Por Ivanaldo Mendonça – O caminho quaresmal chega ao fim. Espera-se de todos os que, decididamente, assumiram viver uma preparação justa e digna para a Páscoa, que estejam, de fato, mais convictos do que realmente significa seguir Jesus, nosso salvador. Esta convicção não advém, unicamente, da força da mente, tampouco da força dos braços, mito menos da força do bolso, mas sim, da força da fé, dom sublime que o próprio Deus nos concedeu, e que, cada pessoa humana, de forma consciente, livre e responsável, converte em adesão.

O seguimento fiel de Jesus é fruto do processo de formação dos discípulos-missionários, processo marcado por cinco aspectos complementares, permanentemente revisitados (encontro pessoal com Jesus Cristo, conversão, discipulado, comunhão e missão).

Anunciar o Evangelho consiste no ápice deste processo, corresponde á resposta verdadeira e sincera daquele que, deixando-se transformar por Jesus converte-se em mensageiro da Boa Nova da salvação, fazendo chegar a tantos outros a graça recebida, como o apóstolo Paulo: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (1 Cor 9,16).

O documento final da Conferência de Aparecida (2007) inspirada no tema ‘Discípulos Missionários de Jesus Cristo’ apresenta como principais aspectos da missão que, o discípulo, á medida que conhece e ama o seu Senhor, experimenta a necessidade de compartilhar com outros a alegria de ser enviado ao mundo para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, tornando realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados, favorecendo a construção do Reino de Deus.

O seguimento fiel de Jesus exige de cada discípulo e da Igreja, enquanto comunidade de discípulos que constantemente reze e reflita sobre como tem sido presença de Deus, como tem feito acontecer, sob a assistência do Espírito Santo, o anuncio da boa nova do Evangelho a todos os povos.

Nesse sentido o Papa Francisco insiste na necessidade de que sejamos, cada vez mais ‘Igreja em saída’, vencendo a maior de todas as tentações, a autoreferencialidade, buscando enxergar cada realidade a partir de suas demandas reais e não a partir de si própria.

Assim, e só assim, será possível á Igreja fazer-se presente a cada pessoa e á toda a humanidade de forma salutar, convertendo-se, verdadeiramente, em sacramento da salvação. Os desafios são muitos!

Resistentes e apegados ao status e tantos outros penduricalhos atrelados a essência da fé cristã católica ao longo dos tempos, das vestimentas dos membros da hierarquia ao despreparo espiritual de boa parte dos batizados, faz-se necessário reinventar-se, deixando-se plasmar, verdadeiramente, pela ação amorosa do Espírito Santo, Ele quem orienta, sustenta e conduz a missão.

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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