DA REDAÇÃO — O presidente da Câmara de Olímpia, Flávio Augusto Olmos, protocolou nesta quarta-feira (5) uma representação contra o vereador Otávio Hial no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Ele acusa o parlamentar de ameaça durante uma discussão por um veículo oficial e pede, além do afastamento cautelar, a perda do mandato ao final do processo.

A iniciativa ocorre poucos dias depois de Hial apresentar uma representação contra Olmos. Os dois procedimentos são independentes e ainda dependem de análise da Câmara. Não há, até o momento, decisão sobre o recebimento ou o mérito das acusações.

No novo pedido, Olmos relata que se sentiu ameaçado por Hial antes de uma viagem de vereadores ao Conexidades, realizado em Campos do Jordão. O presidente afirma que o parlamentar elevou a voz, apontou o dedo em sua direção e declarou: “Você arrumou seu pior inimigo”.

Olmos também sustenta que Hial estava com uma arma de fogo aparente na cintura durante a discussão. A representação não contesta a legalidade do porte, mas relaciona a exposição da arma ao temor que o presidente afirma ter sentido naquele momento.

O relato apresentado ao Conselho de Ética corresponde à versão de Flávio Olmos. As acusações ainda não foram julgadas, e Otávio Hial terá direito ao contraditório e à ampla defesa.

Discussão começou por uso de carro da Câmara

O episódio teria ocorrido em 15 de junho, pouco antes da saída dos vereadores para Campos do Jordão.

Segundo Olmos, o Toyota Corolla da Câmara estava reservado para seu uso, mas Hial já havia colocado os pertences no automóvel. O presidente afirma que comunicou a reserva e orientou o vereador a retirar os objetos e utilizar outro veículo oficial disponível para a viagem.

A discussão que se seguiu teria sido presenciada por uma vereadora e por funcionários do Legislativo. Essas pessoas poderão ser chamadas a prestar esclarecimentos caso a representação seja admitida.

A representação apresentada por Hial contra Olmos ocorreu depois desse desentendimento. A proximidade entre os episódios, porém, não comprova por si só uma relação de causa, retaliação ou motivação pessoal entre as duas iniciativas.

Entrevista aumentou temor alegado por Olmos

O presidente também anexou ao relato declarações feitas por Hial em uma entrevista concedida dias depois da discussão.

Na ocasião, Hial falou sobre portar arma de fogo, disse que poderia “matar ou morrer” por outra pessoa, relatou ter participado de trocas de tiros e afirmou possuir porte permanente de arma.

Outra declaração mencionada foi: “Se precisar entrar dentro do inferno pra buscar o capeta, eu estou pronto pra entrar lá e tirar ele lá de dentro”.

As falas não mencionaram diretamente Flávio Olmos. O presidente argumenta, no entanto, que elas ampliaram seu temor por terem ocorrido depois do confronto no estacionamento da Câmara.

A representação cita ainda uma publicação nas redes sociais na qual Hial aparece fardado e utiliza uma frase semelhante, novamente com referências a “inferno” e “capeta”.

Presidente pede afastamento e perda do mandato

Olmos solicita que o Conselho de Ética abra procedimento para apurar a conduta de Hial. Também pede que o Plenário analise o afastamento cautelar do vereador durante a coleta de depoimentos e demais provas.

O argumento é que parte das testemunhas trabalha na Câmara ou exerce mandato parlamentar e poderia se sentir constrangida com a permanência de Hial no exercício das funções.

Ao final da apuração, Olmos requer a aplicação das penalidades previstas no Código de Ética, inclusive a perda do mandato, caso as acusações sejam consideradas procedentes.

O pedido de cassação não produz efeito imediato. Antes de eventual punição, será necessário cumprir as etapas previstas nas normas da Câmara, com análise de admissibilidade, instrução, defesa e deliberação pelo órgão competente.

Até a conclusão dessas fases, Hial permanece no mandato e as afirmações apresentadas contra ele devem ser tratadas como acusações ainda não comprovadas.