DO DIÁRIO — A Estância Turística de Olímpia foi destaque nacional nesta terça-feira (21) durante o “BiS Brasília – Brazilian iGaming Summit”, encontro que reuniu empresários e autoridades do setor de jogos e turismo para discutir os impactos da legalização de cassinos no Brasil. O prefeito eleito Geninho Zuliani (União Brasil-SP) participou do painel “O potencial da aposta no turismo brasileiro com a legalização dos cassinos”, onde afirmou que a cidade se antecipou à legislação federal e está pronta para receber empreendimentos do tipo. Com @Poder360
Segundo Geninho, Olímpia estruturou-se com base no modelo de cassinos integrados a resorts, previsto no Projeto de Lei nº 2.234/2022, em tramitação no Senado. A proposta autoriza a concessão de licenças para a exploração de jogos de forma controlada e vinculada a complexos turísticos.
“Nos antecipamos à legislação federal para não sermos pegos de surpresa lá na frente”, afirmou. Ele lembrou que Olímpia é hoje a segunda cidade do Estado com mais leitos de hospedagem — cerca de 35 mil — e recebe cerca de 5 milhões de visitantes por ano. “Vivemos um momento especial, com vários resorts e estrutura consolidada para o turismo. A chegada dos cassinos pode ampliar esse potencial”, completou.

Cassinos podem atrair investimentos e elevar arrecadação
O debate reuniu representantes do setor hoteleiro, do mercado de apostas e de empresas internacionais de jogos. Eles defenderam que a legalização dos cassinos e bingos deve atrair investimentos estrangeiros, gerar empregos e aumentar a arrecadação de impostos.
Henrique Severien, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (Abih-DF), disse que a medida é uma oportunidade de “potencializar o turismo brasileiro” e destacou que o texto prevê a criação de 61 cassinos no país — 27 turísticos e 34 resorts.
Para ele, a operação dos cassinos poderá ser controlada de forma segura, por meio da ficha nacional de registro de hóspedes, permitindo rastrear a entrada e circulação de recursos. “Se a gente tiver a coisa muito controlada com CPF, a gente mitiga a criminalidade, a evasão de divisas e cria um cenário muito positivo para o crescimento do turismo no país”, declarou.

Olímpia como modelo de desenvolvimento turístico
Durante o painel, Geninho Zuliani reforçou que Olímpia representa um caso concreto de transformação baseada no turismo. A cidade saltou de cerca de 700 para mais de 22 mil leitos entre 2009 e 2017, período em que ele exerceu seus dois mandatos anteriores como prefeito.
Hoje, o município é referência nacional em parques aquáticos e resorts, com destaque para o Thermas dos Laranjais e o Hot Beach, além de uma rede hoteleira diversificada. A estrutura consolidada e o perfil familiar dos visitantes, segundo o prefeito, garantem as condições para integrar jogos regulamentados sem comprometer o caráter turístico do destino.
Debate nacional e segurança jurídica
O evento contou ainda com representantes de empresas estrangeiras, como a Novomatic, sediada na Áustria, que opera cassinos em 50 países. Segundo o executivo Quattrini, a legalização não significa incentivar o vício, mas regulamentar uma prática já existente de forma ilícita.
O presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL), Magno José, lembrou que parte da arrecadação dos cassinos seria destinada à Embratur, reforçando o papel da atividade como fonte de financiamento do turismo nacional. Ele destacou que todas as transações previstas na proposta de lei deverão ser feitas via PIX ou transferência eletrônica, o que aumenta o controle e a transparência do setor.
Entenda o Projeto de Lei 2.234/2022
O Projeto de Lei nº 2.234/2022, aprovado pela Câmara dos Deputados e em análise no Senado, propõe a legalização dos cassinos, bingos e jogo do bicho em todo o território nacional. O texto permite a instalação de cassinos em resorts integrados, navios de cruzeiro e áreas turísticas específicas, com concessões controladas e regras de rastreabilidade financeira.
A proposta prevê que cada estado poderá ter um número limitado de cassinos, conforme critérios populacionais e turísticos. O modelo busca inspirar-se em experiências de países como Estados Unidos, China e Portugal, onde o turismo de jogos é considerado um importante vetor de desenvolvimento econômico.
De acordo com o projeto, parte da arrecadação dos jogos deverá ser destinada a fundos de turismo, cultura, esporte e segurança pública, além de ações sociais. A matéria segue em tramitação no Senado e ainda não tem data prevista para votação.








































