ENTREVISTA DO DIÁRIO — Dor ao subir escadas, dificuldade para caminhar, limitação para tarefas simples e anos convivendo com desconforto constante. Situações como essas fazem parte da rotina de muitos pacientes que chegam ao Vivace Instituto, em Olímpia, especializado no tratamento de dor crônica, doenças reumáticas, artrose, fibromialgia e lipedema.

Em entrevista ao Diário de Olímpia nesta terça-feira (26), a fisioterapeuta Letícia Cavagna, fundadora do instituto, afirmou que grande parte dos pacientes chega ao local depois de anos tentando tratamentos sem resultado efetivo.

Segundo ela, um dos maiores problemas está justamente na falta de individualização do tratamento.

“Exercício físico também é remédio. E remédio tem dose certa. Quando ele é aplicado de forma aleatória, pode piorar o quadro do paciente”, afirmou.

A proposta do Vivace é justamente romper com tratamentos padronizados. O instituto trabalha com equipe multidisciplinar formada por fisioterapia, nutrição e educação física, com protocolos personalizados para cada caso.

Exercício errado pode aumentar dor e inflamação

Letícia afirma que muitos pacientes chegam relatando piora após academias, pilates ou caminhadas feitas sem orientação adequada para doenças reumáticas e dores crônicas.

“Não é que caminhar faça mal. Mas dependendo da frequência, da intensidade e do estágio do paciente, aquilo pode agravar o quadro. Às vezes a musculatura ainda não está preparada.”

Ela explica que o tratamento precisa respeitar limites físicos, inflamação, metabolismo e capacidade funcional de cada pessoa.

No caso do lipedema, por exemplo, exercícios inadequados podem provocar efeito contrário ao esperado.

“A pessoa pode aumentar a inflamação e aumentar gordura ao invés de melhorar. Não é qualquer exercício que serve para esse paciente.”

Segundo a fisioterapeuta, a internet e as “fórmulas prontas” acabam criando tratamentos genéricos que nem sempre funcionam.

“Hoje tudo vira moda. Viraliza um método e as pessoas repetem sem especialização. Só que estamos falando da vida e da qualidade de vida das pessoas.”

Diagnósticos errados atrasam tratamento

Outro ponto destacado por Letícia é a quantidade de pacientes tratados durante anos com diagnósticos equivocados.

Ela relata casos de pessoas que chegam acreditando ter problemas cirúrgicos graves na coluna, quando na prática a origem da dor é outra.

“Muitas vezes o paciente recebeu um diagnóstico errado e passou anos tratando algo que não era a causa principal da dor.”

Segundo ela, isso ocorre principalmente em dores lombares e casos de fibromialgia.

“Tem pessoas diagnosticadas com fibromialgia sem ter a doença. E também pessoas que têm fibromialgia e nunca receberam diagnóstico correto.”

A avaliação inicial no instituto é considerada a etapa mais importante do tratamento. A profissional realiza entrevista detalhada, histórico clínico, exame físico e análise conjunta dos exames.

“Eu preciso entender a história da dor daquela pessoa. Não é só olhar exame.”

“As pessoas negligenciam a própria saúde”

Na avaliação da fisioterapeuta, a maioria das pessoas não se acostuma com a dor — mas aprende a negligenciá-la.

“As pessoas vão deixando a saúde para depois. Sempre aparece outra prioridade. Quando percebem, já perderam mobilidade e qualidade de vida.”

Ela cita o uso frequente de analgésicos e automedicação como um dos fatores que mascaram o agravamento dos quadros.

“Vai tomando remédio para suportar a rotina, até chegar num ponto em que não consegue mais.”

Segundo Letícia, doenças crônicas exigem tratamento contínuo, assim como hipertensão ou diabetes.

“Não tem cura, mas tem controle. E ter controle já muda completamente a vida da pessoa.”

Experiência pessoal motivou entrevista

O editor do Diário de Olímpia, Leonardo Concon, também compartilhou durante a entrevista sua experiência como paciente do instituto.

Diagnosticado com artrose nos dois joelhos — grau 2 em um e grau 3 no outro — ele iniciou tratamento há quase dois meses no Vivace.

Nesse período, perdeu 10 quilos com acompanhamento da nutricionista Maria Luiza Verderio, integrante da equipe multidisciplinar, além de iniciar exercícios específicos voltados à condição clínica.

Segundo Leonardo, caminhadas feitas anteriormente de maneira aleatória acabavam agravando dores e limitações. “Eu estava fazendo atividade física da forma errada e isso estava me prejudicando.”

Instituto nasceu em pequena sala e cresceu

Letícia contou que começou atendendo em uma pequena sala no Socorro Mútuo, focada inicialmente em terapias manuais.

Com especializações e ampliação da demanda, o espaço se tornou insuficiente.

Em julho do ano passado, o instituto mudou para o atual endereço, na Rua Conselheiro Antônio Prado, 1106, ao lado do antigo Posto Bonadio.

Ela explica que o nome Vivace remete à ideia de vitalidade e vida longa.

“Queremos que o paciente tenha prazer em estar aqui e entenda que cuidar da saúde precisa fazer parte da vida.”

Hoje, o espaço funciona em modelo semelhante a um estúdio especializado, com acompanhamento individualizado e integração entre os profissionais da equipe.

“Não precisamos viver com dor”

Ao final da entrevista, Letícia deixou um alerta direto para quem convive diariamente com dores e limitações.

“O mais importante é entender que a gente não precisa viver com dor.”

Serviço

Vivace Instituto – Instituto da Dor
📍 Rua Conselheiro Antônio Prado, 1106 – Olímpia/SP
📌 Ao lado do antigo Posto Bonadio (Hiroshi)
📞 Atendimento com equipe multidisciplinar especializada em dor crônica e doenças reumáticas