Por Ivanaldo Mendonça – Refletir acerca de pessoas, seus pensamentos, sentimentos e comportamentos é um grande desafio. De maneira gera geral corremos o risco de, movidos pelas paixões, decretar a perdição ou norte daqueles que não nos agradam, assim como a salvação ou vida dos que se submetem aos nossos caprichos.

Por isso, antes de tudo, faz-se necessário buscar o equilíbrio e maturidade suficientes a fim de não sermos parciais em nossas análises, comprometendo, assim, o esforço empreendido na compreensão do ser humano e tudo que o envolve.

É notório e digno de reconhecimento a postura que caracteriza muitos dos que vivem e convivem conosco, permitindo-nos defini-los ‘pessoas libertadoras’. Empatia, resiliência amorosa e compaixão destacam-se entre as marcas que eternizam sua presença em nossa existência.

Rendamos graças ao bom Deus e sejamos eternamente agradecidos a tantos que nos acolhem, nos suportam e não desistem de nós crendo, com esperança, em cada pessoa e em toda a humanidade.

Se a reflexão proposta leva-nos a reconhecer e exaltar ‘pessoas libertadoras’, ao longo do caminho, visitando a histórica da humanidade assim como a memória de nossas mentes e corações, é impossível não constatar que, ao contrário de quem promove libertação há quem promova escravidão.

No esforço por não condenar ninguém, referimo-nos á ‘postura escravizadora’ e não á ‘pessoas escravizadoras’; acreditamos, firmemente, na possibilidade de regeneração consciente, livre e responsável de todo ser humano.

Consideramos que a postura escravizadora seja resultado de experiências marcadas, acima de tudo pelo desamor (o amor não oferecido – o amor mal oferecido – o amor não acolhido – o amor mal acolhido), seguido do desamparo, sobretudo, relativo às origens e vínculos parentais (mãe- pai – irmãos); o desamparo faz sangrar, pois mantêm o objeto do amor sem que este responda às demandas. A ‘postura escravizadora’ revela-se, acima de tudo, uma forma de sobreviver à dor contínua.

Das características do perfil escravizador destacam-se:

  1. Auto-referencialidade: desconsidera a existência do outro em função da imposição de si;
  2. Vitimismo: aprisiona o outro, sobretudo, fazendo-o sentir-se culpado;
  3. Deboche: rebaixamento, desprezo e difamação do outro que não coresponde, com exclusividade, às demandas.
  4. Perseguição: mistura da tentativa de destruir o outro somada ao desejo de ser igual a ele ou ser ele mesmo.

Consiste num grande e perene desafio livrar-se das ‘posturas escravizadnoras’ que tentam nos roubar a todo custo.

Consiste, igualmente, num grande desafio, desenvolver a percepção para reconhecer tal perfil e suas marcas predominantes, assim como, desenvolver a habilidade para líder com eles, sem destruí-los e sem destruir-se.

O caminho e longo e encantador! Boa viagem!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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