ESPECIAL DO DIÁRIO — A Estância Turística de Olímpia vive um cenário de retração no setor bancário. O município, que chegou a ter dez agências e cerca de 400 bancários, conta hoje com apenas cinco unidades e cerca de 80 trabalhadores, segundo o vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Rio Preto e Região e responsável pela subsede de Olímpia, Hilário Ruiz.

A redução acompanha o movimento nacional de fechamento de agências e avanço dos serviços digitais, com reflexos diretos sobre a saúde mental dos trabalhadores.

“Certamente isso está ligado à redução do número de bancários nas agências e à cobrança por metas. A pressão psicológica que o bancário recebe tem causado muito afastamento por adoecimento”, afirmou Ruiz ao Diário. Segundo ele, a lógica de cortes e fusões tem reduzido o atendimento presencial e sobrecarregado os funcionários que permanecem nas unidades.

Em Olímpia, a digitalização tem deixado lacunas no atendimento a aposentados e pessoas de baixa renda, que enfrentam dificuldades com os canais digitais. “Os bancos não têm se preocupado com responsabilidade social, impondo esse modelo com o objetivo de lucro. Muitas pessoas ainda dependem do atendimento presencial e ficam sem resposta”, disse o sindicalista.

Fechamento de agências e sobrecarga

A tendência observada em Olímpia reflete o cenário estadual. Dados do Banco Central mostram que o Estado de São Paulo concentra o maior número de fechamentos de agências no país, com 2.737 unidades encerradas nos últimos dez anos. O economista Hipólito Martins Filho explica que a digitalização exclui pessoas sem acesso a tecnologia e amplia a sobrecarga para os trabalhadores remanescentes.

“Muitos não têm acesso a computadores ou celulares e precisam da agência para resolver problemas pessoalmente. Onde havia cinco funcionários, agora há dois”, disse Hipólito.

Doenças mentais crescem entre bancários

Levantamento com base em dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mostra que os bancários estão entre as categorias com mais afastamentos por doenças mentais relacionadas ao trabalho.

Gerentes e escriturários de banco ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugar no ranking de afastamentos por transtornos mentais reconhecidos como doença ocupacional (código B91) entre 2012 e 2024.

O total de afastamentos por transtornos mentais no país aumentou 66% em um ano, passando de 283 mil em 2023 para 471 mil em 2024. Entre os gerentes, 37,7% dos 13 mil afastamentos foram classificados como doenças ocupacionais; entre os escriturários, 18,7% dos quase 23 mil casos tiveram o mesmo reconhecimento.

Sindicato defende medidas de prevenção

O Sindicato dos Bancários tem intensificado ações de diálogo, manifestações e campanhas para conter o fechamento de agências e exigir melhores condições de trabalho. “O sindicato é contra o fechamento em massa e atua com manifestações, protestos e diálogo para garantir melhores condições aos trabalhadores”, acrescentou Ruiz, alertando para o risco de precarização da categoria.

Ele reforça que os bancos devem equilibrar a inovação tecnológica com a responsabilidade social. “Os bancos precisam prestar um serviço com respeito à sociedade e aos trabalhadores”, concluiu.