O advogado Caia Piton, em nome de sua família, presta homenagem à artista plástica, comerciante, carnavalesca e amiga de toda uma cidade, Janete Haidar, que, aos 77 anos, nos deixou nesta segunda-feira (14). Segue o texto:

“Sua vida e sua arte se misturaram, retratos da realidade das imagens sacras carregadas em tintas e sentimentos da idade inexorável de seus retratados, lavradas pelo tempo em rugas e suor. Suas telas são impregnadas de uma sabedoria de vida imensa, revolucionária e consciente de que nada é perfeito.

“A obra artística retrata um profundo conhecimento filosófico do ser humano, do destino. Porém, seu coração generoso nunca perdeu a esperança e viveu o mundo como uma grande festa de cores, luzes e alegria. Conseguiu seguir uma grande lição: nunca deixou morrer a criança que existe em você. Falo da criança em termos cristãos: “Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o reino dos céus.”

“Ao lado da obra artística, que reputo uma das mais ricas que conheço em matéria de retratar a realidade, caminhou a esperança da mãe, avó, madrinha, amiga de todas as horas, que trafegou espargindo luz e cores vibrantes, transcendentes à dor de sua singular obra, na qual mostrou outra grande virtude: o bom humor, alegrando a todos que tiveram o prazer de sua companhia. Se avaliarmos sua obra com você, veremos rapidamente que seu lema é “Dai-me, Senhor, uma alma simples, que saiba aproveitar tudo o que é bom e que não se assuste quando o mal chegar; e sim que encontre a maneira de colocar as coisas no lugar.” Que São Tomás Morus e São José a levem aos braços de Jesus.

“Você viveu assim, uma luz e uma alegria plena, registrando em sua obra artística a realidade, para que tudo voltasse ao seu lugar. Sua força interior a fez vibrar como poucas pessoas. Acredito que você entendeu em profundidade, colorida, alegre, presente, altiva e, acima de tudo, dotada do verdadeiro coração de mãe, avó, madrinha, amiga presente em todas as horas. Quem não a entendeu, amou-a do mesmo jeito, pela sua humildade e pelo acesso amplo a todos que a circundavam.

“Quantas viagens, quantos blocos de carnaval, quanta luz para comemorar o Natal do Grande Mestre, quantos Papais Noéis, que não deixaram morrer nunca a magia de um mundo encantado que nos cercou de alegria. E, para os mais atentos, a sua obra nos alertou que nem tudo são flores, mas que a magia muda o mundo.

“Como é bom não caber pêsames nem elogios póstumos a uma vida. Como uma grande artista e uma mulher incrível, as lembranças das coisas boas que semeou deram uma inexplicável, alegre e bela obra de forma única em cada um de nós.

“Você só passou para o outro lado, e sua presença vai conosco até o reencontro.

“Beijo enorme do Cá, Habiba, Vó Lourdinha, Iajamelo, Lila e Hadi.

Família Aidar Piton
Caia Aidar Piton