DA REDAÇÃO — Um casal de influenciadores digitais de São José do Rio Preto é alvo de inquérito da Polícia Civil por suspeita de envolvimento com crimes de exploração de jogos de azar, fraude contra a economia popular, estelionato eletrônico, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ministério Público e Polícia monitoram outros casos na região.

A investigação é conduzida pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic). Com Joseane Teixeira / Diário da Região

Ascensão em tempo recorde

Em apenas oito anos, o casal deixou casas populares para viver em uma mansão avaliada em R$ 3,5 milhões, em condomínio fechado na zona norte da cidade. Além do imóvel, ostentam veículos de luxo — como Mustang, Porsche e Mercedes — e realizaram viagens internacionais para destinos como Canadá, França, Espanha e Itália. Também chamaram atenção das autoridades pelas movimentações em espécie e múltiplas contas bancárias.

Suspeita de fraude digital

Segundo a Polícia Civil, os dois somam mais de 3 milhões de seguidores em diferentes redes sociais e utilizariam sua influência para promover rifas, sorteios e principalmente jogos de azar, entre eles o “Tigrinho” (Fortune Tiger).

O esquema envolveria o uso de “contas demo”, programadas para sempre gerar ganhos, induzindo seguidores com a promessa de dinheiro rápido e fácil.

Indícios de lavagem

A investigação aponta sinais de incompatibilidade entre o patrimônio declarado e o padrão de vida apresentado. O capital social da empresa em nome do casal não justificaria a aquisição de imóveis e veículos de alto valor em tão curto período.

O Seccold também apura possíveis transferências ligadas a patrocínios “enganosos”, prática que teria impulsionado a rápida evolução financeira desde 2022.

Público vulnerável

O público atingido pelo casal é majoritariamente jovem, o que, segundo a polícia, aumenta a vulnerabilidade diante de promessas de enriquecimento imediato por meio de apostas online.

Próximos passos

O inquérito foi instaurado em janeiro pelo delegado Daniel Leal de Almeida e, posteriormente, transferido para a Delegacia Seccional, sob responsabilidade do delegado Adriano Pitoscia.