DO DIÁRIO — A obesidade pode provocar muito mais do que ganho de peso: ela também alimenta um processo inflamatório silencioso que intensifica dores crônicas, sobrecarrega articulações e dificulta a recuperação de pacientes com doenças reumáticas. Esse foi o principal alerta de uma palestra realizada na noite desta quinta-feira (2), em Olímpia.

O encontro ocorreu no Instituto Especializado Vivace, voltado ao tratamento de dores crônicas e doenças reumáticas, reunindo pacientes e convidados para discutir a relação entre metabolismo, inflamação e dor persistente.

A médica endocrinologista Suelen Laraia explicou que a gordura corporal não funciona apenas como reserva de energia. Em excesso, ela passa a agir como tecido metabolicamente ativo, liberando substâncias inflamatórias capazes de alterar todo o organismo.

Inflamação que não aparece em exames simples
Segundo a especialista, essa inflamação metabólica costuma ser de baixa intensidade, mas contínua.
Por isso, muitas pessoas convivem durante anos com fadiga, dores musculares, piora articular, dificuldade de emagrecer e sensação constante de indisposição sem perceber a origem do problema.

Esse estado inflamatório afeta especialmente quem já sofre com fibromialgia, artrose, artrites e outras condições reumáticas.
Em muitos casos, o excesso de peso também amplia a carga mecânica sobre joelhos, quadris, coluna e pés, agravando o quadro doloroso.

Dor crônica vai além da ortopedia
A fisioterapeuta Letícia Cavagna destacou que o tratamento da dor crônica “precisa ir além da reabilitação física tradicional”.

Segundo ela, “a experiência clínica mostrou que muitos pacientes não melhoravam apenas com exercícios ou terapias locais porque havia um componente metabólico importante interferindo na evolução”.

Por isso, o instituto passou a adotar “abordagem multidisciplinar, unindo fisioterapia, reabilitação funcional, educação física e acompanhamento de questões metabólicas”, reforçou.

Letícia ressaltou que, diferentemente da “lógica predominante em muitas academias” — onde o foco costuma estar na estética —, a “proposta do trabalho integrado é melhorar funcionalidade, mobilidade e qualidade de vida”.


Emagrecimento como ferramenta terapêutica
Durante a palestra, Suelen também abordou uma mudança importante no entendimento da obesidade. Ela reforçou que obesidade é doença crônica multifatorial, e não mera falta de disciplina alimentar.

Fatores hormonais, genéticos, emocionais, inflamatórios e comportamentais influenciam diretamente o ganho e a perda de peso. “Nesse contexto, o emagrecimento deixa de ser apenas questão estética”, disse.

“Reduzir gordura corporal pode diminuir mediadores inflamatórios, aliviar dores, melhorar sono, aumentar disposição e potencializar resultados de tratamentos físicos”, completou a endocrinologista.

A palestra terminou com espaço para perguntas e um ‘coffee-break’.











































