O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulga um alerta sobre uma onda de calor que deve atingir várias regiões do Brasil, com temperaturas que podem alcançar os 46ºC. Este fenômeno coloca o Brasil entre os locais mais quentes do planeta para o período.

O atual aviso do Inmet, de nível amarelo, indica perigo potencial em áreas do Centro-Oeste e Sudeste do país, com temperaturas 5ºC acima da média por dois a três dias, inclusive na Estância Turística de Olímpia.

O alerta está em vigor até sexta-feira (10), com possibilidade de atualização no sábado (11), dependendo da persistência das condições.

Além do Brasil, a onda de calor deve afetar também Bolívia, Paraguai e norte da Argentina. O Inmet reforça o acompanhamento da situação e orienta a população a tomar medidas de precaução diante das altas temperaturas previstas.

O recorde de calor no Brasil, de 44,8ºC, foi registrado em Nova Maringá, Mato Grosso, em novembro de 2020.

CADA VEZ MAIS QUENTE

Nos últimos meses, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) vem realizando uma análise meteorológica específica para o Brasil, utilizando dados de temperatura média do ar das estações meteorológicas do Inmet espalhadas por todo o território nacional. De acordo com o levantamento, as temperaturas ficaram acima da média histórica nos meses de julho a outubro, como mostra a tabela abaixo:

Dentre os quatro meses consecutivos mais quentes deste ano, setembro apresentou o maior desvio (diferença entre o valor registrado e a média histórica) desde 1961, com 1,6ºC acima da climatologia de 1991/2020 (média histórica).

Em 2023, os meses citados foram marcados por calor extremo em grande parte do País e eventos de onda de calor, reflexo dos impactos do fenômeno El Niño (aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial), que tende a favorecer o aumento da temperatura em várias regiões do planeta.

Além disso, outros fatores têm contribuído para a ocorrência de eventos cada vez mais extremos, como o aumento da temperatura global da superfície terrestre e dos oceanos.

Desta forma, o cenário indica que o ano de 2023 será o mais quente desde da década 60. Estes resultados corroboram com as perspectivas encontradas por outros órgãos de meteorologia internacional, pois, segundo pesquisadores do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, é improvável que os dois últimos meses deste ano revertam este recorde, tendo em vista que a tendência é de altas temperaturas em todo o mundo até novembro.