Por Ivanaldo Mendonça – As portas de um novo Natal somos desafiados a recuperar o verdadeiro valor, sentido e significado desta celebração que memoriza, muito mais do que o natalício de Jesus (até porque não existem dados reais acerca da data exata de seu nascimento), a ação salvadora de Deus em favor de toda a humanidade, através da entrega generosa de Seu Filho que, assumindo a natureza humana, participa de nossa historia e, entregando-Se, através da morte de cruz, redime a humanidade que jazia nas trevas do pecado e da morte.

A celebração do Natal não possui importância no fato de uma criança haver nascido. Este acontecimento, embora belo, nada traz de magnífico, ou, fora da normalidade: crianças nascem todos os dias.

A sublimidade do Natal está no fato de aquela criança ser o Salvador da humanidade; esta verdade de fé a descobrimos pela vitória sobre a morte e o pecado que Jesus nos mereceu. Apenas relendo a história de ‘frente para trás’, tendo como referência o mistério da paixão-morte-ressurreição de Jesus, compreendemos o real valor, sentido e significado da celebração do Natal.

A proximidade da celebração do Natal concede-nos a preciosa oportunidade de rezar, refletir e partilhar acerca de como temos sido vivido o propósito do Evangelho já presente na criança pobre, nascida em Belém, a Boa Nova da salvação anunciada e testemunhada por Jesus e por todos os homens e mulheres de fé que, ao longo dos tempos, ousaram segui-Lo fielmente e que, por isso, participaram e participam, igualmente, de Seu ‘destino’, a morte de cruz, senão nos moldes daquele tempo, com suas outras tantas formas, nomes, cores, sabores…

Na narrativa do Evangelho Segundo Lucas (Lc 3,10-18) João Batista anuncia a vinda do Messias pregando um batismo de conversão, para o perdão dos pecados. Que devemos fazer? Perguntam-lhe três categorias distintas de pessoas: a multidão, os cobradores de impostos e os soldados. À multidão João responde: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tiver comida faça o mesmo”. Aos cobradores de impostos ele diz: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. Aos soldados ele ensina: “Não tomais a força dinheiro de ninguém (…)”.

João anuncia o início de um novo momento da história! Contrariando expectativas, daquele tempo e ainda muito presentes, o Messias não vem destruir, castigar ou vingar-se; não vem sobrepor pessoas ou classes sociais. Ele vem implantar um Reino da parte de Deus, vem curar a humanidade. Para o egoísmo (das multidões de todos os tempos) o remédio é a partilha! Para a corrupção (dos cobradores de impostos de todos os tempos) o remédio é a justiça! Para a violência (dos armados de todos os tempos) o remédio é a paz! Então é Natal! Já sabemos o que devemos fazer!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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