DO DIÁRIO — Olímpia passou a contar com um meliponário educativo voltado à preservação das abelhas nativas sem ferrão e à conscientização ambiental de crianças e jovens. O espaço foi inaugurado nesta quarta-feira (27), no Centro de Educação Ambiental, reunindo estudantes da rede municipal, jovens da ABECAO, especialistas, representantes de empresas e autoridades municipais. Texto e fotos Leonardo Concon

A iniciativa foi desenvolvida pela Tereos em parceria com a Syngenta e apoio da Constroeste, com ações voltadas à biodiversidade, preservação ambiental e educação ecológica.

A chefe do setor de Educação Ambiental da Prefeitura, Jaqueline Marília Barbosa, destacou na abertura que a implantação do meliponário educativo representa a concretização de um projeto voltado à conscientização ambiental de crianças e jovens.

“Esse é um sonho que estamos vivendo hoje. Queríamos criar um espaço onde as crianças pudessem entender a importância das abelhas para o meio ambiente e para a vida”, afirmou durante a recepção aos estudantes e convidados.

Por sua vez, o secretário municipal de Zeladoria e Meio Ambiente, João Paulo Morelli, destacou a relação das abelhas com a produção de alimentos. “Hoje só temos alimento graças às abelhas. O ser humano só sobrevive graças às abelhas”, afirmou.

O vereador Luiz Salata ressaltou que Olímpia possui duas leis municipais voltadas à preservação das abelhas sem ferrão. Segundo ele, uma das normas criou um programa de preservação das espécies nativas e outra prevê prioridade para árvores atrativas às abelhas em áreas verdes implantadas pelo município.

“O poder público dá largada no setor da educação ambiental ao implantar o meliponário educativo. Isso é muito importante”, declarou.

Salata também relacionou a iniciativa à formação ambiental dos jovens atendidos pela ABECAO. “No início do mês, eles participaram da soltura de alevinos. Agora encerram maio participando desse programa educativo sobre preservação ambiental”, afirmou.

Médico mantém 40 colmeias de seis espécies

O médico José Carlos Ferraz explicou que o Brasil possui centenas de espécies de abelhas nativas sem ferrão e alertou para os impactos do desmatamento sobre os enxames.

“As abelhas formam seus ninhos em ocos de árvores. Com o desmatamento, elas perderam espaço na área rural e passaram a procurar abrigo nas cidades”, disse.

Segundo ele, cerca de 70% dos alimentos consumidos dependem, em alguma etapa, da polinização feita pelas abelhas. “Sem as abelhas, grande parte do alimento que consumimos não existiria”, afirmou.

Ferraz destacou ainda que o meliponário poderá funcionar como ferramenta permanente de educação ambiental para estudantes e visitantes.

Tereos destacou preservação da biodiversidade

Representando a Tereos, Rafaela Shiota, gestora de Meio Ambiente da empresa, afirmou que o projeto foi criado para fortalecer ações de educação ambiental e conscientização sobre a importância das abelhas para os ecossistemas.

“O Dia Mundial da Abelha não poderia passar em branco. Queríamos trazer essa ação para aproximar as crianças da importância das abelhas”, afirmou.

Segundo Rafaela, a empresa mantém projetos apícolas nas regiões onde atua e desenvolve ações voltadas ao relacionamento com apicultores e preservação ambiental. “A cana não depende diretamente da polinização das abelhas, mas entendemos a importância delas para os ecossistemas e para a biodiversidade”, disse.

Ela também destacou a participação de colaboradores voluntários da companhia por meio do programa de voluntariado Fazendo Acontecer.

Oficinas práticas e distribuição de sementes

O evento contou com oficinas, exposições e demonstrações práticas sobre espécies de abelhas sem ferrão.

O meliponicultor Rafael, do projeto Resgate Bee, de São José do Rio Preto, apresentou técnicas de transferência de enxames para caixas apropriadas e explicou como funciona a organização das colmeias.

“Vocês vão conhecer como funciona a sociedade das abelhas, o mel, o pólen e como elas convivem dentro do ninho”, explicou aos estudantes.

A Constroeste participou das atividades com distribuição de sementes de flores atrativas para abelhas, incentivando o plantio em residências e áreas verdes.

Centro ambiental amplia atividades educativas

O diretor Paulo Buso afirmou que o meliponário complementa as ações já desenvolvidas no Centro de Educação Ambiental de Olímpia.

“Quando a gente fala de preservação, biodiversidade e vida, as abelhas representam tudo isso. Elas são pequenas, mas têm uma importância gigantesca para o planeta”, afirmou.

Segundo ele, o espaço já desenvolve atividades ligadas à produção de mudas, coleta seletiva e conscientização ambiental.

Jovens e estudantes participaram das atividades

Participaram do evento alunos da rede municipal, estudantes do curso técnico em Agronegócio de Guaraci e jovens do programa Jovem Aprendiz da ABECAO.

As atividades incluíram visitas guiadas, observação de espécies de abelhas sem ferrão, degustação de mel e ações de conscientização ambiental.

Serviço

Evento: Inauguração do meliponário educativo
Local: Centro de Educação Ambiental de Olímpia
Participação: Estudantes, ABECAO, especialistas e autoridades
Atividades: Oficinas, educação ambiental, exposição de espécies e distribuição de sementes