Por Ivanaldo Mendonça — A arte de influenciar pessoas revela-se uma competência sem igual. Ao longo dos tempos os homens e mulheres assim como instituições e corporações que aliaram competência e habilidade no exercício da arte de liderar entraram para a história, ultrapassando os limites do tempo e ocupando, no inconsciente coletivo da humanidade, espaço especial. Como não considerar, para além de aspectos religiosos, o papel influenciador de Jesus Cristo na história da humanidade? Como não levar em conta, para além da dimensão política, a capacidade de liderança de Adolf Hitler?

No entanto, partindo de referenciais pautados por princípios e valores humanos, embora seja fundamental, não é suficiente considerar liderança, única e exclusivamente, como a arte de influenciar pessoas; é necessário, para além da conceituação, debruçarmo-nos sobre ‘como’ esta liderança desempenha seu papel.

Jesus Cristo exerceu o poder de influenciar promovendo-as integralmente; Hitler, no entanto, exerceu poder influenciador destruindo pessoas e incitando-as a destruir outra mais.

Em voga no cenário organizacional o conceito de liderança positiva considera elementos da chamada ‘psicologia positiva’; focado na valorização dos pontos fortes das pessoas, este modelo incentiva o desenvolvimento de competências tendo em vista o aumento do desempenho individual, de equipes e, consequentemente, da produtividade. Em tempos competitivos, não há como negar: as entrelinhas revelam forte interesse pelo lucro, o que, de maneira geral é tido como conseqüência e não como causa.

A literatura considera que ‘lideres positivos’ focam nas qualidades das pessoas enquanto ‘lideres negativos’ em seus defeitos ou falhas. Bastaria a Jesus que, para haver igualdade, fosse permitido matar ou roubar? Bastaria a Hilter que, para alcançar suas metas, os soldados dialogassem com judeus? Certamente não! Para além da capacidade de influenciar pessoas, favorecendo o desenvolvimento de suas competências e habilidades, gerando resultados satisfatórios aos indivíduos e organizações, é fundamental á liderança positiva considerar ‘o que’ se faz e ‘o como’ se faz.

Faz-se necessário confrontar as técnicas da ‘liderança positiva’ com princípios e valores humanos. Se para a teoria não há contradição, a prática o desmente. Ao princípio de moralidade, considerar o que é próprio ou impróprio diante de uma situação é fundamental, para além da consecução dos fins.

Aos princípios éticos é fundamental considerar o mais profundo do ser humano, que se manifestará em suas ações e comportamentos, impactando direta e/ou indiretamente a coletividade.

Liderança que desconsidera moralidade e ética, mesmo que alcançados os fins propostos, são positivas?

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

[email protected]

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