DO DIÁRIO — O empresário e corretor de terras Eurípedes Augusto de Mello, conhecido como Euripinho, volta ao Tribunal do Júri de Olímpia nesta quinta-feira (10), quase nove anos depois do tiroteio ocorrido na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves e que se tornou um dos casos criminais de maior repercussão recente na cidade. Também será julgado Elton Regis Albertino, o Nuguete.
A nova sessão foi marcada depois de o julgamento anterior não poder prosseguir por falta do número mínimo de jurados exigido para a realização do plenário.
Euripinho e Nuguete respondem no mesmo caso que já levou outros envolvidos ao Tribunal do Júri. O processo original foi desmembrado e os cinco acusados passaram a ser julgados em sessões distintas.
Por que o primeiro julgamento foi adiado
Na sessão anteriormente marcada, inicialmente havia 15 jurados aptos, quantidade mínima exigida para a instalação dos trabalhos.
Durante o procedimento de formação do Conselho de Sentença, porém, um dos convocados informou uma situação de impedimento relacionada ao contato com familiares de um dos advogados da defesa.
Com a retirada desse jurado, restaram 14. O número ficou abaixo do mínimo legal e impossibilitou a continuidade do julgamento. O juiz Matheus Lucato de Campos, presidente do Tribunal do Júri de Olímpia, suspendeu a sessão.

Agora, Euripinho e Nuguete deverão novamente comparecer ao Fórum nesta quinta-feira para a escolha dos sete jurados que formarão o Conselho de Sentença e decidirão sobre as acusações.
A acusação será conduzida pela promotora Silvia Luisa Damas Prestes Ribeiro.
Defesa de Euripinho sustentará negativa de autoria
A defesa será realizada pelos escritórios Tannuri advogados, Wilquem Manoel Neves advogados e MS Advocacia & Consultoria jurídica composta pelo advogado criminalista dr marco Antônio santos , Arnaldo Galbeiro e Ana Beatriz Campos, além da estagiária Maryana dos Santos.

Será sustentada a negativa de autoria de Euripinho tanto em relação ao homicídio consumado quanto à tentativa de homicídio. Segundo a defesa, Euripinho não participou do confronto ocorrido na parte externa da residência e estava no quarto, no piso superior do imóvel, quando foi atingido.
“O Euripinho não concorreu em momento algum para o cometimento do crime, nem do homicídio consumado e tampouco da tentativa”, afirmou Santos.
A banca argumentará ainda que o empresário deve ser considerado vítima dos acontecimentos daquele dia. “Ele foi alvejado por um disparo de arma de fogo dentro da casa, dentro do quarto. A bala atravessou a porta e atingiu o braço dele”, disse o advogado.
Segundo a defesa, o ferimento provocou grave perda de sangue e deixou sequelas no braço de Euripinho.
Nuguete não estava armado, afirma defesa
Para Elton Regis Albertino, o Nuguete, a tese também será de negativa de autoria. A defesa afirma que ele não estava armado, não efetuou disparos e não participou das agressões ocorridas durante o confronto.
De acordo com Marco Antônio Santos, Nuguete exercia a função de motorista e havia ido buscar pessoas para levá-las à casa de Euripinho, onde receberiam pagamentos. “O Elton não teve qualquer participação. Não estava armado, não concorreu para o homicídio consumado e não concorreu para nenhuma tentativa”, afirmou.
A defesa também pretende argumentar que, depois do confronto, Nuguete procurou auxílio policial.
Outros réus já enfrentaram o júri
O julgamento desta quinta-feira integra uma sequência iniciada após o desmembramento do processo.
Paulo Sérgio Vieira, o Paulinho, foi o primeiro dos cinco acusados a enfrentar os jurados. Ele acabou condenado a 9 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela tentativa de homicídio contra Márcio Aparecido Macri.
Paulinho, entretanto, foi absolvido da acusação de ter matado Leandro Ribas da Silva e também da acusação de associação criminosa.
Em outro julgamento, Emerson Aliseu Pereira, o Nim Pião, e Laércio Marques foram absolvidos.
A defesa de Euripinho e Nuguete considera essas decisões relevantes para a argumentação que será apresentada nesta quinta-feira, embora cada réu seja julgado individualmente de acordo com as provas e quesitos submetidos aos jurados.
O que aconteceu em 2017
O caso começou na manhã de 11 de julho de 2017, por volta das 9h40, na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves, em Olímpia.
Márcio Aparecido Macri e Leandro Ribas da Silva, de São José do Rio Preto, foram até a residência de Euripinho em razão da cobrança de uma dívida atribuída ao empresário.

A cobrança é um dos pontos de divergência entre as versões apresentadas ao longo do processo. Euripinho sustenta que o débito já havia sido quitado.
Naquela manhã, homens que trabalhavam com o corretor também chegaram ao imóvel. Segundo a versão apresentada pela defesa, eles haviam sido chamados para receber pagamentos.
Houve uma discussão na área externa da residência e, em seguida, uma troca de tiros. Leandro Ribas foi atingido na cabeça. Ele morreu dias depois, após permanecer hospitalizado em Barretos.
Euripinho foi baleado no braço. Paulo Sérgio Vieira foi atingido no ombro e Laércio Marques sofreu ferimentos no rosto e no ombro. Márcio Macri sobreviveu ao confronto.
Macri também já foi julgado
Macri também respondeu judicialmente pelos acontecimentos daquele dia. Ele foi acusado de tentativas de homicídio contra os cinco homens do grupo de Olímpia e acabou absolvido pelo Tribunal do Júri.
Uma das questões discutidas nos julgamentos posteriores passou a ser justamente quem efetuou o disparo que atingiu Leandro Ribas.
No júri de Paulinho, a acusação sustentou que ele teria disparado contra Ribas por trás. A defesa apresentou tese diferente e argumentou que a vítima poderia ter sido atingida acidentalmente pelo próprio companheiro durante a troca de tiros.
Os jurados absolveram Paulinho do homicídio.
Euripinho deu sua versão ao Diário
Antes da primeira data marcada para seu julgamento, Euripinho concedeu entrevista exclusiva ao Diário de Olímpia e apresentou sua versão dos acontecimentos.
Ele negou ter preparado uma emboscada, afirmou que não chamou funcionários para enfrentar os cobradores e sustentou que estava dentro de casa quando o confronto começou.

“Levei um tiro dentro do meu quarto, de pijama, sem dever um centavo para ninguém”, declarou.
Euripinho também afirmou que a dívida que deu origem à cobrança estava paga e disse possuir elementos periciais para sustentar essa versão no processo.
O empresário relatou ainda consequências físicas, financeiras e emocionais provocadas pelo episódio e pelo processo iniciado há quase nove anos.

Nesta quinta-feira, essas versões voltarão ao centro do caso. Caberá aos sete integrantes do Conselho de Sentença analisar as acusações, as provas apresentadas em plenário e as teses da acusação e da defesa para decidir o destino de Euripinho e Nuguete.
Equipe de defesa
A defesa será realizada pelos escritórios Tannuri advogados, Wilquem Manoel Neves advogados e MS Advocacia & Consultoria jurídica composta pelo advogado criminalista dr marco Antônio santos , Arnaldo Galbeiro e Ana Beatriz Campos, além da estagiária Maryana dos Santos.
Serviço
Data: quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Local: Fórum da Comarca de Olímpia
Réus: Eurípedes Augusto de Mello, o Euripinho, e Elton Regis Albertino, o Nuguete
Caso: tiroteio ocorrido em 11 de julho de 2017










































