DA REDAÇÃO — Olímpia gera cerca de 144,9 metros cúbicos de resíduos da construção civil por dia e ainda mantém 70 áreas de descarte clandestino de entulho. Desse total, 14 pontos continuam ativos, com recebimento frequente de material. Os dados foram apresentados na noite desta quinta-feira (3), durante audiência pública na Câmara Municipal.

O levantamento também identificou 26 locais usados para armazenamento irregular de materiais e resíduos, como areia, tijolos e entulho deixados em calçadas. Ao todo, o mapeamento reuniu 96 pontos com algum tipo de irregularidade.
Apesar do número elevado, houve redução de 30% nos descartes clandestinos ativos em relação ao diagnóstico anterior. Em 2014, Olímpia tinha 20 áreas nessa condição. Agora são 14.

A audiência integra a revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. A abertura e a condução dos trabalhos foram feitas pelo diretor da Divisão de Meio Ambiente, Paulo Sérgio Buzzo Júnior.
Participaram os vereadores Luiz Salata, Marcão Coca e Sônia Guerra. O secretário municipal de Zeladoria e Meio Ambiente, João Paulo Morelli, também acompanhou a apresentação.

Cidade produz quase 145 m³ de entulho por dia
A estimativa de 144,9 metros cúbicos diários considera obras novas, reformas, demolições, movimentação de cargas, destinação final e reutilização de materiais em estradas rurais.
Somente as construções, reformas e demolições licenciadas têm potencial para gerar 98,5 metros cúbicos por dia. O fluxo registrado pelas empresas transportadoras chega a 86,7 metros cúbicos diários.

Outros 36,5 metros cúbicos por dia entram em áreas regulares de destinação. A reutilização em estradas rurais representa uma média estimada de 9,9 metros cúbicos diários.
O volume total permaneceu praticamente estável em comparação com 2014, quando o diagnóstico apontou geração diária de aproximadamente 144 metros cúbicos.
“Esse é o número que Olímpia gera de resíduos da construção civil diariamente, segundo o nosso diagnóstico”, afirmou o professor Rodrigo Eduardo Córdoba, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), responsável pela apresentação dos dados.
Segundo ele, os números relacionados às obras licenciadas representam uma estimativa, e não uma medição direta de todo o entulho produzido.
“É um potencial, não é uma realidade. É uma estimativa, deixo bem claro. Não é um número medido, mas um número que poderia ser gerado no município por meio desse parâmetro”, explicou.

Mapeamento encontra 96 áreas irregulares
A equipe percorreu a área urbana, o entorno da cidade e os distritos. Mais de 500 fotografias foram produzidas durante o trabalho de campo.
O levantamento classificou 70 pontos como áreas de descarte clandestino. Quatorze permanecem ativos. Os outros 56 estão estáveis, mas ainda contêm resíduos que precisam ser retirados.
Outros 26 locais foram classificados como armazenamento irregular. Em geral, são materiais deixados por moradores diante de imóveis após o término de obras.

“Nós detectamos 96 áreas: 70 áreas clandestinas, das quais 14 recebem material sempre, e 26 áreas de armazenamento irregular”, disse Córdoba.
Ribeiro dos Santos concentra sete áreas clandestinas, três delas ativas. Em Baguaçu foi identificado um ponto clandestino, atualmente estável.
A maioria dos locais de armazenamento irregular é pequena. Das 26 áreas, 23 foram classificadas como de pequeno porte.

Resíduos podem voltar para a construção
O estudo constatou que 83,05% do material gerado pertence à classe A. Essa categoria reúne solo, tijolos, concreto e argamassa, materiais que podem ser triturados e transformados em agregados para obras ou manutenção de estradas.
“São os resíduos que eu consigo britar, reciclar e transformar em agregado, tanto para estrada rural quanto para outras atividades da construção civil”, explicou Córdoba.
Os recicláveis e resíduos volumosos da classe B, como papelão, plástico, embalagens e madeira, representam 11,9% do volume analisado.
Na comparação com o estudo de 2010, aumentou a participação dos resíduos minerais da classe A. Já a presença de materiais recicláveis da classe B caiu. Uma das hipóteses apresentadas é que esses produtos passaram a ser separados e comercializados antes de chegar às áreas de destinação.
Em 2025, aproximadamente 3.600 metros cúbicos de resíduos da construção foram reutilizados na manutenção de estradas rurais.

