Por Leonardo Concon — A família Olmos completou seis décadas no bairro Santa Ifigênia, em Olímpia, com uma história que acompanha o crescimento do bairro: da casa construída entre poucas moradias à produção de sorvetes que alcança mais de 400 pontos de venda em três estados. Na sexta-feira (18), às 19h, familiares, vizinhos e amigos se reuniram ao lado das sorveterias Olmos e Belavita para celebrar essa trajetória.

O encontro teve a bênção de frei Eduardo e a exibição de um vídeo que recriou, com inteligência artificial, cenas das origens da família. O Diário de Olímpia esteve presente na comemoração.

Sessenta anos depois da mudança, cerca de 70% da família permanece no Santa Ifigênia. Parte dos irmãos ainda mora praticamente na mesma rua onde os pais, seu Cesário e dona Aparecida, começaram a construir a vida no bairro.

Da charrete ao comércio no bairro

Antes de chegar ao Santa Ifigênia, o casal morava no São José. Cesário trabalhou como charreteiro e, depois, teve um pequeno mercado chamado Princesinha.

A mudança ocorreu quando o Santa Ifigênia tinha poucas casas e quase nenhuma estrutura. A família esteve entre as primeiras a construir uma moradia naquela região, onde também abriu um bar e uma pequena mercearia.

O comércio se tornou um ponto de encontro. Um dos primeiros estabelecimentos do bairro a ter televisão, o bar reunia moradores para assistir às novelas e aos jogos de futebol.

Das pequenas forminhas à indústria de sorvetes

Foi nesse ambiente que começou a produção de sorvetes. Os primeiros eram feitos de forma artesanal, em pequenas forminhas.

A atividade cresceu aos poucos. Vieram os primeiros carrinhos de sorvete, o aumento da produção e a transformação do pequeno negócio em indústria.

A Indústria de Sorvetes Olmos, que tem a linha BelaVita, soma mais de 50 anos de atividade. Hoje, gera cerca de 30 empregos diretos e indiretos e distribui seus produtos em mais de 400 pontos de venda em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Pituca, um dos filhos do casal, está à frente da sorveteria. Sua trajetória também passa pelo esporte: ele foi presidente do Olímpia Futebol Clube.

Nove filhos e a permanência no Santa Ifigênia

Cesário e Aparecida tiveram nove filhos: Pituca, Nenê, Neila, Luiz, Neide, Cezinha, Flávio, Elisandra e Tô, que morreu em 1989.

Com a chegada de outras gerações, a família cresceu, mas manteve a concentração de parentes no bairro. Pituca, Nenê, Neila, Luiz e Neide estão entre os irmãos que continuam morando perto de onde essa história começou. Hoje, mais de 40 sobrinhos compõem a genealogia familiar.

Nenê seguiu o caminho da produção rural, com cultivo de cana-de-açúcar, fazenda e criação de gado. Mesmo com os negócios no campo, manteve sua residência no Santa Ifigênia.

A presença dos Olmos na cidade também chegou à política. Cesário exerceu dois mandatos como vereador e presidiu a Câmara Municipal. Flávio, conhecido como Flavinho, seguiu os passos do pai, com atuação como vereador e presidente do Legislativo.

Tecnologia recria o começo da história

Na comemoração de sexta-feira, as lembranças ganharam imagens em movimento. Um vídeo feito com recursos de inteligência artificial recriou cenas do início da trajetória familiar, dando a aparência de uma filmagem a episódios do passado.

A apresentação retomou o percurso do casal que saiu do São José, criou os filhos no Santa Ifigênia e iniciou os negócios que atravessaram gerações.

Entre a bênção de frei Eduardo e o reencontro com vizinhos e amigos, a celebração dos 60 anos aconteceu no próprio bairro onde a maior parte da família ainda vive. E contou com a presença da cantora Joyce Belchior que, também, comemorou os 13 anos do filho primogênito de Flávio, Matheus.