Conforme anunciado ontem, ainda durante as apurações da eleição municipal, o prefeito Fernando Cunha, reeleito com quase 60% dos votos válidos, recebeu o âncora do Diário de Olímpia, Leonardo Concon, para uma entrevista em seu gabinete. O jornalista manteve distância, favorecendo as respostas do prefeito sem máscara de proteção.

Cunha fez um balanço da campanha, revelou próximos desafios, obras, concursos, transporte coletivo, servidores públicos, a tal ‘campanha dos pobres contra a campanha dos ricos’, os fake news, Saúde, a volta às aulas com a esperança de uma vacina contra a Covid-19 em fevereiro próximo, e até revelou: “Sim, é verdade que o pessoal da Havan está querendo instalar uma loja em Olímpia, mudando a economia no final do ano quem sabe uma das lojas será em Olímpia gerando empregos e renda”.

DiárioComo o senhor avalia essa eleição, a sua trajetória de campanha que culminou com a preferência do eleitorado?

Fernando Cunha – Fizemos uma campanha onde prestamos contas dos quatro anos de trabalho à frente da Prefeitura, um trabalho propositivo, uma campanha com propostas para o futuro e, dessa forma, a gente sempre procedeu, fizemos uma campanha limpa, uma campanha respeitosa, mas, infelizmente, tem gente que não trabalha assim, e eu acho que a população entendeu que é o melhor para Olímpia, e vamos ter quatro anos de muita dedicação para corresponder ao que a população nos delegou.

DiárioEm termos de projeto de governo, dentro do seu novo, plano quais são os pontos principais que o senhor pretende atacar nos próximos quatro anos e o que de importante tem para concluir até 2020?

Fernando Cunha – Temos uma série de obras que estão em andamento, por exemplo temos o Museu de Arte Sacra, que é o antigo Casarão Tonani, está ficando pronto para inaugurar no final do ano. Temos também a Antiga Estação Ferroviária, que está na primeira fase, e deve estar pronto para ser um Centro Cultural para Exposições de Arte, eventos culturais. Também vamos entregar também a ponte ferroviária foi recuperada na Avenida dos Olimpienses. E algumas obras no sistema viário na Rua São João que devem ser iniciadas agora devido ao período eleitoral, assim como a rotatória do (parque) Hot Beach, que também estava paralisada. Que eu me lembro são essas as principais obras. Agora, para o futuro, os próximos quatro anos, terá a recuperação de serviços essenciais da Prefeitura, também aperfeiçoar o sistema público de Saúde, Educação, Segurança Pública, vamos fazer mais daquilo que a gente já vinha fazendo e agora com grandes problemas essenciais resolvidos, poderemos fazer mais melhorias nos bairros da cidade, no sistema viário, praças, áreas de esporte, o que nós começamos a fazer um pouco em cada região vamos prosseguir, porque uma das marcas registradas da gestão foram as obras nos bairros.

DiárioUma das marcas registradas da sua gestão, é o conhecimento técnico como engenheiro, sabendo interpretar cada fase das obras, dos projetos, e a austeridade como gestor, que até a equipe às vezes reclama das exigências. Isso contribuiu para a sua reeleição?

Fernando Cunha – Com certeza, concordo, eu acho que a população sabe e quer gestor que saiba onde está empregando o seu dinheiro, sendo um verdadeiro gestor e que dê resultados para a vida das pessoas, uma prefeitura tem receitas e despesas, tem que ter muita responsabilidade, experiência e vivência. E honestidade também. Tem que gerenciar, priorizar, escolher e produzir resultados. Eu acho que consegui um resultado na gestão financeira da prefeitura, eficiente, a situação financeira Prefeitura de Olímpia é excepcional, excelente, e isso vai permitir que agora, nessa fase difícil, pós-pandemia, a gente tenha condição de fazer obras e melhorias na cidade com recursos próprios, e repito: a Prefeitura de Olímpia hoje tem essa condição, fruto da administração que eu acho que consegui pela experiência que eu tenho.

DiárioA Câmara sofreu uma renovação considerável. Como avalia essa renovação e a composição do futuro legislativo que terá de conviver nos próximos quatro anos?