Turismo impulsiona grandes obras
Olímpia licenciou 4.642 obras novas e reformas entre 2016 e 2026. Desse total, 4.296 tinham até 300 metros quadrados, faixa que concentra residências e pequenos estabelecimentos comerciais.
Outras 346 obras superaram os 300 metros quadrados e foram classificadas no estudo como potenciais grandes geradoras de entulho.
Entre as novas construções de grande porte, 67% estavam ligadas ao turismo. As atividades industriais responderam por 19%.

Considerado todo o período analisado, os grandes empreendimentos representaram 18% da área licenciada no município. O turismo respondeu sozinho por 12% da área total.
“Quando eu falo em construção nova, é o turismo que acaba alavancando esse movimento por meio das áreas licenciadas”, afirmou Córdoba.
A pesquisa também identificou 198 empresas relacionadas à construção civil. São construtoras, escritórios de engenharia e arquitetura, incorporadoras, imobiliárias e empresas de comércio ou locação de máquinas e materiais.

Caçambas concentram transporte do entulho
O município tinha 139 empresas cadastradas para coleta e destinação de resíduos da construção. Oito eram especializadas no transporte por caçambas.
As empresas de caçambas responderam por 68,5% de todo o volume transportado e registrado nos Controles de Transporte de Resíduos (CTRs). O setor de transportes apareceu com 9,6%, seguido pela construção civil, com 6,2%, e pelo turismo, com 5,5%.
O professor José da Costa Marques Neto destacou que a adoção dos CTRs permitiu substituir parte das projeções por informações documentadas sobre a retirada e o destino das cargas.

“Hoje nós temos isso documentado, o que já é um avanço muito grande na área de resíduos da construção civil”, afirmou.
Marques Neto ressaltou que a responsabilidade pelo entulho é de quem executa ou contrata a obra.
“No caso do resíduo da construção civil, quem é responsável é o gerador. Só é responsável, nesse caso, quem efetivamente constrói”, disse.

Áreas de transbordo precisam de melhorias
O diagnóstico apontou problemas nas áreas públicas de transbordo de Baguaçu e Ribeiro dos Santos. Entre eles estão a mistura de entulho com resíduos de poda, ausência de cercamento, controle de acesso, pavimentação, iluminação e recipientes adequados.
O estudo também recomenda ampliar a estrutura do Ecoponto para receber móveis, sofás e outros resíduos volumosos. Uma segunda unidade está em estudo.

No Parque Ambiental, a retirada média de 32,5 metros cúbicos de material por dia indica que o passivo acumulado começou a ser reduzido.
O local recebe uma média de 12,5 metros cúbicos diariamente, mas retira volume maior para destinação em aterro regular. A diferença permite diminuir gradualmente o estoque acumulado.
Plano deverá apontar soluções
A vereadora Sônia Guerra questionou se a próxima etapa apresentará medidas concretas para os problemas encontrados nos bairros.
“Quando você anda em muitos bairros, a gente ouve ainda muita reclamação das condições de alguns lugares. A população quer saber a resposta disso”, afirmou.
José da Costa Marques Neto explicou que o trabalho está dividido entre diagnóstico e prognóstico. A etapa seguinte deverá apresentar ações de curto, médio e longo prazo.

“O prognóstico vai trazer propostas e ações. Vamos reavaliar o que foi previsto em 2014, manter algumas medidas e incluir outras com base nos problemas encontrados”, disse.
Entre as alternativas mencionadas estão a oferta de mais estruturas de recebimento, melhoria das áreas existentes, educação ambiental e maior articulação entre geradores, transportadores e empresas responsáveis pelo manejo.

A previsão apresentada na audiência é que a versão final do plano seja entregue entre março e abril de 2027.
Paulo Sérgio Buzzo Júnior afirmou que os instrumentos municipais de gestão de resíduos implantados nos últimos anos partiram do plano anterior.
“A gente tem pontos positivos para mostrar. Houve redução dos locais de descarte irregular, e isso precisa ser valorizado. Ao mesmo tempo, estamos atualizando e revendo as políticas públicas por meio desses planos”, declarou.

Próximas audiências
A revisão do plano continuará com mais duas audiências públicas. Em 29 de outubro serão debatidos resíduos industriais, de saneamento, mineração, transportes, atividades agrossilvopastoris e cemitérios.
Em 10 de dezembro, a discussão deverá abordar resíduos dos serviços de saúde e coleta seletiva.
Serviço
Evento realizado: 2ª Audiência Pública da revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos
Tema: resíduos da construção civil
Data: quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Local: Câmara Municipal de Olímpia
Próxima audiência: 29 de outubro de 2026
Encerramento do ciclo de audiências: 10 de dezembro de 2026
Previsão do plano final: março ou abril de 2027








































