DO DIÁRIO — Considerada a “mãe” do Festival do Folclore de Olímpia, professora foi reverenciada por autoridades e emocionou a abertura ao recordar a trajetória iniciada em uma escola
A professora Cidinha Manzolli, considerada a “mãe” do Festival do Folclore de Olímpia, foi uma das principais homenageadas na abertura da 62ª edição, na noite deste sábado (1º), no Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna”. Reverenciada por autoridades, ela recordou o início da festa e destacou a resistência dos grupos que mantêm vivas as tradições brasileiras.
Presidente de honra da Comissão Organizadora, Cidinha foi recebida pelo cerimonial como “mãe do nosso festival” e “nossa rainha”. Ao assumir a palavra, comparou a estrutura atual com os primeiros passos do evento, iniciado em 1965 no então Colégio Olímpia, hoje Escola Estadual Capitão Narciso Bertolino.

“É muito lindo chegar até aqui. É muita gratidão”, afirmou.
Cidinha disse que a cerimônia fez passar por sua memória “um filme” da trajetória iniciada dentro da escola, quando os grupos se apresentavam sob uma paineira.
“Deus permitiu que eu vivesse até aqui para ver essa maravilha que está acontecendo hoje”, declarou.
“Guardiões da nossa cultura”
A professora dirigiu parte da fala aos representantes dos grupos folclóricos e parafolclóricos de diferentes regiões do país reunidos em Olímpia.
“Sejam bem-vindos, grupos do meu Brasil. Vocês são os guardiões da nossa cultura”, afirmou.
Cidinha disse conhecer as dificuldades enfrentadas por quem trabalha para preservar manifestações populares. Ela citou o grupo que mantém em Olímpia e que completará 60 anos em 2027.
“Eu sei como vocês lutam, porque eu também tenho um grupo que, no ano que vem, fará 60 anos. Não é fácil guardar”, disse.
A fala reforçou uma das mensagens presentes na cerimônia: a continuidade das tradições depende do trabalho de pesquisadores, educadores, mestres e integrantes dos grupos.
Priscila chama Cidinha de “mãe do festival”
A secretária municipal de Cultura e Defesa do Folclore, Priscila Foresti, também reverenciou a professora durante o discurso de abertura.
Ao saudar os presentes, Priscila referiu-se a Cidinha como presidente de honra da comissão e repetiu a definição usada durante a cerimônia: “a mãe do festival”.

A secretária relacionou a trajetória de Cidinha ao trabalho desenvolvido por diferentes gerações para garantir a permanência do FEFOL. Também homenageou o professor José Sant’anna, fundador do evento.
“O professor José Sant’anna dizia que o folclore pertence ao povo, mas há a necessidade de o povo devolver o folclore para o povo. É isso que nós faremos nos próximos nove dias”, declarou Priscila.
Geninho agradece trajetória e dedicação
O prefeito Geninho Zuliani colocou Cidinha entre as pessoas fundamentais para a construção do festival. Ele recordou que trabalhou diretamente com a professora durante seus primeiros mandatos à frente da Prefeitura.
“Vou começar pela pessoa mais importante daqui, que é a professora Cidinha Manzolli, que ajudou, junto com o professor Sant’anna, a fundar o festival. Nos meus dois primeiros mandatos, ela foi a minha coordenadora do Folclore”, afirmou.

Durante o discurso de abertura, Geninho voltou a agradecer o trabalho desenvolvido por ela ao longo das décadas.
“Cidinha Manzolli, obrigado pela sua história e pela sua dedicação. Foi minha coordenadora nos meus primeiros mandatos e está aqui, não deixa a gente por nada”, disse.
O prefeito também ressaltou que o FEFOL nasceu no ambiente escolar e depende do trabalho conjunto de servidores, grupos, pesquisadores e moradores.
“O Folclore não é meu, não é da Guegué, não é da comissão. O Folclore é feito por centenas e centenas de mãos”, declarou.

Representante do Ministério da Cultura presta homenagem
O diretor de Promoção das Culturas Populares do Ministério da Cultura, Sebastião Soares, o Tião Soares, também dirigiu uma homenagem pessoal à professora.
“Dona Cidinha, orgulho imenso e uma honra conhecer a senhora”, afirmou.
Ao falar sobre o significado do evento, Tião classificou o recinto como um “solo sagrado” da cultura popular e disse que Olímpia representa a diversidade cultural brasileira.

“Olímpia representa não somente um evento, mas uma afirmação da dignidade e do amor às nossas almas”, declarou.
Segundo ele, o encontro permite que grupos de diferentes regiões convivam e apresentem os diversos “sotaques culturais” do país.
Zuleika é lembrada na trajetória do FEFOL
Em seu pronunciamento, Cidinha também homenageou pessoas que participaram da construção do festival. Entre elas, citou a ex-primeira-dama Zuleika Zangirolami, presente na cerimônia.
Cidinha recordou que Zuleika acompanhou diferentes etapas da festa, desde as apresentações no ambiente escolar até a construção do recinto próprio.
“Foi sempre minha amiga, da escola para a praça, da praça para os ginásios de esportes”, afirmou.

O Recinto do Folclore completou 40 anos em 2026. A estrutura recebeu o nome do professor José Sant’anna, fundador do festival e uma das principais referências da pesquisa e da preservação do folclore em Olímpia.
Cidinha encerrou sua participação com uma saudação ao país, às tradições populares e ao festival que ajudou a construir.
“Viva o Brasil, o folclore brasileiro e o Festival do Folclore de Olímpia”, declarou.
Festival segue até domingo
O 62º Festival do Folclore segue até domingo, dia 9, com apresentações de grupos de várias regiões do país. O Rio de Janeiro é o Estado homenageado desta edição.
Durante a abertura, também foi anunciado que o Amazonas será homenageado em 2027. A próxima edição deverá reunir em Olímpia manifestações culturais do Estado e representantes do Festival de Parintins, incluindo os bois-bumbás Garantido e Caprichoso.
Serviço
Evento: 62º Festival do Folclore de Olímpia
Data: de 1º a 9 de agosto de 2026
Local: Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna”
Endereço: Avenida Menina Moça, 800, Olímpia
Entrada: gratuita







































