DO DIÁRIO — O incêndio que, em março, chocou Olímpia e mobilizou toda a cidade ganhou neste sábado (27) um desfecho que mistura reconstrução, estratégia e emoção. Apenas 97 dias após o fogo que destruiu grande parte da Loja 4, o Iquegami Supermercados reinaugurou a unidade da Avenida Aurora Forti Neves completamente reconstruída, ampliada e modernizada, transformando uma tragédia em símbolo de superação empresarial e familiar. REPORTAGEM EXCLUSIVA FOTOS E VÍDEOS LEONARDO CONCON E EDINALDO LUPPI

A cerimônia reuniu colaboradores, fornecedores, autoridades, parceiros e centenas de clientes, muitos deles ainda com viva na memória a madrugada de 22 para 23 de março, quando as chamas consumiram uma das unidades mais emblemáticas da rede. Pela Câmara Municipal, estiveram presentes pela manhã os vereadores Luiz Salata, Otávio Hial e Luciano Ferreira.

A cobertura ao vivo do Diário de Olímpia, com imagens aéreas exclusivas da Drone Luppi Photo, de Edinaldo Luppi, mostrou a dimensão da reinauguração e a grande movimentação já nos primeiros minutos de abertura.

O que se viu neste sábado foi mais que uma reabertura. Foi o retorno de um símbolo afetivo da cidade.

Durante a cerimônia, um vídeo institucional resumiu o impacto daquele episódio: “Em poucas horas, o fogo consumiu anos de trabalho.” A frase sintetizou o sentimento de quem acompanhou a destruição da loja naquela madrugada. Mas o discurso da família Iquegami deixou claro que a história não terminaria ali.

Em vez de apenas reconstruir o que havia sido perdido, a rede decidiu acelerar uma transformação muito maior.

Esse foi, talvez, o principal insight da manhã, revelado por Juninho Iquegami (José Kioshi Iquegami Junior), um dos porta-vozes da família. Em um dos discursos mais marcantes da cerimônia, ele contou que a modernização da Loja 4 já vinha sendo discutida desde 2025. Projetos, reuniões com arquitetos e estudos já haviam sido feitos, mas a execução foi adiada por cautela diante das incertezas econômicas.

O incêndio mudou esse cronograma. “Não é uma simples inauguração. Não é reinauguração. É um renascimento”, afirmou.

Segundo Juninho, o fogo acabou acelerando um projeto estratégico que talvez levasse anos para sair do papel. “Foi por causa desse incêndio que ressurgimos das cinzas.”

A nova Loja 4 passa a operar como uma loja conceito da rede, elevando o padrão de experiência de compra no varejo regional. São mais de 4 mil metros quadrados de área, com ambientes amplos, modernos e funcionais, projetados para oferecer conforto, praticidade e agilidade.

Entre os principais diferenciais estão 39 pontos de atendimento, sendo 21 checkouts convencionais e 18 caixas de autoatendimento. A proposta é reduzir filas e tornar a jornada de compra mais rápida, especialmente nos horários de pico.

Um dos grandes destaques é a instalação da walk-in cooler anunciada pela rede como a maior do Brasil no segmento supermercadista, com 60 portas refrigeradas reunindo bebidas e laticínios em um ambiente de grande impacto visual.

A nova estrutura também incorpora restaurante, café, rotisseria, ilha de sushi, adega, área pet, painéis de LED internos e externos, além de aproximadamente 200 vagas de estacionamento.

Durante a transmissão do Diário, a nova configuração interna impressionou pela amplitude dos corredores, organização dos setores e forte apelo visual. A loja ganhou novos sanitários, espaço família, acessibilidade e fraldário — elementos que reforçam a proposta de atendimento a públicos diversos, incluindo famílias com crianças.

Outro ponto destacado pela direção foi a preservação integral dos empregos. Mesmo após a destruição da unidade, a empresa manteve todos os colaboradores, redistribuindo equipes entre outras lojas da rede até a conclusão da obra.

Hoje, a unidade opera com mais de 250 colaboradores.

Juninho fez questão de enfatizar que a reconstrução foi resultado de esforço coletivo. “Nós somos a semente. Mas nossos troncos, nossas folhas e nossos frutos são nossos colaboradores, parceiros e prestadores de serviço.”

Representando o prefeito Geninho Zuliani, o secretário municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana, tenente-coronel Vinícius Zoppellari, relembrou a noite do incêndio e destacou a velocidade da recuperação. “No dia do incêndio, vimos de perto a gravidade da situação. Essa família tem garra. Por isso a loja reabriu em menos de 100 dias.”

A cerimônia foi marcada também por forte carga espiritual. Gratidão foi a palavra mais repetida ao longo da manhã. Emocionado, o patriarca José Kioshi Iquegami, conhecido como Zezinho, resumiu em poucas palavras o sentimento da família.

“Tenho 62 anos de história. Nasci dentro do balcão. Só tenho que agradecer.”

A bênção da nova unidade foi conduzida por Frei Fernando, que deu um tom ainda mais simbólico ao momento ao relacionar fé, trabalho e resiliência. “Quando se juntam fé e humanidade, os projetos não dão errado.”

A reinauguração ocorre em meio a um momento de forte expansão da rede. Neste mês, o Iquegami inaugurou sua 23ª unidade, em Viradouro. Atualmente, o grupo está presente em 12 municípios paulistas e projeta chegar a 35 lojas até 2030, com meta de faturamento de R$ 2 bilhões.

Mas, apesar desse crescimento regional, a reinauguração deste sábado teve um peso diferente. A Loja 4 não é apenas mais uma unidade. Ela representa a ligação histórica entre o Iquegami e Olímpia — cidade onde a marca nasceu, cresceu e construiu sua identidade ao longo de mais de seis décadas.

Para muitos clientes que atravessaram as portas da nova loja neste sábado, a sensação era evidente: não estavam apenas entrando em um supermercado novo. Estavam testemunhando o renascimento de um dos símbolos comerciais mais tradicionais de Olímpia.