Por Ivanaldo Mendonça – Houve um tempo no qual a maior preocupação de quem se dispunha a seguir, com fidelidade, o Evangelho de Jesus Cristo era, a partir de evidência, posicionar-se frente ás demandas da vida, tendo como referência a fé professada; a partir do discernimento acerca daquilo que pertencia a César e acerca daquilo que pertencia a Deus, tomar a decisão e manter-se firme, consciente das conseqüências implícitas, ou não, na escolha feita.

‘Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’ (Mateus 22,15-21) nunca foi um problema a quem, decididamente, assumiu Jesus Cristo como o centro de sua vida e fé.

No entanto, a falta de clareza a respeito do que, realmente, significa seguir Jesus assumindo Seu projeto de vida, fez com que, além de preocupações pontuais os cristãos comprometidos angariassem outra preocupação considerável: discernir acerca de quem pertence a César e acerca de quem pertence a Deus.

Não são poucos os que se revestem das realidades tidas como sendo de Deus para difundir o império de César; não são poucos os que clamam o nome do Senhor, servindo, com radicalidade, o império de César; não são poucos os que se dirigem a Deus, em súplicas e preces, exigindo-Lhe benecias próprias de quem pertence a César. Não me refiro aos ditos cristãos, em sua imensa maioria, sem a mínima noção do que esta condição significa; refiro-me aos que, revestidos de poder e autoridade religiosa vivem à moda de César.

Houve tempos nos quais era possível confiar numa liderança religiosa; certamente ele estaria do lado da verdade e da promoção da justiça, no empenho por colaborar na construção de um mundo melhor para todos.

Em nossos dias, faz-se necessário, além de discernir sobre o que é de César e o que é de Deus, dedicar tempo á análise minuciosa acerca da conduta dos pretensos porta-vozes do Evangelho, empenhando tempo em discernir: pertence a César ou pertence a Deus?

César e sua corte nunca estiveram tão enfronhados nas ‘coisas’ de Deus. Vez por outra temos a impressão de que servimos causas maiores e, de repente, vemo-nos imersos em realidades periféricas, empenhando esforços em disputas por poder, vaidade, fama e status, profundamente comprometidos com aqueles que, ao longo dos tempos difundem o império de César e combatem o reinado de Cristo.

Hoje, além do esforço por fazer valer o preceito evangélico, temos que ir além, respondendo: Quem é de César? Quem é de Deus?

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

 

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