Por Ivanaldo Mendonça — O caminho percorrido ao longo do tempo quaresmal desemboca na Semana Santa, também chamada de ‘Semana Maior’, uma vez que celebra a solene memória do mistério da paixão-morte-ressurreição de Jesus, a Páscoa, ocupando lugar central no calendário de celebrações católicas.

O caminho que nos conduziu a Páscoa, que se segue por mais sete dias á noite Santa da ressurreição, a oitava Pascal, propondo-nos rezar e refletir acerca do tema ‘Seguir Jesus, nosso Salvador’, tem como intenção maior favorecer o crescimento, amadurecimento e cultivo da fé centrada em Jesus Cristo.

Por ser comum encontrar entre os que se dizem cristãos questões que destoam da essência da fé e que vão da não aceitação do sofrimento pessoal à indiferença social, faz-se necessário evidenciar que a vivência do seguimento fiel de Jesus só pode ser compreendida a luz do evento Pascal, o que significa que o caminho percorrido pelo discípulo em nada se difere do caminho percorrido pelo Mestre; espera-se, também, que a resposta de cada discípulo, a adesão a fé, seja tão profunda e verdadeira quanto a adesão do mestre Jesus á missão de salvar a humanidade.

Outro importante elemento a ser considerado nesta compreensão refere-se á total confiança na graça de Deus por parte dos que se dispõem a seguir a Jesus. Mais que confiar em Deus, movimento que sugere controle por parte de quem confia, a fé cristã propõe confiar-se aos cuidados de Deus, ou seja, abandonar-se aos desígnios do Senhor de maneira tal que, mesmo diante das maiores dores e profundos sofrimentos, o amor e fidelidade tenham a última palavra. Assim como participamos dos sofrimentos de Cristo, participamos de sua vitória.

A leitura a respeito da vida e existência humana deve ultrapassar os limites impostos pela natureza material e seus fenômenos. Não é possível viver com autenticidade o seguimento fiel do Senhor, tendo como referência realidades limitadas ante á proposta da fé. Certamente tudo deve ser considerado tendo em vista superar fundamentalismo e da alienação, no entanto, o horizonte que a fé cristã propõe vai além do alcance da mente, braços, pernas e bolso. Até o sepulcro todos seremos conduzidos; a experiência Pascal significa, justamente, ir além.

O seguimento fiel de Jesus revela-se um processo que revisita, continuamente, os aspectos da formação dos discípulos-missionários (encontro pessoal com Jesus Cristo, conversão, discipulado, comunhão e missão) apresentados pela Conferência de Aparecida e que, ao longo dos últimos cinquenta dias buscamos apresentar da forma mais clara possível justamente para favorecer uma compreensão intelectual e espiritual do caminho percorrido pelos seguidores de Jesus ao longo dos tempos e que têm como principal referência o evento pascal ora celebrado.

Páscoa é tempo de fazer acontecer por pensamentos, palavras, gestos e obras, o testemunho da libertação que nos chega, todos os dias, em Jesus Cristo, nosso salvador. Feliz e abençoada Páscoa, todos os dias!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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