DA REDAÇÃO — A produção de cana-de-açúcar ligada à Tereos avançou em padrões internacionais de sustentabilidade na safra 2025/26, com 68,19% do volume total certificado. O resultado indica mudança prática na forma como fornecedores da região conduzem o plantio e a gestão agrícola.
O avanço atinge diretamente produtores parceiros, que passam a operar sob critérios mais rígidos de controle ambiental, social e de gestão. Na prática, isso exige organização de processos, monitoramento de indicadores e adoção de rotinas mais estruturadas no campo.
A certificação segue a metodologia FSA-SAI (Farm Sustainability Assessment), referência global que avalia desde o uso de recursos naturais até condições de trabalho e governança das propriedades.
Crescimento acelerado no número de fornecedores
O número de fornecedores certificados saltou de seis, em 2022, para 26 na safra atual. Juntos, eles somam mais de 3,28 milhões de toneladas de cana certificada, o equivalente a 36,56% da matéria-prima fornecida às usinas.

O dado revela uma expansão consistente, mas ainda parcial. Mais da metade da cana de fornecedores segue fora do padrão certificado — um ponto que indica espaço para avanço e pressão crescente sobre quem ainda não aderiu ao modelo.
Evolução de produtores e pressão por padrão mais alto
Três fornecedores — Irmãos Lucente, Maurício Pinto Neto (MPN) e Bulle Arruda — avançaram do nível Prata para Ouro, o mais alto da certificação. Com isso, o total chegou a 19 produtores no nível Ouro e sete no nível Prata.
O movimento sinaliza uma tendência clara: a certificação deixa de ser diferencial e passa a ser exigência de mercado. Quem não acompanha, tende a perder competitividade.
Além das evoluções, novos fornecedores já ingressaram diretamente no nível Ouro, indicando que o padrão mínimo de entrada também está mais elevado.
O que muda na prática para o produtor
A certificação não é apenas formal. Ela altera a rotina no campo:
- exige registro de práticas agrícolas
- cobra controle de insumos e impactos ambientais
- impõe padrões trabalhistas e de segurança
- demanda gestão mais profissional da propriedade
Isso implica custo, adaptação e mudança cultural — pontos que nem todos os produtores conseguem absorver no mesmo ritmo.
Cadeia mais exigente e menos tolerante a informalidade
A estratégia da Tereos indica um movimento maior do setor sucroenergético: reduzir riscos ambientais e sociais na cadeia produtiva.
“A gente vem construindo essa evolução lado a lado com os nossos parceiros. Não é só sobre certificação, é sobre melhorar a forma de produzir, organizar a gestão e garantir que isso faça sentido para o negócio deles também. Quando o fornecedor evolui, toda a cadeia evolui junto”, afirmou Felipe Mendes, diretor de Sustentabilidade, Novos Negócios e Relações Institucionais.
Na prática, o recado é claro: a cadeia está se profissionalizando e tende a excluir quem não acompanhar o novo padrão.











































