Por Ivanaldo Mendonça — No contexto do tempo pascal, que se segue por cinquenta dias á solenidade da Páscoa, com o propósito de favorecer a cada cristão católico e as comunidades de fé que aprofundem o verdadeiro sentido do mistério pascal, particularmente, do elemento fundamente da fé cristã, a Ressurreição de Nosso Jesus Cristo, é proposto, a partir da liturgia dominical que, a cada semana, um elemento deste tremendo mistério de fé seja aprofundado. Ao quarto domingo da Páscoa é reservada a temática do Bom Pastor.

Sendo Cristo o modelo supremo de pastor, nesta ocasião, a Igreja celebra o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, conclamando os fiéis a rogar ao dono da Messe que envie operários para a Sua colheita. A dinâmica pastor-rebanho serve de ilustração á relação entre Jesus e os seus discípulos de todos os tempos, assim como á relação entre os que Ele chama a pastorear em Seu nome e os que lhes são confiados. Faz-se necessário ultrapassar o reducionismo que compreende a missão de pastorear exclusivamente sob o aspecto religioso. Todos aos quais Ele confia uma missão de zelo e cuidado participam de Seu pastoreio.

Desperta atenção as características da relação entre Jesus e seus discípulo apresentadas pelo Evangelho, em suma, pautada pelo amor incondicional do Pastor por cada ovelha em particular. A Palavra descreve a ação do pastor marcada por profundo afeto manifesto, sobretudo, pelo contato direto com cada membro do rebanho, de acordo com sua real necessidade (Lc 15,4-7). Também o Antigo Testamento ilustra esta relação efetiva e afetiva: “Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente e vigiar a ovelha gorda e forte” (Ez 34,16).

Uma relação livre, madura, equilibrada e frutuosa, em todos os sentidos, só acontece quando os que dela participam se entregam por inteiro, um ao outro e á sua causa comum. Diferentemente do ladrão cuja intenção é explorar, Cristo dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11). Para estabelecer esta relação o Ressuscitado sempre parte da realidade, nunca de hipóteses e fantasias; por isso, em suas manifestações, mostra mãos e pés traspassados pelos pregos e o lado aberto pela lança, dissolvendo quaisquer tentativas de separar crucificação e ressurreição, a realidade do ideal, tentação muito comum entre nós.

Aqueles que abraçam o Ressuscitado como Senhor faz-se necessário assumir sua realidade, inclusive, as marcas de dor e sofrimento que a vida lhes impôs ou que buscaram pelas próprias mãos, assumindo, acima de tudo, amar generosa e gratuitamente, a disposição para superar as dores do caminho é condição básica para deixar-se ser zelado, cuidado, amado e curado pelo Cristo Bom Pastor ao mesmo tempo em que é condição básica aqueles que assumem viver e cumprir sua missão de pastores iluminados pelo Ressuscitado.

Deixar-se ser curado para em nome de Cristo, curar.

O amor curativo é um dom Pascal!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia

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