Por Ivanaldo Mendonça — Encantador refletir acerca da composição das diversas realidades. A mãe natureza, através de belos cenários, complexos pela riqueza de detalhes e simples pela objetividade da mensagem comunicada, encanta-nos a ponto de perscrutar a alma, conduzindo-a a contemplação. Também a existência humana, complexa e simples ao mesmo tempo, ensina-nos que o conjunto da obra, o ser humano como um todo, individual ou coletivamente, depende, necessariamente, dos detalhes próprios de cada dimensão que o constitui, do biológico ao espiritual.

Em relação ao mar, geralmente ignoramos que a totalidade daquele cenário, sua imensidão, não existiria sem cada uma das minúsculas gotas d’água; a bela paisagem natural, não seria a mesma sem a pequena folha de capim e o quase imperceptível inseto; não seríamos quem somos se não fosse cada detalhe de nossa história.

Sobretudo diante das calamidades que assolam a humanidade existe a tendência, de boa parte das pessoas, em sucumbir ao desespero e aflição, perdendo a fé e a esperança. Tem sido cada vez mais comum depararmo-nos com desesperados, incapazes de crer, sonhar e, consequentemente ser felizes. Perde-se, cada vez mais, a percepção do valor e importância do pequeno, do simples, do quase imperceptível.

O recente drama do rompimento da barragem na cidade de Mariana (MG), o sofrimento de tantas pessoas e da natureza, irmana homens e mulheres que, mesmo sabendo não ter condições plenas para solucionar o problema, somam forças tentando amenizar os danos. Determinou-se fazer uma coleta em prol às vitimas e que, na celebração da Missa, cada um doaria o que pudesse.

Ao chegar, veio ao meu encontro uma senhora simples, como se desculpando, pois não sabia se fizera o correto, após ouvir nosso apelo através do programa de rádio, saíra pelo bairro, porta a porta, pedindo doações àquela causa. Entregara uma quantia, relativamente considerável, visto a realidade social daquela população.

Na Missa, agradeci e enalteci o encantador e diferenciado gesto daquelas pessoas. No dia seguinte, sobre a mesa, estava uma quantia, também considerável; perguntando de onde viera, soube que, naquele mesmo dia, outros membros da comunidade, decidiram também, de porta em porta, pedir doações ao povo de Mariana.

Lembra-se daquele beija-flor que sozinho, tentava apagar o fogo da floresta, enquanto os outros animais, desesperados, o reprovavam? A resposta do aparentemente insignificante voador foi simples e profunda: “Estou fazendo tudo o que posso, estou fazendo a minha parte”. Em meio a tantos desencontros e tormentas, em sua maioria, provocados pela insanidade e ambição humana, não desconsideremos, tampouco desmereçamos o valor, importância e necessidade do pequeno, do simples, do aparentemente insignificante, pois, sem ele o todo não existiria. O que seria do imponente mar se não fosse cada gotícula? Assim também, sejamos gotas de esperança!

Ivanaldo Mendonça

Padre, Pós-graduado em Psicologia

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