A Justiça de São Paulo decidiu não reabrir as investigações contra o parque aquático Thermas dos Laranjais, de Olímpia, no interior de São Paulo, pelo acidente que deixou o empresário Carlos Magon tetraplégico. Este processo foi arquivado no dia 14 de março. O texto é do G1, publicado há duas horas.

Antes do arquivamento, o julgamento sobre a reabertura das investigações foi adiado cinco vezes. O advogado da família Magon, Eduardo Barbosa, afirma que a decisão “não isenta a responsabilidade penal do parque”, mas isenta os funcionários. “O parque não está isento. Ainda existe um inquérito civil sendo apurado pelo Ministério Público do estado de São Paulo.”

Em nota, o Parque Thermas dos Laranjais afirma que esta é a segunda vez que “a Justiça declarou que não houve crime no incidente ocorrido em julho de 2015, envolvendo um visitante do parque”. “Na decisão, proferida em 14 de março de 2018, a Justiça também reforça que não há motivos para a reabertura do caso, encerrado em 03 de novembro de 2016”, afirma (leia a nota na íntegra abaixo).

O processo foi movido após o empresário Carlos Magon ter ficado tetraplégico em julho de 2015, depois de cair de um brinquedo chamado “bolha gigante”. Com a queda, as vértebras C4 e C5, que ficam perto da nuca, foram lesionadas. Outras duas pessoas tiveram lesões graves em brinquedos do parque.

Nota de esclarecimento do Parque Thermas dos Laranjais

“São Paulo, 28 de março de 2018 – O parque aquático Thermas dos Laranjais informa que, pela segunda vez, a justiça declarou que não houve crime no incidente ocorrido em julho de 2015, envolvendo um visitante do parque. Na decisão, proferida em 14 de março de 2018, a justiça também reforça que não há motivos para a reabertura do caso, encerrado em 03 de novembro de 2016.

O Thermas dos Laranjais esclarece ainda que prestou socorro e, mesmo não sendo responsável pelo incidente, assistiu a vítima e seus familiares, custeando o tratamento médico.

O parque também ressalta que as suas atrações passam por manutenção diária e que segue rigorosamente todos os protocolos de saúde e segurança baseados em regulamentações internacionais e nas normas da ABNT.”

Brinquedo onde o empresário se machou, conhecido como Bolha Gigante (Foto: Eduardo Ribeiro/G1)

Brinquedo onde o empresário se machou, conhecido como Bolha Gigante (Foto: Eduardo Ribeiro/G1)

Acidente

Em julho de 2015, o empresario Carlos Alberto Magon ficou tetraplégico após cair de um brinquedo chamado “bolha gigante”. Com a queda, as vértebras C4 e C5, que ficam perto da nuca, foram lesionadas.

No dia do acidente, uma das filhas de Carlos Alberto Magon viu que o pai não conseguia se mexer e, por isso, começou a se afogar. “Ela não conseguiu tirá-lo da água e dois banhistas ajudaram. O médico informou que isso prejudicou. Ele já deveria ter saído da água numa prancha de resgate”, disse a mulher do empresário, Solange Cristina Machado Magon, de 43 anos.

Segundo a família, a direção do parque pagou, durante sete meses, os gastos de serviço “home care”, que é o atendimento feito por profissionais da saúde em casa. Para conseguir este atendimento, a família entrou com pedido de liminar.

Carlos tem uma enfermeira 24 horas e precisa da ajuda de mais uma pessoa. Os gastos com fisioterapeutas, cadeira de rodas, reformas na casa, medicamentos, equipamentos médicos e psicólogos para Carlos e suas quatro filhas são pagos pela família da vítima.

A filha mais velha e uma enfermeira cuidam de Carlos Magon (Foto: Marcelo Brandt/G1)

A filha mais velha e uma enfermeira cuidam de Carlos Magon (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Outros acidentes

Além de Carlos, outras duas pessoas se acidentaram no parque e disseram não receber atendimento correto. Edson Aparecido Sertorio, de 53 anos, ficou paraplégico e Gabriel Quedas Dottavio, de 31 anos, sofre de dores crônicas. Os dois moram em São Paulo, onde fazem tratamento para tentar diminuir as consequências das lesões sofridas.

Segundo o advogado Eduardo Barbosa, as investigações, em um primeiro momento, não foram feitas de forma mais profunda. “Muita gente precisa ser ouvida ainda, toda a diretoria do parque. Quero saber se esse brinquedo estava em ordem, se ele podia funcionar e o porquê esse brinquedo foi alterado depois dos acidentes.”

Edson Aparecido Sertorio, de 53 anos, também se machucou no brinquedo “bolha gigante”. No dia 17 de dezembro de 2015, o contador escorregou e bateu com a cabeça no fundo da piscina. “Enquanto eu estava sentado e aguardando socorro, meus braços estavam adormecidos”, conta Edson, que foi resgatado da piscina por banhistas e aguardou sentado pelos socorristas do parque.

Em setembro de 2015, Gabriel se acidentou em outro brinquedo – um tobogã em que duas pessoas escorregam por meio de uma boia. Ele e a esposa escorregaram juntos e, ao chegar na piscina, o corretor de imóveis bateu a cabeça. No momento da batida, ele sofreu um choque e não sentiu as pernas nem os braços.

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