DO DIÁRIO — A criação da nova Arquidiocese de São José do Rio Preto, oficializada pelo papa Leão 14, muda significativamente a organização da Igreja Católica no Noroeste Paulista. A decisão eleva dom Antônio Emídio Vilar à condição de arcebispo e estabelece uma nova província eclesiástica que reúne cinco dioceses: Barretos (à qual pertence Olímpia), Catanduva, Jales, Votuporanga e a própria Rio Preto. A medida desmembra a região da influência da Arquidiocese de Ribeirão Preto, reorganizando o modelo de governança pastoral.

Para os religiosos de Olímpia, essa transformação tem implicações práticas e simbólicas. Frei Lucas Lisi Rodrigues, OFM, reitor e pároco do Santuário de Olímpia, explica que essa nova estrutura fortalece a comunicação entre as dioceses e otimiza a ação pastoral regional. “A arquidiocese passa a ser a igreja referência para as demais da nova província. É um modelo que favorece a comunhão e o diálogo entre os bispos, fortalece a formação do clero e facilita decisões pastorais integradas”, afirma.

Frei Lucas destaca ainda que a mudança responde a uma necessidade de organização interna da Igreja: “Durante anos, nossa região esteve sob a Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, que era muito ampla. Agora, com essa divisão, temos uma estrutura mais ágil e contextualizada, o que facilita a vivência da sinodalidade, essa escuta mútua e construção conjunta de caminhos, que é tão incentivada pelo Papa Francisco.”

Na prática, a nova arquidiocese aproxima a liderança eclesiástica das comunidades da região. “É uma graça concedida pelo Papa, que leva em conta o crescimento da Igreja e a necessidade de decisões mais próximas da realidade do povo. Com apenas cinco dioceses reunidas, a nova província vai facilitar a reflexão sobre os desafios locais e a tomada de decisões conjuntas, mais sintonizadas com o território em que vivemos”, completa o religioso.

Sinal de comunhão e crescimento pastoral

O vigário da Paróquia São João Batista, padre Matheus Francisco da Silva, vê a criação da arquidiocese como um gesto de reconhecimento e cuidado da Santa Sé com o Noroeste Paulista. “É um carinho de Deus para nós. A nova arquidiocese é fruto de um longo processo de estudo que observa o crescimento demográfico e geográfico da região. É a constatação de que a evangelização avança, e que as estruturas precisam acompanhar essa realidade.”

Padre Matheus ressalta que a decisão vai além da organização administrativa. “Com dom Vilar como novo metropolita, temos a possibilidade de um trabalho em comunhão entre os bispos. Isso não significa uniformidade, mas unidade. Cada diocese mantém sua autonomia, mas há abertura para ações comuns, o que fortalece a missão de evangelizar e edificar o povo de Deus.”

Segundo ele, a mudança também trará benefícios práticos: “Antes, os bispos da nossa região tinham que se deslocar até Ribeirão Preto para reuniões e decisões conjuntas. Agora, isso se concentra em Rio Preto, o que facilita a logística e favorece maior participação. Isso repercute inclusive na atuação de padres e agentes pastorais, que poderão colaborar de forma mais próxima e eficiente.”

“A Igreja acompanha os sinais dos tempos”

Na avaliação do padre Ivanaldo Mendonça, pároco da Paróquia São José de Olímpia, a criação da nova Arquidiocese é um reflexo direto da evolução da região como um todo — não apenas religiosa, mas também social e política. “Recebemos essa notícia com grande alegria. É um desejo antigo dos bispos da região, que agora se realiza. Rio Preto já se desponta como uma metrópole e a criação de sua Região Metropolitana, da qual Olímpia faz parte, também impulsionou essa decisão”, afirma.

Segundo ele, a nova configuração é também uma resposta ao crescimento da missão evangelizadora: “A Igreja não está inerte. Ela responde às necessidades do seu tempo. A criação da arquidiocese é reflexo do aumento da população, do fortalecimento das comunidades e do avanço da evangelização. Para nós, que estamos geograficamente próximos de Rio Preto, isso representa um ganho pastoral e uma melhor assistência ao povo de Deus.”

Padre Ivanaldo ainda ressalta o papel da descentralização: “Quanto mais descentralizada a ação da Igreja, mais próxima ela estará do povo. Essa mudança favorece a proximidade, o contato, a comunhão entre pastores e fiéis. Participamos com alegria desse momento, reconhecendo o trabalho dos bispos regionais e bendizendo a Deus por esse novo tempo de fortalecimento e fraternidade entre as dioceses.”

Próximas etapas da transição

Dom Vilar receberá o pálio, símbolo do novo ofício, diretamente das mãos do papa Leão 14 no dia 29 de junho, durante celebração na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A cerimônia de instalação da nova Arquidiocese será em 9 de julho, na Catedral Metropolitana de São José do Rio Preto, com a imposição do pálio feita por dom Moacir Silva, arcebispo de Ribeirão Preto.

Biografia do novo arcebispo

Natural de Guardinha (MG), dom Antônio Emídio Vilar tem 67 anos e ingressou no seminário salesiano ainda na infância. Estudou em Pindamonhangaba e Lavrinhas, professando como salesiano em 1976. Formou-se em Teologia na Universidade Pontifícia Salesiana, em Roma, sendo ordenado presbítero em 1986. Já atuou como bispo em Cáceres (MT) e São João da Boa Vista (SP). Desde 2022, lidera a Diocese de São José do Rio Preto, agora transformada em Arquidiocese.