Por Ivanaldo Mendonça – Nunca a realidade do medo se fez tão presente e viva em nossas vidas. O que nos últimos tempos já estava num ritmo crescente identificado, sobretudo, através de patologias como a depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico, foi acelerado pela realidade da pandemia do novo coronavírus. O medo que antes dominava uma ou outra pessoa, que além do sofrimento próprio de sua condição carregava, ainda, o peso dos estigmas e rótulos que variavam de ‘covarde’ a ‘doente’, converteu-se numa realidade generalizada.

Uma vez que passou a fazer parte de nossas vidas de forma mais intensa a abordagem do tema ‘medo’ não pode ficar restrita aos especialistas e/ou consultórios, tampouco, sua superação, restrita ao uso de medicamentos, não obstante este valioso recurso seja necessário em situações específicas. O primeiro tabu a ser superado é, igualmente, o passo fundamental á superação deste fenômeno do cotidiano que a muitos faz sofrer: falar sobre o assunto é fundamental.

O dicionário define medo como ‘estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência; temor, ansiedade irracional ou fundamentada, receio’. É importante considerar o medo como elemento integrante da existência humana, á medida que ele favorece a preservação e defesa da espécie; se, por exemplo, não temêssemos atravessar uma rodovia movimentada, certamente, morreríamos.

No entanto, a realidade do medo que provoca sofrimento permanente e crescente atinge o nível de doença; referimo-nos assim, ao medo paralisante, que atinge graus elevados impedindo que a pessoa e/ou o conjunto de pessoas caminhe bem.

Faz-se necessário, também, a distinção entre o medo ‘objetivo’, que se impõe pela própria realidade, perceptível a todos e o medo ‘subjetivo’ resultante de impressões estritamente pessoais. O medo ‘objetivo’ é superado por ações igualmente objetivas, comuns aos envolvidos; o medo imposto pela realidade da pandemia exige, por exemplo, que sejam adotadas medidas preventivas comuns Já a superação do medo ‘subjetivo’, modalidade que impera em nossos tempos, exige, um olhar personalizado, a cada realidade.

Nesse sentido questionamentos como ‘Quais são meus medos? Quais suas origens? Porque tenho estes medos? Quais os impactos destes medos sobre minha vida e existência? Quais forças devo mover para superá-los?’ são fundamentais.

Um processo terapêutico saudável deve favorecer á pessoa: 1) Identificar os medos; 2) Assumir os medos; 3) Tratar/trabalhar os medos; 4) Superar os medos; 5) Vencer os medos. Ninguém está imune! Negar-se a sentir medo é negar-se a superá-los.

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia,
[email protected]

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