DO DIÁRIO — O Tribunal do Júri da Comarca de Olímpia absolveu nesta quinta-feira (21) Emerson Aliseu Teixeira, conhecido como Nim Peão, e Laércio Marques no processo relacionado ao tiroteio ocorrido em 2017 na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves, caso que marcou a cidade e segue sendo julgado em etapas separadas quase nove anos depois.

A sessão começou às 9h da manhã e terminou por volta das 23h, quando o juiz presidente do Júri, Matheus Lucato de Campos, anunciou a sentença absolutória dos dois réus.

A acusação foi conduzida pela promotora Silvia Luísa Damas Prestes Ribeiro, que sustentou a condenação dos acusados por homicídio consumado qualificado, tentativa de homicídio qualificado e associação criminosa.

A defesa, porém, conseguiu convencer os jurados pela absolvição, composta pelos escritórios MSM Advocacia, de Marco Antônio Santos, com atuação dos advogados Ana Beatriz, Arnaldo Galbeiro e Naiara Braga, além da equipe de Jorge Galib Tannuri, Carmen Tannuri e Wilquem Manoel Neves.

Advogados com Nim Peão e Laércio Marques

Processo foi dividido em três julgamentos

O caso original foi desmembrado pela Justiça em três julgamentos distintos.

O primeiro júri ocorreu na semana passada e terminou com a condenação de Paulo Sérgio Vieira, o Paulinho, a 9 anos e 4 meses de prisão por tentativa de homicídio contra Márcio Aparecido Macri. Ele foi absolvido da acusação de homicídio contra Leandro Ribas da Silva.

Agora, o segundo julgamento terminou com a absolvição de Nim Peão e Laércio.

O próximo júri, marcado para o dia 28 deste mês, será o do empresário Eurípedes Augusto de Mello, o Euripinho, e de Elton Regis Albertino, conhecido como Nuguete.

Defesa sustentou legítima defesa e negativa de autoria

Durante os debates, a defesa apresentou diferentes teses para os dois acusados.

Em relação a Laércio Marques, os advogados sustentaram negativa de autoria, legítima defesa e, subsidiariamente, a desclassificação para lesão corporal, argumentando que a única participação atribuída a ele teria sido agressões físicas contra Márcio Macri durante o confronto.

Banca da MS Advocacia

Já no caso de Emerson Teixeira, a defesa argumentou negativa de autoria no homicídio consumado e tentativa de homicídio, além da tese de legítima defesa própria e de terceiros.

Os advogados também sustentaram que os disparos atribuídos a Nim Peão não teriam sido direcionados para matar, mas efetuados para o alto e contra paredes, sem intenção homicida.

Como tese subsidiária, foi apresentada ainda a hipótese de desistência voluntária, prevista no Código Penal.

Os jurados acabaram acolhendo as teses principais e absolvendo os dois acusados.

O caso que abalou Olímpia

O tiroteio ocorreu na manhã de 11 de julho de 2017.

Na ocasião, Márcio Aparecido Macri e Leandro Ribas da Silva, ambos de São José do Rio Preto, foram até a residência do corretor Euripinho para cobrar uma suposta dívida estimada em cerca de R$ 350 mil.

Segundo Euripinho, o valor já havia sido pago anteriormente. A discussão terminou em troca de tiros.

Leandro Ribas foi atingido na cabeça e morreu dias depois em Barretos. Márcio Macri sobreviveu.

Também ficaram feridos Euripinho, atingido no braço dentro do quarto da residência, Paulinho, baleado no ombro, e Laércio Marques, ferido no rosto e no ombro.

Euripinho falou ao Diário

Em entrevista exclusiva publicada pelo Diário de Olímpia antes do julgamento, Euripinho afirmou que jamais armou emboscada e disse ter sido surpreendido dentro de casa.

“Levei um tiro dentro do meu quarto, de pijama, sem dever um centavo para ninguém.”

O empresário também afirmou que a família abandonou a residência após o episódio e relatou impactos emocionais profundos desde então.