O delegado titular de Polícia Civil de Olímpia, Marcelo Pupo de Paula, encerrou o inquérito que apurava o incêndio provocado na sede da Folha da Região, assim como residência da família do jornalista José Antonio Arantes, ocorrido no dia 17 de março do ano passado (reveja imagens de segurança abaixo).

Réu confesso logo nas primeiras duas semanas da investigação, o ex-bombeiro municipal Cláudio José de Azevedo Assis, o inquérito deveria mostrar os mandantes ou comparsas, mas encerrou-se sete meses depois como iniciou, ou seja, só com Cláudio como incendiário.

Embora datado de 25 de outubro, o parecer de Pupo só foi anexado ao processo no dia 16 de dezembro.

Essa conclusão desagradou a vítima, o jornalista e advogado José Arantes que estampou o fato com a sua opinião: “Como era esperado pelas vítimas e por seus advogados, o delegado de polícia titular da delegacia de Polícia de Olímpia, Marcelo Pupo de Paula, encerrou o inquérito antes de receber todos os dados da quebra de sigilo das redes sociais e mesmo telefônicos dos dois números de celulares que o criminoso confesso disse ter jogado num rio e que nunca foram achados”.

Arte: Folha da Região

“O delegado tergiversa apenas sobre os fatos apurados e que levaram à descoberta do ex-bombeiro civil Cláudio José de Azevedo Assis, demonstrando não ter investigado praticamente nada além disso. Ou seja, parece não ter havido interesse em descobrir os prováveis outros envolvidos”, segundo o editor da Folha e também Rádio Cidade FM.

Procurado pelo Diário, o delegado Marcelo Pupo disse que “chegou-se à autoria em apenas 14 dias e com a confissão do Cláudio, ora autor, assistido por defensor. Quando de suas declarações, o autor informou ter agido sozinho, não havendo participação de terceiros. Também em nossas diligências não apontou envolvidos”.

Quanto ao destino de seu parecer, o delegado revela que “agora o inquérito irá para o Juiz que, por sua vez, abrirá vistas ao Promotor de Justiça”, e se houver necessidade e se julgar que é preciso mais elementos, “o Promotor poderá denunciar, solicitar outras diligências, caso tenha dúvida para formar sua opinião ou decisão, ou promover pedido de arquivamento”.

Delegado Titular Marcelo Pupo de Paula

A ÍNTEGRA DO PARECER DO DELEGADO

Juiz de Direito:

Instaurou-se o presente feito investigatório mediante Portaria, porque na madrugada do dia 17 de março do corrente ano, Cláudio José de Azevedo Assis, servidor público municipal, saiu de sua casa, situada na rua Antônio Augusto do Santos, nº 41, Vila Rodrigues, nesta cidade, por volta das 04hs10 minutos, a bordo de sua motocicleta Honda/CG 125, ano/modelo 1999, azul, placa CQS 8954, Olímpia-SP, levando consigo uma mochila nas costas, ocasião em que se dirigiu até a Sede do Jornal Folha da Região, situada na rua David de Oliveira, nº 1255/1257, região central desta, inclusive no andar superior do referido prédio, habitam o Sr. José Antônio Arantes, sua esposa e uma neta, com apenas 09 anos de idade, ocasião em que Cláudio desceu da motocicleta e, utilizando um galão/recipiente com substância inflamável (provavelmente gasolina) em seu interior, derramou/jogou no chão e na porta frontal da Sede do Jornal, ateando fogo, evadindo-se em seguida.

Consta que o Sr. José Antônio Arantes, juntamente com sua esposa e neta dormiam no andar superior, pois como dito acima, é a residência mesmo, sendo que com os latidos dos cachorros e o forte cheiro da fumaça, acordaram, conseguindo debelar o fogo que também já havia alcançado a parte superior do imóvel, felizmente não restando vítimas.

Iniciando o trabalho investigativo, visando identificar o autoria e os motivos que teriam levado o mesmo a tomar tal atitude, após 14 dias de incansável labuta, conseguimos identificar o autor Claudio José de Azevedo Assis, conhecido por “Baia”, inclusive apreendendo no interior de sua casa, após ter o ingresso franqueado por sua genitora, a motocicleta e a mochila que trazia nas costas no dia do fato em apuração.

