Por Ivanaldo Mendonça — O calendário litúrgico, que dispõe as celebrações da Igreja Católica, dedica cinquenta dias ao tempo pascal período que converte-se num dom precioso, favorecendo aos fiéis o aprofundamento das verdades da fé cristã cujo elemento central é o evento pascal: paixão-morte-ressurreição de Jesus.

Do ponto de vista teológico pretende-se que os discípulos de Jesus, de todos os tempos, aprendam a conviver com o Ressuscitado, experimentando, continuamente, a vida nova que Ele nos traz. Pedagogicamente considera-se o movimento próprio de cada discípulo e da comunidade que abraça viver o Evangelho.

As narrativas evangélicas do tempo pascal partem da realidade dos discípulos profundamente marcada pelos limites humanos, da incompreensão á incredulidade, do isolamento ao abandono da comunidade, para ilustrar quão difícil foi aos primeiros cristãos assimilar que O crucificado continua a viver, e que todo empenho ao seguimento fiel de Jesus não fora e vão. Aos que esperavam, simplesmente, uma reforma político-religiosa a decepção doeu mais. Os Evangelhos não escondem as dificuldades inerentes ao autêntico seguimento do Ressuscitado. Até o túmulo todos chegam; o desafio é ir além.

Consideremos a maneira zelosa como o Ressuscitado se manifesta, assim como o novo ritmo que Ele imprime á vida dos que, verdadeiramente, o acolhem, dispondo-se a segui-Lo. Somos auxiliados pelo Evangelho de Lucas (Lc 24,35-48) que apresenta uma destas manifestações, partindo do testemunho de dois dos discípulos que, voltando á sua terra (Emaús), decepcionados com a morte de Jesus, reconheceram-No ao longo do caminho, pela força da Palavra e na mesa da refeição. Ao longo desse testemunho o Ressuscitado apresenta-se.

“A paz esteja convosco!” O primeiro dom do Ressuscitado é a Paz, não compreendida como sinônimo de passividade, mas, como ação que aproxima e move os corações na mesma direção, a busca da plenitude de dons e bens, que ultrapassando a esfera da materialidade, desemboca na plenitude da eternidade, em Deus.

Cristo é nossa paz! A reação dos discípulos chama atenção; primeiramente tomados pelo medo, depois pela euforia. No comportamento dos discípulos deparamo-nos com os desafios de cada dia e todos os dias.

Compreendendo o medo como característica da depressão e a euforia como característica da ansiedade, deparamo-nos com males que colocam em risco a vida. A dificuldade de lidar com as marcas da história, expressa na atitude de Jesus que mostra as mãos e os pés traspassados, favorece que neguemos a realidade da vida, refugiando-nos na depressão, enquanto negação da realidade e/ou na ansiedade enquanto incapacidade de viver cada dia.

O Ressuscitado provoca-nos o enfrentamento desses extremos evidenciando que a busca pelo equilíbrio faz parte do projeto de vida que Ele propõe. O equilíbrio é um dom Pascal!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia

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