DO DIÁRIO — Olímpia abriu nesta sexta-feira (31) a exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar — Olímpia abraça o Rio de Janeiro”, mostra que aproxima as tradições locais das manifestações culturais fluminenses. A visitação é gratuita e poderá ser feita diariamente, das 9h às 21h, até março, na Estação Cultural de Olímpia (ECO).

A abertura ocorreu na véspera do 62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL), que começa neste sábado (1º) e terá o Rio de Janeiro como Estado homenageado.

O Diário de Olímpia retransmitiu a solenidade ao vivo pelo Facebook e pelo YouTube e mostrou, na sequência, parte do acervo instalado no espaço.

A exposição reúne obras de arte, fotografias, indumentárias, objetos, símbolos religiosos e produções audiovisuais. O percurso coloca lado a lado manifestações que ajudaram a formar a identidade cultural de Olímpia e expressões populares do Rio de Janeiro.

Folias, congadas, jongo e carnaval

Do lado olimpiense, a mostra apresenta referências às folias de Reis, ao São Gonçalo, ao Moçambique, à congada, à catira e aos grupos parafolclóricos ligados à história do FEFOL.

A cultura fluminense aparece por meio do carnaval, do jongo, dos afoxés, da capoeira, do passinho, do funk e de manifestações de matriz africana. O acervo inclui fantasias, roupas utilizadas por grupos tradicionais, peças artesanais e elementos ligados à religiosidade popular.

Primeiro a discursar, o presidente da Câmara Municipal, vereador Flávio Olmos, destacou o trabalho da secretária de Cultura e Defesa do Folclore, Priscila Foresti, e afirmou que o Legislativo apoia iniciativas voltadas à preservação e à divulgação da cultura popular. “Você eleva o nome do nosso folclore e está fazendo um trabalho excelente”, declarou. O presidente acrescentou que “a Câmara Municipal está apoiando e sempre vai apoiar eventos como esse”.

A curadoria é de Cota Azevedo e Gil Fonseca, com cenografia de Maíra Ramos.

“Procuramos trazer esse abraço de Olímpia ao Rio de Janeiro através das águas”, afirmou Gil Fonseca. Segundo ele, o percurso foi estruturado em três eixos: festas e folias; ofícios, saberes e símbolos; e a memória do professor José Sant’anna, fundador do Festival do Folclore.

Cota Azevedo destacou a presença do trabalho manual na mostra. “A gente navega por várias pontes de saberes, pensando a manualidade, o simbólico e o fazer do folclore”, disse.

Vídeos recuperam a história do festival

A exposição também apresenta cinco produções audiovisuais inéditas. Os vídeos abordam a trajetória do professor José Sant’anna e a participação de grupos do Rio de Janeiro na história do festival.

Parte da memória dessa relação está preservada no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Rio. A secretária de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia, Priscila Foresti, afirmou que a instituição ainda guarda correspondências trocadas pelo professor José Sant’anna durante suas pesquisas.

“Sabemos que um pouquinho de Olímpia também está lá dentro do museu”, declarou.

Priscila também destacou o apoio concedido pelo Estado do Rio de Janeiro para o deslocamento dos grupos fluminenses selecionados para o FEFOL.

“Essa é a grande dificuldade para trazer o Brasil todos os anos. O Rio de Janeiro fez um edital de mobilidade exclusivo para que os grupos estivessem aqui”, afirmou.

Relação cultural deve continuar após o FEFOL

A diretora do Instituto Cuiá, Letícia Santiago, definiu a exposição como um “encontro de águas” entre Olímpia e o Rio de Janeiro. O instituto participa também do trabalho de revisão do projeto do Museu de História e Folclore Maria Olímpia.

O presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, César Ribeiro, colocou o acervo da instituição à disposição de futuros projetos. Segundo ele, o MIS reúne cerca de 1 milhão de itens relacionados à memória cultural brasileira.

Representante do Ministério da Cultura, Tião Soares declarou que a presença do órgão federal em Olímpia reforça o compromisso com as culturas tradicionais e populares. Ele também transmitiu uma saudação da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

De acordo com Priscila Foresti, fazia mais de 30 anos que Olímpia não recebia um representante do Ministério da Cultura durante o festival.

Priscila Foresti também prestou uma homenagem pessoal à própria família. A secretária lembrou o avô, Rotischild, e o pai, Silvio “Bibi” Mathias Neto, ao relacionar a trajetória dos dois à preservação da cultura popular e à história do Festival do Folclore de Olímpia.

Geninho anuncia escolha antecipada de novo homenageado

Durante a cerimônia, o prefeito Geninho Zuliani afirmou que o município pretende anunciar ainda nesta edição o estado que será homenageado pelo FEFOL em 2027. A antecipação deverá ampliar o tempo disponível para organizar parcerias e viabilizar a participação dos grupos.

“Vamos anunciar o Estado homenageado do ano que vem ainda neste ano, para termos todo o tempo de fazer a mesma parceria”, disse. Tudo indica que o Festival de Parintins, e o seu Estado, Amazonas, vão estar o ano que vem como Estado homenageado, segundo o Diário raciocina.

O prefeito afirmou ainda que o festival precisa preservar suas origens enquanto adapta a estrutura às novas demandas de público.

“Muita coisa muda, a tecnologia chega e os espaços têm que ficar maiores. Mas começamos mais uma edição mantendo as origens e as tradições”, declarou.

Segundo Geninho, 14 entidades sociais terão espaços para comercialização de produtos durante o FEFOL deste ano.

Artistas de Olímpia participam da mostra

A transmissão do Diário de Olímpia também mostrou trabalhos de artistas locais incorporados à exposição. Entre eles está José Otávio Bergamasco, responsável pela arte oficial do 62º FEFOL.

O artista explicou que reuniu no cartaz elementos de Olímpia e do Estado homenageado, como o Cristo Redentor, o desenho do calçadão de Copacabana, uma palhaça de folia de Reis e o jongo.

A abertura reuniu representantes das instituições parceiras, integrantes de grupos folclóricos, artistas, vereadores e autoridades municipais, estaduais e federais.

A realização envolve a Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore de Olímpia e o Instituto Cuiá, com a participação de instituições culturais do Rio de Janeiro, entre elas o Museu de Folclore Edison Carneiro e o Museu da Imagem e do Som.

Serviço

Exposição: “De Olhos d’Água ao Rio-Mar — Olímpia abraça o Rio de Janeiro”
Período: até março de 2027
Horário: diariamente, das 9h às 21h
Local: Estação Cultural de Olímpia (ECO)
Entrada: gratuita
Conteúdo: obras de arte, objetos, indumentárias, fotografias e produções audiovisuais sobre as culturas de Olímpia e do Rio de Janeiro