Por Ivanaldo Mendonça — “O que quereis que eu vos faça?” Consegue imaginar o próprio Cristo lhe fazendo esta pergunta? Consegue imaginar qual seria sua resposta neste exato momento de sua vida? Vale a pena rezar e refletir acerca destas questões, que são fundamentais á quem se empenha por viver a fé cristã com excelência e, de maneira consciente, livre e responsável, assume a condição de discípulo-missionário de Jesus, num processo permanente de crescimento e amadurecimento.

Esta proposta de reflexão é ilustrada por duas emblemáticas passagens narradas pelas Sagradas Escrituras, nas quais Jesus pergunta, após ser estimulado por aqueles que o seguiam, acerca do que gostariam que fosse feito por eles. Tiago e João, os filhos de Zebedeu, não hesitaram em responder, até porque já traziam este desejo em seus corações: “Deixa-nos sentar um á tua direita e outro a tua esquerda quando estiveres em tua gloria” (Marcos 10,36).

Em Jericó, o filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, sabendo que Jesus passava, gritara a ponto de incomodar a todos, despertando a atenção do mestre que manda chamá-lo e, ao perguntar o que Dele queria, responde: “Mestre que eu veja”. Jesus atende prontamente: “Vai, a Tua fé te curou” (…) “No mesmo instante ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho” (Marcos 10, 51-52).

Interessante notar a desproporção entre as realidades citadas. Primeiro, em relação as necessidades apresentadas a Jesus: enquanto alguns solicitaram ‘status’ e poder, outro pediu o essencial, que a visão lhe fosse restituída. Segundo, a resposta dada pelo mestre, que não pode atender algo aparentemente simples como o seria conceder um lugar ao seu lado, porém, imediatamente, atendeu um pedido tido como complexo, fazendo com que um cego enxergasse.

A esta altura do caminho outra questão se nos apresenta. É de fato, necessário, pedir algo a Jesus? Caso o seja, verdadeiramente, o que pedimos? A tentação de reduzir Jesus a um ‘gênio da lâmpada mágica’ persegue os cristãos de todos os tempos; quando não, a mercantilização da fé, tão comum em nossos tempos, reduz a mensagem cristã a agradar alguns e a punir outros.

Dediquemos atenção a buscar em Cristo aquilo que Ele, e só Ele, oferece: a vida eterna. Perdemo-nos no desnecessário; ignoramos o essencial, que é invisível aos olhos. Qual o nosso ‘ponto cego’? Quais realidades de natureza material, física, mental e/ou espiritual não nos permitem enxergar a realidade á luz da fé centrada em Jesus Cristo, nosso salvador? É vergonhoso ocupar o tempo de Deus com nossas manhas, manias e caprichos. Quando Jesus nos perguntar: “O que quereis que eu vos faça”. Respondamos também: “Mestre, que eu veja”. O resto é conosco!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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