Fernando Cunha – A renovação foi parcial, eu acho que da outra vez foi maior ainda, porque você vê a Cristina Reale, Fernandinho, Hélio Lisse, também o Sargento Tarcísio que foi vereador um pouco, e muitos não concorreram, como o Luiz do Ovo, perdemos o Niquinha, que poderia ter sido eleito, temos o Flávio, o Pimenta, que não disputaram, então a renovação não foi tão grande assim, mas a futura Câmara terá um perfil diferente, mais mulheres, mais gente com preocupação social, gente que tem ligação maior com os bairros mais carentes, essas são as novas marcas registradas do futuro legislativo e da administração também. Eu só espero que os futuros vereadores demandem, sim, para todos os bairros, para a cidade que os elegeram, mas com bom senso, não com demagogia, com assistencialismo, que a gente atenda as pessoas mais carentes com aquilo que é papel da Prefeitura, que é na Saúde oferecendo um serviço de qualidade, na Educação, Segurança, Esporte, Turismo, Cultura e também Assistência Social, que é importantíssimo, é uma das atividades geralmente direcionadas para aquele muito carente, não é para toda cidade porque as pessoas têm emprego, renda, trabalho, e vivem disso.

DiárioUma pergunta pontual durante a entrevista: como fica e ficará o transporte coletivo urbano, hoje uma pedra no sapato da gestão?

Fernando Cunha – Temos um ‘problemaço’ para resolver porque Olímpia tem pouco passageiro, então o transporte coletivo está no limite do preço da passagem, teria que ser muito alto, vamos ter que estudar uma forma de subsidiar, colocar mais ônibus nas ruas, não tem outra saída: vamos ter que rescindir o contrato da empresa que está aí, que não não é satisfatório, não dá para continuar desse jeito, a empresa não consegue colocar a quantidade de linhas de ônibus que nós precisamos. E aí viria um novo contrato, com uma nova empresa que venha a oferecer mais linhas e, com certeza, vamos ter que prever que a prefeitura terá que subsidiar o valor da passagem, para esse ano não vai dar tempo porque é um processo licitatório longo, estamos prosseguindo nas tratativas agora que passou o período eleitoral, de cancelar o contrato da empresa que está aí, iniciar a licitação dessa nova empresa, dependendo de como essa empresa que está aí, teremos que colocar um contrato emergencial por um tempo para substituí-la, mas depende do entendimento que as negociações com essa empresa. Um processo licitatório leva, em média, de três a quatro meses.

Diário – Em relação à Saúde, à pandemia, essa diminuição de casos. Quais os planos para a Saúde?

Fernando Cunha – Até isso vimos fake news da oposição falando que hoje ia fechar toda a cidade, palhaçada, mais uma vez demonstra que essa oposição é fantasiosa, caluniadora e tenta amedrontar a população. O Governador manteve o Plano do Estado como está, não mudou nada e nem vai até o fim do mês. Assim como na área da DRS-5, Barretos, os casos estão caindo muito, felizmente, assim como diminuíram as internações, temos casos antigos ainda em tratamento. Mesmo assim, a situação está melhor, não mudou nada não, o vírus está solto e a população tem que manter os cuidados sanitários e de higiene, até chegar a vacina. Espero que dezembro tenha uma notícia mais objetiva da vacina, com certeza deverá iniciar uma vacinação em janeiro de grupos essenciais, Segurança, Saúde, depois, provavelmente, na área da Educação, onde pretendemos retomar as aulas presenciais na rede municipal. Espero que até lá a gente tenha a vacina para poder fazer isso com tranquilidade agora. Agora, na Saúde como um todo, vamos ampliar as Unidades Básicas de Saúde, fizemos duas ampliações no São José, Campo Belo, vamos fazer na Cohab, depois uma UBS nova no Santa Ifigênia e, no futuro, no Morada Verde, uma nova UBS, e também quero fazer um grande Posto de Saúde na região Leste da cidade, possivelmente atrás da Fido, aquele terreno a NaturaNata. E vamos melhorar as nossas ofertas de especialidades, trazer mais médicos para a Santa Casa, o próximo passo da Santa Casa a gente já começou que é o de operar o tomógrafo, em março, creio, a hemodiálise entra em operação, está tudo comprado, agora santa casa está completa, vamos buscar mais médicos, mais especialidades. E temos o vice-prefeito, médico, o Fábio Martinez tratando de tudo isso.