Cláudio José de Azevedo Assis apresentou-se de forma espontânea nesta Delegacia de Polícia no dia 31 de março/2021, estando acompanhado por defensor, ocasião em que foi formalmente interrogado, tendo confessado a autoria do crime, dizendo ainda, que tomou tal atitude, em razão de discordar dos ideais políticos, bem como dos pensamentos/recomendações sobre o tratamento da Covid-19, escritos em seu veículo de comunicação pelo editor e proprietário do Jornal Folha da Região, Sr. José Antônio Arantes, uma vez que a vítima segue a orientação da Organização Mundial de Saúde para o tratamento da doença, indicando o uso de máscaras, isolamento social, uso de álcool gel e outras medias visando evitar aglomerações e o avanço da pandemia, que na época estava em um dos seus piores momentos, provocando milhares de mortes diariamente, enquanto que Cláudio discordava das recomendações da OMS, apoiando os ideais do chefe do Executivo do País, inclusive se negou em tomar a vacina fornecida em seu local de trabalho (Corpo de Bombeiros) antes de muitas pessoas, em decorrência de seu trabalho.

Outrossim, ainda em seu interrogatório, Cláudio negou a participação/envolvimento de outra (s) pessoa (s) no covarde ato praticado, dizendo ainda, que desconhecia que o Sr. José Arantes residia com sua família no andar superior da Sede do Jornal, na região central desta cidade.

É verdade que Cláudio, juntamente com outras pessoas (empresários, profissionais liberais, comerciantes etc.) participaram de atos defronte a Prefeitura local, contra decisões tomadas pelo Exmo. Prefeito municipal, Sr Fernando Augusto Cunha, visto que o mesmo também seguia as orientações do governo estadual, bem como da OMS sobre as medidas para evitar o avanço da pandemia, visando sempre a preservação de vidas, enquanto que tais pessoas provavelmente estivessem mais preocupadas como a crise na economia com tais medidas, tanto municipal, como pelo governo de SP, pois foram duras no início, porém vemos que acertadamente nos dias atuais, pois muitas vidas foram preservadas, caso não houvesse rigor por parte dos nossos governantes (prefeito e governador), pois ocorreu na retomada da economia e logo estaremos dentro da normalidade.

Ocorre, que mesmo diante da negativa de Cláudio quando de seu interrogatório, onde narrou que agiu sozinho, não havendo participação/envolvimento de outrem, logicamente que as investigações não terminaram, pois o trabalho policial visa sempre a busca da verdade real, não se permitindo “achismo” ou agindo com emoção, mas sim um trabalho objetivo, onde se busca provas ou pelo menos indícios de autoria para formalizar uma eventual acusação.

No caso em questão, podemos dizer que não conseguimos vislumbrar a participação de outras pessoas no incêndio covarde de autoria de Cláudio José de Azevedo Assis na Sede de Jornal Folha da Região de propriedade do Sr. José Antônio Arantes, onde também o mesmo reside com sua família.

Apenas para reforçar a convicção do trabalho policial realizado na busca da autoria e o encerramento do presente feito investigatório, onde em apenas 14 (catorze) dias se deu uma resposta rápida para a vítima e sociedade com a confissão espontânea do autor, tivemos em nosso País dois casos recentes (atentado contra o Presidente Jair Bolsonaro e a execução da vereadora do Rio de Janeiro/RJ Marielle Franco) que foram esclarecidos (autoria), contudo jamais se provou, se é que existe, participação de outras pessoas.

Importante consignar que via Poder Judiciário, Representamos por algumas diligências no intuito de apurar eventual participação de outra (s) pessoa (s), as quais apesar de deferidas, foram parcialmente cumpridas, sendo que também não vislumbramos envolvimento de outrem no caso em questão.

Assim, encerro os trabalhos de Polícia Judiciária, encaminhando-se o presente feito para análise, após manifestação do (a) Excelentíssimo (a) Representante do Ministério Público local.

É o Relatório

Olímpia, 25 de OUTUBRO de 2021

Marcelo Pupo de Paula – Delegado de Polícia Titular

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