DA REDAÇÃO — O empresário Eurípedes Augusto de Mello, conhecido como Euripinho, será julgado nesta quinta-feira (27), no Fórum da Comarca de Olímpia, em um dos casos criminais de maior repercussão da história recente da cidade. Também será levado a júri Elton Regis Albertino, o Nuguete.

O julgamento encerra a série de sessões do processo desmembrado do tiroteio ocorrido em julho de 2017, na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves, episódio que mobilizou a cidade, gerou forte cobertura da imprensa e segue cercado de versões conflitantes quase nove anos depois.

A defesa de Euripinho e Nuguete será conduzida pelos advogados Marco Antônio Santos, Ana Beatriz, Arnaldo Galbeiro, Naiara Braga, Galib Jorge Tannuri, Carmen Tannuri e Wilquem Emanuel Neves.

Defesa sustenta negativa de autoria

Segundo o advogado Marco Antônio Santos, a linha de defesa será baseada na tese de que Euripinho não teve participação nos crimes investigados.

“A linha de defesa é de que o Euripinho não concorreu em momento algum para o cometimento do homicídio consumado nem da tentativa.”

O advogado sustenta que Euripinho estava dentro do quarto, no piso superior da residência, no momento da troca de tiros.

“O Euripinho foi alvejado dentro do próprio quarto. Uma bala atravessou a porta de ferro e atingiu o braço dele.”

A defesa afirma ainda que o empresário quase morreu devido à perda de sangue provocada pelo disparo. “Ele quase chegou a óbito.”

Nuguete também negará envolvimento

A defesa também sustentará negativa de autoria para Elton Regis Albertino, o Nuguete.

Segundo os advogados, ele não estava armado e não participou da troca de tiros.

“O Elton não teve qualquer envolvimento com os disparos nem com agressões.”

Ainda conforme a defesa, Nuguete teria ido ao local apenas para buscar funcionários que receberiam pagamentos atrasados.

“Depois, inclusive, foi ele quem procurou ajuda e acionou a polícia.”

Absolvição anterior reforça estratégia

Os advogados pretendem usar como um dos pilares da sustentação o resultado do júri realizado nesta semana, quando Emerson Aliseu Pereira, o Nim Peão, e Laércio Marques foram absolvidos.

A tese acolhida pelos jurados reconheceu legítima defesa e negativa de autoria.

Segundo a defesa, Laércio apenas reagiu fisicamente ao atirador para tentar conter os disparos.

Já em relação a Nim Peão, os jurados entenderam que não houve intenção homicida.

Caso foi dividido em três julgamentos

O processo original foi desmembrado em três sessões do Tribunal do Júri.

No primeiro julgamento, Paulo Sérgio Vieira, o Paulinho, foi condenado a 9 anos e 4 meses por tentativa de homicídio contra Márcio Aparecido Macri, mas absolvido da acusação de homicídio contra Leandro Ribas da Silva.

No segundo júri, Nim Peão e Laércio foram absolvidos.

Agora, o julgamento de Euripinho e Nuguete encerra a sequência do caso.

O caso que abalou Olímpia

O episódio aconteceu na manhã de 11 de julho de 2017.

Márcio Aparecido Macri e Leandro Ribas da Silva, ambos de São José do Rio Preto, foram até a residência de Euripinho para cobrar uma suposta dívida estimada em cerca de R$ 350 mil.

Euripinho afirma que o débito já estava quitado. A discussão terminou em troca de tiros. Leandro Ribas foi atingido na cabeça e morreu dias depois.

Também ficaram feridos Euripinho, Paulinho e Laércio Marques. Márcio Macri sobreviveu e acabou absolvido em julgamento realizado anteriormente.

Entrevista exclusiva ao Diário

Na semana passada, Euripinho falou pela primeira vez publicamente ao Diário de Olímpia sobre o episódio.

“Levei um tiro dentro do meu quarto, de pijama, sem dever um centavo para ninguém.”

O empresário afirmou que sua família abandonou a residência após o caso e relatou impactos emocionais e financeiros desde então.