LEONARDO CONCON — Marcado para ser julgado no próximo dia 28 de maio, no Fórum de Olímpia, o empresário Eurípedes Augusto de Mello, o Euripinho, decidiu falar publicamente pela primeira vez sobre o tiroteio de 2017 na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves. Em entrevista exclusiva ao Diário de Olímpia, o corretor de terras afirma que a dívida que motivou o conflito já estava paga e resume o episódio em uma frase que, segundo ele, ainda define sua indignação: “Levei um tiro dentro do meu quarto, de pijama, sem dever um centavo para ninguém. ”Confira a íntegra da entrevista em vídeo:
Reconhecido nacionalmente no mercado de compra e venda de fazendas, Euripinho sustenta que jamais armou qualquer emboscada, afirma que a dívida que motivou o conflito já havia sido paga e descreve o episódio como o momento mais traumático de sua vida.
“Levei um tiro dentro do meu quarto, de pijama, sem dever um centavo para ninguém”, resumiu.
A entrevista foi concedida em sua propriedade, em um momento em que o caso volta ao centro das atenções com a série de julgamentos no Tribunal do Júri de Olímpia.

“A dívida não existia”
No centro do conflito está uma suposta dívida de aproximadamente R$ 350 mil, cuja cobrança teria motivado a ida de dois homens de São José do Rio Preto a Olímpia em julho de 2017.
Euripinho afirma que esse débito já estava quitado e que toda a documentação está nos autos do processo. “A dívida foi paga. Tenho perícia e documentos que comprovam isso.”

Segundo ele, antes mesmo do confronto, familiares vinham recebendo ameaças. “Ligavam para mim, ameaçavam minha irmã, meu sobrinho. Nós registramos boletins de ocorrência.”
O empresário diz que a pressão constante provocou danos emocionais profundos. “Cheguei a infartar de raiva e de medo. Meu filho entrou em depressão e parou de cantar.”

O dia do tiroteio
Na manhã de 11 de julho de 2017, Euripinho se preparava para uma viagem de negócios de mais de 1.400 quilômetros.
Segundo ele, funcionários estavam em sua casa para receber salários e vales referentes ao mês anterior. “Eles não foram para brigar. Foram para receber o pagamento.”
Euripinho conta que estava de pijama, no quarto, organizando roupas e cortando as unhas quando ouviu a discussão do lado de fora. “Nem cheguei a ver quem estava na porta.”
Momentos depois, um disparo atravessou a porta do quarto e atingiu seu braço. “Quando vi o sangue no peito, pensei que tinha levado um tiro no coração.”

A lesão destruiu parte do osso do braço, que nunca pôde ser totalmente reconstruído. “Até hoje estou sem esse osso.”
“Lavei o quarto de sangue”
O corretor relata que a dor foi extrema. “Lavei o quarto de sangue.”
Levado à Santa Casa, recebeu doses elevadas de morfina. “Os médicos disseram que já tinham me dado a medicação mais forte disponível.”
Ao mesmo tempo, Euripinho acompanhava notícias sobre o estado dos demais envolvidos. “Diziam que o Laércio não passaria daquela noite.”
Preso no hospital
Mesmo baleado, Euripinho acabou preso. “Cheguei algemado ao hospital, com o pé e a mão presos na maca.”
Ele permaneceu quase seis meses detido. “É algo que até hoje eu não consigo entender. Você leva um tiro dentro do quarto e ainda vai preso.”

Casa abandonada e vida transformada
Após o episódio, a família deixou a residência onde ocorreu o tiroteio.
“Ninguém mora mais lá.” O imóvel foi vendido, mas, segundo ele, as marcas emocionais permanecem.
“Foi um prejuízo emocional enorme. Isso atrapalhou a vida de toda a minha família”, confessa.
“Não preciso de capanga”
Ao longo dos anos, Euripinho tornou-se alvo de comentários e acusações.
Uma das versões que circularam foi a de que ele manteria seguranças particulares armados. “Não preciso de capanga. Meu capanga é Deus.”
Ele afirma que os homens envolvidos eram funcionários formalmente registrados. “Todos trabalhavam comigo e tinham carteira assinada.”

O ‘fogo amigo’
Um dos pontos centrais da defesa é a tese de que o tiro que matou Leandro Ribas pode ter sido disparado pelo próprio companheiro, Márcio Aparecido Macri, durante a troca de tiros.
“Ouvi dizer que o próprio sobrevivente teria afirmado isso.”
Esse argumento foi levado ao Tribunal do Júri e contribuiu para a absolvição de Paulo Sérgio Vieira da acusação de homicídio.
“Sou filho de lavadeira”
Euripinho atribui sua trajetória ao trabalho, e revela: “Sou filho de lavadeira e de carroceiro.”
Ao longo de décadas, construiu patrimônio no agronegócio, negociando propriedades rurais em diversas regiões do Brasil.
“Tudo o que conquistei foi trabalhando e sem prejudicar ninguém.” Mesmo com a desaceleração do mercado, continua atuando. “Hoje compro fazendas para mim e continuo trabalhando normalmente.”

Confiança na Justiça
Prestes a enfrentar seu próprio julgamento, Euripinho afirma estar sereno. “Minha consciência está tranquila.”
Segundo ele, a principal angústia não está no resultado do processo, mas na lembrança do episódio. “O que mais dói é lembrar que tomei um tiro no quarto onde dormia sem dever nada.”
“Entrego tudo nas mãos de Deus”
Ao final da entrevista, Euripinho disse que aguarda o julgamento com fé. “Entrego tudo nas mãos de Deus.” E deixou uma mensagem: “Quem quiser me procurar pode me encontrar em qualquer lugar. Não tenho nada a esconder.”
O caso que marcou Olímpia
O tiroteio ocorreu em 11 de julho de 2017, na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves. Durante a troca de tiros, Leandro Ribas foi atingido na cabeça e morreu dias depois.
Márcio Aparecido Macri sobreviveu e já foi absolvido em julgamento anterior. Outros réus estão sendo julgados em sessões separadas no Fórum de Olímpia.
Próximos julgamentos
O processo foi desmembrado. Por isso, os réus serão julgados em datas diferentes. O juiz é Mateus Lucatto de Campos e a promotora Sylvia Luiza Prestes Ribeiro. No corpo de jurados, sete olimpienses.
Laércio Marques, o Laércio Peão, e Emerson Alceu Teixeira, o Nim Pião, serão julgados no dia 21 de maio, às 9h, no Fórum de Olímpia.
Eurípedes Augusto de Mello, o Euripinho, e Elton Regis Albertino, o Nuguete, serão julgados no dia 28 de maio.
Equipe de defesa
O empresário é representado por três escritórios: um deles de Galib Jorge Tannuri, Carmen Tannuri; a MS Advogados por Marco Antônio Santos, Naiara Braga, Ana Beatriz, Arnaldo Galbeiro e do Wilquem Neves.








