Diário – Estão perguntando também a respeito da geração de emprego para os próximos quatro anos.

Fernando Cunha – Olímpia tem emprego à disposição porque muita gente está usando auxílio emergencial não está indo preencher as vagas ofertadas. Agora, temos para o próximo semestre a abertura de muitas vagas, muitas empresas oferecendo vaga, como é o caso do Hot Beach que vai abrir um hotel, vai oferecer umas 300 vagas; também o Solar das Águas a mesma quantidade diretamente, fora os indiretos que são os que fornecem para esses hotéis, áreas de serviços, estamos falando de 800 a mil postos de trabalho a partir de fevereiro, março de 2021, tem diversos supermercados para abrir, o Iquegami chegando com três unidades; o Gissi iniciando a construção na Kimberlit de duas novas indústrias na área do agronegócio; tem a Havan querendo instalar uma unidade em Olímpia, não é conversa, nós confirmamos com eles, é verdade, eles têm Olímpia como prioridade e estão procurando área, estão negociando área para implantar, então é muito provável que, da forma como a economia andar até o final do ano, eles retomam o plano de abertura de novas lojas, e que Olímpia possa ser premiada. Por outro lado, ainda falando de empregos, tem três novos Resorts que estão sendo licenciados para iniciarem as suas construções no ano que vem, gerando muito emprego, inclusive na construção civil. E temos um trabalho que a gente espera, com o Governo do Estado, que é a ampliação das rodovias que chegam à Olímpia, a recuperação da vicinal Natal Breda, tudo isso deve movimentar a cidade e região no ano que vem.

Diário de Olímpia – Muito se falou em campanha de ‘administração para pobres’. Como o senhor vê esse cenário?

Fernando Cunha – A cidade é governada para todos, principalmente para os pobres, é um grande engano, demagogia, dizer que vai administrar para os pobres e dar dinheiro na mão dele, comprando voto. Administrar para o pobre é ter uma Saúde como nós fizemos, isso que administrar para pobre, quem tem dinheiro, a elite, não vai na UPA, também não vai numa UBS, não vai na Santa Casa, não vai no laboratório e nem vai na farmácia buscar o remédio, quem tem dinheiro compra tudo isso. Investimentos R$ 5 milhões na Saúde para quem? Para o pobre. O pobre em Olímpia pode ficar tranquilo que, se ficar doente a família dele, ele corre na UPA ou na UBS, ou vai para a Santa Casa, ele vai ficar em um quarto decente, cama moderna cheio de botão para ele ficar confortável, vai ter uma poltrona confortável para o acompanhante, ar condicionado no banheiro, no quarto dele, como o cliente da Unimed, como o rico tem. Outro exemplo está na Educação, todos tem ar condicionado, como escola particular, quando a gente dá uniforme e a melhor apostila do Brasil, que é do Grupo Positivo, quando dá uma merenda da melhor qualidade da região é para o pobre. Quem vai para as creches é o filho do pobre. O que é feito em Olímpia nada é para o rico, rico pode comprar tudo, então é uma bobagem essa campanha para rico e campanha para pobre. Todos recursos da Prefeitura é para o pobre, quando fazemos videomonitoramento é para o pobre, rico tem câmeras na empresa, na sua casa. E principalmente então a prefeitura trabalha para toda a população, mas o mais pobre é o mais favorecido aqui na nossa cidade porque ele tem uma Saúde digna que ele precisa ter, é nossa obrigação e eu vou continuar assim, oferecendo Saúde. Então essa essa crítica é  oportunista, mentirosa, porque a administração que eu fiz e que vou fazer em Olímpia é para toda a população, mas o pobre é o mais beneficiado.

Diário – Qual será o maior desafio de seu próximo mandato em relação ao funcionalismo público?

