DO DIÁRIO — Um espaço novo de 543,10 metros quadrados dentro do Recinto do Folclore, em uma das áreas turísticas mais estratégicas de Olímpia, poderá ser explorado pela iniciativa privada por 10 anos a partir de um aluguel mínimo de R$ 5 mil mensais. A Prefeitura abriu a Concorrência Pública nº 18/2026 para conceder a Vila Brasil, estrutura que deverá abrigar programação cultural contínua com shows, apresentações folclóricas e outras atrações ao longo do ano.

A concorrência foi publicada na última quinta-feira (18), no Diário Oficial do Município, e detalhada pelo prefeito Geninho Zuliani na manhã desta segunda-feira (22). Segundo ele, a proposta é transformar o local em um equipamento permanente de turismo e cultura, reduzindo a ociosidade do Recinto do Folclore fora dos grandes eventos.
Mais do que um novo espaço para entretenimento, o projeto já levanta debate sobre impacto econômico na cidade, especialmente entre bares, restaurantes e casas de shows que já atuam no setor.

Questionado pelo Diário de Olímpia se a nova estrutura poderia ofuscar ou prejudicar empreendimentos privados já consolidados na Estância Turística, Geninho minimizou a preocupação. “A concorrência é salutar. Todo mundo tem que disputar mercado”, afirmou o prefeito.
Obra ainda não foi concluída
Apesar da abertura da licitação, a Vila Brasil ainda não está pronta para operação definitiva.
As obras seguem em fase final de reforma e adequações. Segundo Geninho, a expectativa é concluir os trabalhos no início de agosto, a tempo da realização do 62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL).
Ou seja: a concessão abre a operação de longo prazo, mas o espaço deve estrear ao público antes mesmo da conclusão do processo licitatório.

Rio de Janeiro comandará espaço gastronômico no FEFOL
A primeira grande utilização da Vila Brasil já está prevista para o FEFOL 2026.
Segundo Geninho, durante o festival, todo o espaço gastronômico será gerido pelo Estado do Rio de Janeiro, homenageado desta edição, que traz como tema “Aquele Abraço”.
A proposta é oferecer ao público uma experiência temática ligada à cultura fluminense, integrando gastronomia, identidade cultural e apresentações artísticas.
Neste ano, o Rio desembarca em Olímpia com a maior delegação visitante do festival, reunindo dez grupos culturais.

Concessão será por 10 anos
A licitação prevê permissão de uso onerosa por 10 anos.
A empresa vencedora não apenas explorará comercialmente o espaço, como também assumirá obrigações culturais e operacionais rigorosas.
Entre elas estão: manutenção da estrutura; conservação da Capela dos Santos Reis; segurança e acessibilidade; programação cultural regular; operação em fins de semana, feriados e eventos oficiais.
A avaliação das propostas não será definida apenas pelo valor financeiro. O edital prioriza principalmente a qualidade do projeto técnico-artístico, com maior peso para: conceito cultural; diversidade da programação; capacidade de gestão; experiência da equipe.
A proposta vencedora precisará atingir nota mínima 7 para ser habilitada.
Funcionamento terá metas obrigatórias
O contrato impõe metas objetivas de funcionamento.
A futura permissionária deverá manter: funcionamento em pelo menos 80% dos dias previstos; abertura em 90% dos fins de semana e feriados; operação em 90% dos eventos oficiais do Recinto; realização mínima de 75% da programação cultural prevista.
O Município fará fiscalização contínua por meio de relatórios trimestrais, vistorias e inspeções sem aviso prévio.
Capela seguirá com acesso gratuito
Mesmo em eventos privados ou pagos, a Capela dos Santos Reis continuará com acesso livre.
O edital proíbe cobrança, consumação mínima ou qualquer barreira de acesso à área religiosa, inclusive durante grandes eventos.
Essa exigência aparece como cláusula expressa de fiscalização.

Estrutura tem padrão elevado
A Vila Brasil possui 543,10 m² de área construída e foi projetada com padrão elevado de acabamento.
O espaço conta com: piso em porcelanato, climatização, sanitários para uso público, estacionamento de apoio, e arquitetura com forte apelo visual.
O relatório técnico da Prefeitura classifica o imóvel como equipamento de alta atratividade turística, com potencial de geração de fluxo e consumo.
Aluguel-base x investimentos obrigatórios
Um dos pontos que mais chama atenção no edital é o valor locatício de referência: R$ 5 mil mensais. Para um equipamento novo, com mais de 540 m², dentro de uma área ‘turística premium’ de Olímpia, o valor pode parecer baixo sob ótica puramente imobiliária.
A leitura econômica, porém, sugere outra lógica: a Prefeitura parece priorizar a viabilidade da operação cultural permanente, que exigirá alto investimento em programação, equipe, manutenção e estrutura, em vez de focar apenas na arrecadação com a concessão.
Na prática, a gestão aposta que o ganho indireto — aumento de fluxo turístico, permanência de visitantes e consumo no entorno — possa compensar uma receita locatícia mais modesta.
Se o modelo funcionar, a Vila Brasil pode se consolidar como uma nova âncora de entretenimento em Olímpia, operando para além do FEFOL e ajudando a transformar o Recinto do Folclore em um espaço vivo durante todo o ano.











































