A dança dos bacamarteiros, acompanhada por cantorias e pelo estampido das armas carregadas apenas com pólvora, ocupou a Câmara Municipal de Olímpia nesta quinta-feira (6). A apresentação integrou a programação do 62º Festival do Folclore de Olímpia (Fefol) e levou ao Legislativo uma tradição popular preservada no Nordeste.

A Associação Cultural do Batalhão de Bacamarteiros Cangaceiros de Lampião, de Capela, em Sergipe, participa pela primeira vez do festival. O grupo reúne mais de 30 integrantes de diferentes idades e adota trajes inspirados na indumentária de Lampião e Maria Bonita.

O presidente da Câmara, Flávio Olmos, recebeu os visitantes ao lado dos vereadores Sargento Barrera, Marcão Coca e Sônia Guerra. Servidores do Legislativo também acompanharam a atividade e participaram das danças conduzidas pelo grupo.

Disparos integram o ritual
O bacamarte é uma arma de cano curto e largo utilizada pelos grupos durante as apresentações. Nos rituais culturais, recebe uma carga de pólvora seca, sem projétil, para produzir o estampido que marca momentos determinados da dança.

Na Câmara, os disparos acompanharam as cantorias e os movimentos dos integrantes. Vereadores e servidores se aproximaram da apresentação e participaram da atividade proposta pelos bacamarteiros.

O ritual combina dança, música, poesia oral e salvas de bacamarte. A manifestação está ligada à identidade sertaneja e costuma aparecer em festejos juninos e celebrações religiosas do Nordeste.

Grupo recupera memória do cangaço
A apresentação do grupo de Capela também recupera elementos da história do cangaço. As roupas, as cantorias e a encenação fazem referência ao bando de Lampião, enquanto o bacamarte deixa o contexto de confronto e passa a integrar uma manifestação artística.

Uma das versões mais difundidas associa o surgimento dos batalhões de bacamarteiros ao retorno de soldados nordestinos depois da Guerra do Paraguai, encerrada em 1870. A origem, porém, não é consensual entre pesquisadores e também aparece relacionada às festas religiosas e às tradições rurais do Nordeste.

Transmitida entre gerações, a prática preserva os modos de dançar, cantar, confeccionar as roupas e manusear o bacamarte dentro do ritual.

Flávio deseja retorno do grupo
Ao dar as boas-vindas aos integrantes, Flávio Olmos destacou a ligação de Olímpia com o folclore e a importância de receber manifestações de diferentes regiões do país.

O presidente desejou sucesso ao grupo em sua primeira participação no Fefol e afirmou esperar que os bacamarteiros retornem à cidade nas próximas edições do festival.

O Batalhão de Bacamarteiros Cangaceiros de Lampião é uma das atrações inéditas da 62ª edição. O grupo representa Sergipe na programação, que prossegue até segunda-feira (10), no Recinto do Folclore e em outros pontos de Olímpia.









