Fernando Cunha – Por incrível que pareça, a oposição também tentou vender para o funcionário que eu não gosto de funcionário público, isso é uma maldade, eu fui funcionário público em empresa de energia, não tenho nenhum problema, preconceito, com funcionário público. São eles que tocam os serviços públicos, que fazem funcionar, imagine se eu não ia gostar de funcionário público, burro é o prefeito que não gostar de seu servidor, sou aposentado em empresa pública. Agora, é o seguinte: eu sou responsável e não vou jogar dinheiro da população fora, a gente não pode ter um bando de marajá, procuramos pagar aquilo que é o mercado de trabalho, o que se paga na região, na nossa cidade, o que é o mercado de trabalho no Brasil, no Estado de São Paulo, de Olímpia, Barretos, Rio Preto. E o trabalhador tem garantidos os direitos, como insalubridade, prêmio por produtividade, sexta parte, auxílio transporte, estabilidade no emprego, aposentadoria e aqui tem Fundos  para que ele não não deixe de receber sua aposentadoria. Agora, não vamos fazer loucura e quebrar a prefeitura, não vou distribuir altos salários e e aí não vai ter dinheiro para atender esse pobre que você falou, na Saúde, na Educação, pagamos o que é justo no mercado de trabalho de Olímpia, e temos que cumprir limites que a lei nos impõe. É claro que, à media em que a receita do município foi crescendo, podemos melhorar o salário dos funcionários, e as condições de trabalho, como melhores instalações, EPIs de segurança, ar condicionado. Salário depende das finanças do município, do mercado de trabalho repito, não vamos criar um paraíso financeiro onde tudo mundo ganha uma uma enormidade, e sem condições de pagar, com uma cidade para atender. Aí é irresponsabilidade.

Diário – Olímpia já está com 100% de seu esgoto tratado?

Fernando Cunha – Estamos tratando 100% do esgoto em Olímpia na Estação de Tratamento que inauguramos recentemente. Ela recebe o que era despejado no Córrego dos Pretos, mas dependemos da cultura de bactérias e isso leva tempo. Já estamos superando 50% de eficiência. Mais alguns meses atingiremos quase 100%, certamente o sistema vai produzir acima de 90% da oxigenação da água, no momento não há plena recuperação do oxigênio porque as bactérias estão em formação.

Diário – O Parque Industrial está preparado para receber novas empresas. Como fica a industrialização na cidade?

Fernando Cunha – Está havendo nesse momento uma licitação no Parque Industrial para empresas que queiram se instalar, mas não se iluda, não virão empresas de fora, são da cidade mesmo, a grande maioria quer parar de pagar aluguel. Para novas empresas, maiores, depende de outras condições, como logísticas, do governador ampliar e duplicar as nossas rodovias e vicinais, tudo depende da mão de obra e da localização. Acredito que vamos ter oportunidade para grandes distribuidoras, para o comércio digital, empresa de logística de transportadoras, mas se engana que atrair empresas é dar incentivos fiscais, uma grande bobagem quem defende isso.

Diário – Como ficam os concursos públicos na futura gestão, inclusive na contratação de professores?

Fernando Cunha – Eu vou estender por um ano os ACTs (professores contratados temporariamente), até pela questão da Covid-19, pretendo fazer concurso principalmente para professores, os ACTs são qualificados, mas é diferente alguém que fica um ano e não sabe se vai ficar no outro, na mesma escola, na mesma cidade, ou um concursado que tome o seu lugar. Então, no ano que vem, principalmente para professores e para algumas outras carreiras públicas, como enfermeiros, fiscais, escriturários.

Diário – Finalmente, deixo o microfone à sua disposição para as considerações finais.

Fernando Cunha – Mais uma vez agradeço a oportunidade de estar falando com boa parte dos olimpienses, dos eleitores a quem eu agradeço a confiança e o que eu posso prometer é continuar me dedicando, trabalhando para o bem da cidade, de quem mora aqui em Olímpia. Quero parabenizar, Concon, pelo seu trabalho responsável, corajoso, honesto, justo, também sofrendo calúnias, gente que tenta denegrir, não apenas os opositores, mas até a imprensa. Temos que dar o valor a quem não se acovardou, fez frente às denúncias, calúnias, e a população percebeu isso. Eu acho que o bem venceu o mal que ameaçava tomar o poder em Olímpia, ficando de fora.

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