Por Ivanaldo Mendonça – Revisitar constantemente os princípios que norteiam o seguimento fiel de Jesus favorece que a vivência da fé cristã aconteça de forma consciente, livre e responsável. Ao mesmo tempo esta necessidade se impõe tendo em vista que boa parte dos que se apresentam como cristãos, confessionais ou não, revelam-se um tanto quanto perdidos, desorientados no que se refere a valores próprios do pensar e agir cristão. Alegando como provas distorções acerca de princípios da fé a banalização do nome ‘cristão’ leva a entender que em nome de Cristo se pode tudo.

O Evangelho Segundo Marcos, o primeiro a ser redigido, apresenta elementos que auxiliam na compreensão e vivência dos princípios da fé cristã (Marcos 1,14-20). A passagem que relata o chamado dos primeiros seguidores elucida pontos importantes. Interessante notar que, antes do chamamento propriamente dito, a Palavra ressalta princípios que orientam os discípulos de todos os tempos.

O primeiro deles é a revelação: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo (…)”. A presença de Jesus entre os homens inaugura um novo tempo. O tempo controlado pelo relógio (chronos) não corresponde aos anseios mais profundos da humanidade. De fato, o tempo do relógio nos esgota cada vez mais e seus referenciais fazem de nós animais ferozes a se devorar. Jesus inaugura o ‘tempo de Deus’ (kairós – tempo oportuno, tempo de graça), propondo, igualmente, um novo jeito de viver, um Reino regido, acima de tudo pelo amor, misericórdia, justiça e paz.

O segundo elemento: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Jesus apresenta o Evangelho como referencial aos cristãos de todos os tempos. Seu pensar, sentir e agir dão forma ao Evangelho vivo. Ao mesmo tempo Ele apresenta a dinâmica da conversão como movimento próprio do seguimento fiel.

É preciso recomeçar sempre, viver em estado permanente de mudança, aprimoramento, amadurecimento, pois ninguém está totalmente pronto; as forças do mal não desistem de nos roubar da presença de Deus.

Após apresentar elementos basilares Jesus chama. Ninguém pode segui-Lo, verdadeiramente, sem clareza do que isso significa. André e Simão estão trabalhando; uma das principais desculpas ao não seguimento fiel de Jesus é o trabalho, não visto como meio de subsistência, mas de acumulação. Tiago e João estão com seu pai; outra principal desculpa ao não seguimento fiel de Jesus são os apegos afetivos justificados como amor. Eles deixaram imediatamente, tudo e seguiram a Jesus. Deixaram de trabalhar e tornaram-se insensíveis ás pessoas? Não! A partir daquele profundo encontro seu Tudo passou a ser Jesus. Se Ele é nosso Tudo faremos bem cada coisa e todas as coisas.

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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