os adjetivos e coloca o fato nos dois primeiros parágrafos.

Ao falar das pressões da profissão, disse que não publica briga de marido e mulher nem de vizinhos, a não ser que atinja a coletividade, e que nome e foto de acusado só aparecem depois de condenação definitiva.
Da tipografia ao Diário
No início da conversa, Concon contou que começou a carreira aos 16 anos, em uma tipografia de Penápolis, passou pelo jornal O Estado de S. Paulo, onde foi autor de uma matéria investigativa de capa e página interna inteira (veja); foi assessor parlamentar durante a Constituinte e, há 18 anos, criou o Diário de Olímpia, pensado a princípio como jornal impresso. Hoje, além do portal, o Diário publica um jornal semanal em PDF, toda sexta-feira à noite, que já está na terceira edição. Pode clicar e folhear:
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