DO DIÁRIO — Olímpia teve 19 casos de furto de energia identificados entre janeiro e julho de 2026. Os chamados “gatos” e outras intervenções nos medidores desviaram 21,7 mil quilowatts-hora (kWh), volume recuperado após as fiscalizações.

Os casos incluem ligações clandestinas, adulterações de equipamentos e intervenções destinadas a impedir ou reduzir o registro correto do consumo. O balanço não informa os bairros fiscalizados nem quantos casos pertencem a cada modalidade.

A CPFL Paulista localiza possíveis irregularidades por meio da análise do consumo, inspeções técnicas e denúncias. Em determinadas situações, as operações têm acompanhamento policial.

Região soma 323 ocorrências

Na região de Ribeirão Preto, 323 irregularidades foram identificadas nos seis primeiros meses do ano. O volume recuperado chegou a 637 mil kWh.

Somente em Ribeirão Preto, foram constatados 94 casos, com recuperação de 63,5 mil kWh. Em toda a área atendida pela CPFL Paulista, houve 1.436 ocorrências e mais de 2 milhões de kWh recuperados.

O volume registrado em Olímpia representa aproximadamente 1% de toda a energia recuperada na área de concessão da distribuidora durante o período.

Fraudes criam risco de acidentes

Intervenções clandestinas em instalações elétricas podem causar curtos-circuitos, incêndios, choques, oscilações e interrupções no fornecimento. O risco alcança quem executa a ligação, moradores, vizinhos e trabalhadores encarregados da manutenção da rede.

“As irregularidades podem comprometer a segurança das instalações, afetar a qualidade do fornecimento e colocar em risco quem realiza a intervenção e as pessoas ao redor”, afirmou Victor Rios, gerente de Recuperação de Energia e Receita da CPFL Energia.

As perdas provocadas por furtos e fraudes também entram nos cálculos regulatórios do setor elétrico. Por isso, parte do prejuízo pode repercutir nos processos de revisão das tarifas.

Furto pode levar a seis anos de prisão

A energia elétrica é equiparada a bem móvel pelo Código Penal. Sua subtração pode caracterizar furto.

Desde abril de 2026, a pena geral prevista para furto simples passou de um a quatro anos para um a seis anos de reclusão, além de multa. Como a pena máxima supera quatro anos, a autoridade policial não pode arbitrar fiança; eventual pedido deve ser analisado pela Justiça.

A responsabilização penal depende da apuração de cada caso. A simples constatação técnica de uma irregularidade no medidor não permite concluir, isoladamente, quem praticou a intervenção.

Como denunciar

Denúncias podem ser encaminhadas anonimamente pelo aplicativo CPFL Energia ou pela página www.cpfl.com.br/fraude.

As informações são usadas para selecionar imóveis para inspeção. A constatação da irregularidade depende de vistoria técnica.